por José Carlos Coelho Leal

terça-feira, 2 de outubro de 2012

"CHEIROS DA VIDA" - Nº39 - EU, JÃNIO E NOSSA GUERRA

                                     
         A cada dia Jânio Quadros fazia-se mais popular, embora não necessariamente simpático, e aplicava uma série de medidas cada vez mais surpreendentes como: proibição do uso de maiôs em concursos de beleza, o fim da briga de galos, corridas de cavalos somente aos domingos, não legalização de rifas e bingos, combate ao hipnotismo em público.
          Politicamente começava a desgastar-se condecorando Che Guevara com a ordem do Cruzeiro do Sul e, pouco depois, ao reatar relações diplomáticas com a União Soviética.
          Enquanto Jânio em decorrência de sua postura política enfrentava uma guerra sem quartel com o demolidor governador da Guanabara, Carlos Lacerda, eu enfrentava uma guerra intima terrível         
          Eis que Tia Nilda não sossegava.
-         Leal! O Álvaro está por fazer 50 anos e pretende fazer um almoço para a família lá no Iate Clube Jardim Guanabara. Gostaria que você fosse. O clube é lindo e vocês terão bastante tempo para conversar.
-         Tânia e eu: não é isso Tia Nilda?
-         Claro!  Não me conformo com a separação de vocês...

             A situação estava ficando cada vez mais complicada, constrangedora mesmo. Tia Nilda transformara-se numa alcoviteira de mão-cheia.
             Teria de haver forças para resistir.
             Aconteceu o almoço. Tudo lindo, alegre e agradável.
             À beira da piscina conversamos muito. Eu e Tania, naturalmente
             A menina estava linda. Sua pele aveludada e seu perfume suave me envolviam. O sol, as flores, a música, a alegria que enchia o ambiente, o vinho servido sem medidas tudo contribuía para que eu capitulasse de vez.
             Penosa a minha condição.
             Uma vez mais resisti, e as coisas ficaram como estavam.
             Saí dali e fui direto para Niterói.
             Noite gostosa, prezeirosa e cercada de afetos.  À noite em minha cama adormeci certo que tudo deveria continuar seu passo certo.
            Quanto ao passado estava cada vez mais convicto que foi um sonho bom de ser vivido...

            - Trecho do livro "Cheiros da Vida" por mim escrito em 2001 em Arraial do Cabo.


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