Terminado o primeiro semestre, muita coisa havia mudado.
Tudo muito diferente dos primeiros dias, quando o afastamento de meus colegas, agora segundanistas, afligia meu íntimo com um sentimento de perda muito grande. Esta sensação humilhante de derrota exigiu muito esforço para ser vencida.
Foi uma lição muito dura, mas proveitosa. As notas até que não foram brilhantes, no entanto, fui recompensado por muitas vitórias e várias descobertas, algumas perenes.
Novos camaradas e algumas amizades que valeriam para toda a vida foram plantadas naqueles dias. Meu novo companheiro Humberto Fadini seria uma destas estimas definitivas, consolidada em longas conversas cheias de indagações, incertezas e muitos ideais.
Formava-se então o trio: Giffoni, Fadini e Leal - evidentemente, Leal, sou eu.
Sessões de cinema escolhidas a dedo, e comentadas longamente em após um cafezinho na “Porta do Sol” faziam parte do programa certo dos fins de semana. Aos poucos o companheirismo foi aumentando, e cada vez mais estávamos juntos em festas, jogos de futebol, bailes, etc.
Num destes encontros, decidimos que nossa vida jornalística no colégio deveria tomar novo rumo, criando algo menos clandestino e com tiragem de alguma representatividade.
Criamos, “O Líder” - “Um jornal decididamente a favor da imprensa livre”.
Bem, livre mesmo, somente até a quarta edição, quando devidamente ameaçados de empastelamento pela direção do colégio, fomos “educadamente” convidados a trocar o slogan por : “Um jornal pelo estudante, com o estudante, para o estudante”.
Era a temível censura agindo, sorrateiramente, contra nós.
Não custa recordar o que dizia Albert Camus: “ Quando a imprensa é livre, isto pode ser bom ou mau. Mas, com certeza, sem liberdade a imprensa não pode ser senão má. Aos jornais, tanto quanto aos homens, a liberdade oferece simplesmente a chance de se tornarem melhores; a servidão é apenas a certeza de que se tornarão piores.”
Tudo aconteceu por causa da publicação de uma caricatura do Irmão Borges, assemelhando sua postura diante do quadro-negro, à de um bule.
Lamentavelmente, para nós, a direção do colégio não achou de bom gosto semelhante brincadeira. Tivemos que ceder, sem condições, às exigências da reitoria para não renunciar em definitivo aos nossos propósitos.
Restava o consolo de que o apelido pegara, e para sempre, gerações seguidas do colégio conviveram com o “Bule” em perfeita paz. Um grande “praça” o nosso mestre Borges, que pouco se incomodou com a folia.
Não era bem isso que queríamos, mas bem ou mal, nossa tiragem já andava pela casa dos 300 exemplares.
Não deixava de ser uma vitória.
Sempre que possível, ludibriávamos a “censura” que, como sempre, não primava por uma “fina” inteligência, nunca sabendo ler o que estava nas “entrelinhas”...
É mais que oportuno recordar agora alguns apelidos dos nossos “queridos” mestres do São José. Alguns são carinhosos, outros, nem tanto: Batatinha, Azeitona, Vovô, Brucutú, Ortelino Troca-Letra, Gabirú, Supino e seu irmão, Gerúndio, Bororó, Fritz Fon-Fon e para não ser parcial, tínhamos ainda o Bunda e o Cocozinho.
Em tempo: o Guido colaborava comigo, rodando os originais no mimeógrafo da PUC, ele, presidente do Diretório Acadêmico.
Obs. - Excerto do meu livro "Cheiro de Verão"
Obs. - Excerto do meu livro "Cheiro de Verão"
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