Com dezembro vieram as férias e a volta definitiva de papai já agora totalmente curado. As primeiras notícias que recebeu não foram as esperadas.
Sem muita explicação para dar, afinal perdera um ano importante, abracei-o, olhos fitos no chão. Por dentro, muita vergonha somada a uma mágoa que doía, doía muito. Afinal não era essa a recepção que papai merecia.
O natal custou a chegar e aqueles dias quentes de verão foram consumidos com bastante aflição. Pensava muito por onde começar a tarefa que me propunha realizar no ano novo já vizinho.
Com muito sol e os cariocas sendo azucrinados pelos terríveis “lacerdinhas” (*), chegou de mansinho janeiro de 1956, e algo inesperado estaria para acontecer.
A grande surpresa!
Uma pausa providencial nas preocupações com a grande notícia.
Dois meses em Nova Friburgo e a soberba liberdade total - seriam dias inesquecíveis, desfrutados com muito prazer, sorvidos segundo a segundo.
Uma formidável coleção de lembranças de não mais esquecer.
Estas férias em Friburgo já estavam virando rotina, como antecera em 1954 e 1955. Naquele 1956, tão conturbado, imaginava impossível que tal regalia pudesse acontecer novamente...
Mas, aconteceu!
Não dava para entender. Nada dos olhares vigilantes de pai e mãe. No início só eu e o Luiz e, ao final, eu e Guido.
Estas férias em Friburgo já estavam virando rotina, como antecera em 1954 e 1955. Naquele 1956, tão conturbado, imaginava impossível que tal regalia pudesse acontecer novamente...
Mas, aconteceu!
Não dava para entender. Nada dos olhares vigilantes de pai e mãe. No início só eu e o Luiz e, ao final, eu e Guido.
Dias muito felizes no memorável Hotel Engert, onde se hopedara Machado de Assis no final do século passado, bem no centro da cidade, ali na Alberto Braune de tantas boas recordações que começavam a ser plantadas, uma a uma, com muito contentamento.
O “comissário Hugo” encarregou-se de levar minha bicicleta. Com ela poderia conhecer cada cantinho da serra deslumbrante, e as novas amizades foram feitas com rapidez.
O Ronaldo Spolidoro, que se tornaria o mais íntimo, o Jaime Levental, a Maria Eugênia, o Chain, a Laura, a Margarida, a Ângela, o Henze, o Eraldo e muitos mais.
Vinte quatro horas vezes sessenta dias repletos de alegria, experiências novas e muita aventura.
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(*) - “Lacerdinha”: Gynaikothrips ficorum. Inseto originário da Ásia Oriental tornou-se uma praga destruindo praticamente todos os tipos de ficus que ornamentavam a cidade. A vila, em decorrência, perdeu sua linda cerca viva ao longo de toda a margem do rio Trapicheiros.
- Trecho de meu livro "Cheiro de Verão"
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