por José Carlos Coelho Leal

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

'CHEIROS DA VIDA" - Nº 53 - 2001, O ANO QUE NÃO VAI TERMINAR...



          De duas uma, ou eu, ou o mundo está “ruim da cachola”. Ouvia muito isso quando criança, “... para fazer uma bobagem desse tamanho, deves estar muito ruim da cachola!”, alertava minha mãe paciência já quase findando.
          Acho que é o mundo “ruim da cachola” que está me deixando, igualmente, com a “cachola chué”.
          Mais alguns dias é já lá se vai o primeiro ano do Século XXI.
          A esperança de algo novo para humanidade que habitou nossos pensamentos nos primeiros dias, desapareceu igualzinho como acontece com as areias finas da Praia dos Anjos escoando por entre os dedos levadas pelo vento.
          Dizem certos intelectuais: “um ano que valeu por dez”.
          Depois de 11 de setembro este ano entrará, certamente, na galeria dos anos que não terminam.
          O terrorismo, a violência gratuita, a insensibilidade dos poderosos, a fragilidade dos organismos internacionais, todos esses fatos constatados crescentemente no dia-a-dia minam nossas expectativas criando sem sentir um vazio em nossa alma, amargo, cético, doentio.
          Neste ano, quase extinto, mais de 700 pessoas morreram em El Salvador vítimas de um terremoto que atingiu 7,6 graus nas escala Richter.
          Por causa da “vaca louca” quase 200 mil bovinos, caprinos e suínos foram sacrificados na Inglaterra abrindo mais uma selvagem guerra comercial. Em decorrência o Canadá parar defender a sua indústria aeronáutica, em eterna luta com a brasileira Embraer, suspendeu a importação de carne brasileira, mentirosamente suspeita de também estar contaminada.
          Enquanto a ciência descobre que apenas 1,5% dos genes humanos se diferenciam dos genes dos macacos, o jornalista Edwin Blanck revela que a empresa americana IBM pôs sua tecnologia de classificação de dados a serviço do Holocausto.
          No Brasil a maior plataforma de petróleo do mundo, a P-36, vai para o fundo do mar causando um prejuízo de pelo menos 1 bilhão de Reais e matando onze operadores.
          O traficante brasileiro Fernandinho Beira-Mar é preso na Colômbia repetindo denuncias envolvendo juizes, policiais e parlamentares brasileiros no esquema de corrupção.
          Enquanto o brasileiro Hélio Castro Neves ganhava as 500 milhas de Indianápolis e virava celebridade nos EUA, eu fico internado 3 dias no Hospital Santa Helena de Cabo Frio, vítima de uma tremenda intoxicação provavelmente causada pelo verniz com que foram pintadas as janelas de meu escritório de Arraial. Minha pressão chegou a 7 por 4 e tive a nítida sensação que partia para o além...
          Em 7 de outubro, menos de um mês depois dos atentados no EUA, os americanos, apoiados pelos britânicos, começam a bombardear o Afeganistão em busca de Osama Bin Laden e de sua organização terrorista, a AL-Qaeda.
          Para terminar, esta semana FHC critica o congresso norte-americano por aprovar mecanismo de proteção da economia da nação mais rica do mundo contra produtos estrangeiros, o “fast track”. Ele dá sinais de que o Brasil poderá não aderir à Área de Livre Comércio das Américas (ALCA).
         O ano vai terminando com a atriz estreante Mel Lisboa esbanjando sensualidade na minissérie de televisão “Presença de Anita” e com a brasileirinha Daniele Hypólito ganhando a medalha de prata no Mundial e, a de ouro, no torneio internacional de Marselha constituindo os melhores resultados da ginástica olímpica do Brasil em todos os tempos.

          - Trecho do meu livro "Cheiros da Vida" escrito em Arraial do Cabo já ao final do primeiro ano de Século XXI

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