por José Carlos Coelho Leal

sábado, 19 de maio de 2012

61 - "PRÁ VALER!"


         Aqueles olhos verdes, vistos no breve lapso de uma apresentação formal, tomaram conta, sem licença, de meus pensamentos.
Coisa de não apagar com o passar dos dias.
         Nas conversas de fim de noite, várias vezes fui indagado pelo Carlos Alberto:
         - E os amores, como vão? Como vai a Inah? Você pouco tem falado dela. Brigaram?
         - Não, apenas estou dando um tempo para ver como ficam as coisas. Ainda mais que a menina mora longe demais, e já estou “cheio” destes amores longínquos - desculpava sem muita convicção, querendo de imediato mudar de assunto.
          Na verdade já fazia tempo que não estava “amarrado” e evidentemente sentia a carência de novos sentimentos.
         Complicado.
Não podia desabafar com meu melhor amigo, afinal minha paixão repentina era pela sua irmã. Definitivamente, ficaria muito constrangido de fazer qualquer comentário. Não imaginava qual seria sua reação, ainda mais que a coisa poderia ser passageira -  naqueles tempos, paixão nova era coisa para cada quinze dias.
         Que menina!
Difícil nossos passos cruzarem novamente. Nos meus sonhos a imagem do primeiro encontro, alimentava um sentimento que crescia a cada novo dia.
Amor a primeira vista! Ficava, pelo menos para mim, provado que isto não era ficção de romances para meninas-moça. Era “prá valer”!
         O sigilo foi mantido por mais tempo que permitia a minha emoção, até que se fez o não mais agüentar. Jorge, o primo, foi o meu confidente de ocasião e por ele sabia das notícias da casa dos Giffonis, acompanhando de longe a história de minha amada.
         Em noites de sábado sem festa, forçava a “barra”, e vira-e-mexe acabávamos todos, a turma dos seis, na casa do Carlos Alberto para ouvir discos e papear madrugada à dentro; na vitrola repetiam-se Mantovani, Românticos de Cuba, Ray Anthony, Billy Vaughan...
E nada da menina aparecer.
Estava ficando difícil a empreitada.

- Parte do livro "Cheiro de Verão"



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