por José Carlos Coelho Leal

sábado, 12 de maio de 2012

53 - MEUS OLHOS CASTANHOS

           Já havia cursado por dois anos a “Cultura Inglesa” sem muito entusiasmo. Porém este era o ano da virada, e a coisa deveria ser levada realmente a sério. Mais uma ocupação a somar-se às demais, todas as segundas, quartas e sextas.
         Sempre às três da tarde, na sede da “Cultura” à Avenida Graça Aranha, no centro da cidade, meu encontro com a língua inglesa.
Acompanhado do primo Waldir, meu colega de turma, enfrentávamos Mrs. Oliver, uma típica velhinha inglesa de alvos cabelos encaracolados, que morara muitos anos na China e tinha o abominável costume de espezinhar nossa cultura “tupiniquim”. Mesmo assim, era forçoso reconhecer suas qualidades como professora.
         Em poucas semanas meus “olhos azuis” corria sério risco e nova paixão começava a despertar minhas inquietações. Confuso com tantas novas emoções e muito preocupado com a ano complicado que tinha pela frente custei muito a tomar qualquer decisão.
         Por mais que o Waldir pusesse “fogo na fervura”, procurava levar a coisa em “banho maria” até porque em muitos momentos minha timidez era muito maior que os sentimentos.
Em julho, num rápido passeio de três dias a Friburgo com o Luiz Cesar, em tempo de muito frio, despedi-me de meus “olhos azuis” e voltei ao Rio pronto para novos afetos.
         Havia tanto a fazer que sobrava pouco tempo para as coisas do sentimento e afetando negativamente meu relacionamento com Inah, este o nome de meus “olhos castanhos”.
         Somado a todos estes problemas, ainda tinha que enfrentar as gozações do “moleque” do Waldir, sempre à espreita para aprontar uma falseta, como acontecia todos os dias na volta para casa.
         Ao tomar o bonde pulando no estribo apinhado de gente, veículo em alta velocidade, como se fosse um malabarista, meu estimado primo me deixava no meio da rua, meio humilhado, assumindo minha falta de habilidade para tão arriscado desafio.
Às gargalhadas voltava o “pilantra” escarnecendo da minha vicissitude.
         O ano chegava ao fim e eu continuava sem coragem de enfrentar um bonde em alta velocidade. E para quê ?...
          
    0BS. - Excerto do meu livro "Cheiro de Verão" escrito em 1997
   

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