Em abril de 1949, os jornais e as rádios ocuparam-se por vários dias com um acontecimento que me impressionou fortemente.
Em pensamentos sentia, numa vivência amargurada, a desgraça envolvendo fatos acontecidos longe do meu dia-a-dia, mas de qualquer forma marcantes para a humanidade.
A história: em 25 de abril de 1949 o navio Magdalena - cargueiro de bandeira inglesa, que voltava de Buenos Aires para Londres - chocou-se com uma rocha submersa e encalhou com um carregamento de 4,7 mil toneladas.
O desastre aconteceu nas ilhas Tijucas, próximo à então deserta Barra da Tijuca.
A Marinha, após desencalhar o Magdalena, tentou rebocá-lo em direção ao Porto do Rio de Janeiro. Na entrada da Baía de Guanabara, no local conhecido como Boca da Barra, o navio partiu-se em dois pedaços e afundou.
O impacto do acidente atraiu a atenção mundial pelas trágicas coincidências com outro naufrágio, o do transatlântico Titanic, que também afundou partindo-se ao meio, abalando a opinião pública mundial a partir da madrugada de 14 para 15 de abril de 1912.
Além dos naufrágios dos dois navios terem acontecido de formas idênticas, ambos num mês de abril e em suas viagens inaugurais, também o fabricante era o mesmo, o estaleiro Harland & Wolff.
Em Londres, a imprensa debateu por muito tempo o baque que o acidente poderia representar para a tradicional indústria naval inglesa.
Depois de longo processo o Tribunal Marítimo Brasileiro apresentou o conjunto de causas do acidente: erro de navegação, negligência dos oficiais de serviço e omissão do comandante.
Até nisso a história do Magdalena se parece com a do Titanic.
Única diferença: no Magdalena os 274 passageiros e tripulantes foram salvos.
Obs. - Trecho do livro Cheiro de Verão
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