Vai chegando ao fim o primeiro ano do Século XXI.
A esperança de um mundo melhor logo esvaeceu.
A tragédia americana continuou a repercutir pelo mundo: medo do antraz, a estúpida guerra contra o Afeganistão, a caça maluca a Osama Bin Laden, a contínua matança entre israelenses e palestinos e o Brasil seguindo a sina de continuar sendo o eterno ignorado pela atenção mundial.
Os “generais de gabinete” já deram nome para a crise apelidando-a de “Conflito pós-moderno”
Momentaneamente a opinião pública preocupa-se com os destinos de Cabul, Kondoz e Kandahar, como já se preocupou com Kosovo, Chechenia e similares, não se falando da esquecida África e os dramas da Somália, Sudão, Angola e por ai vai...
O fim dessas histórias são mais conhecidos que o desfecho dos antigos filmes de “bang-bang”, quando o bandido morria no fim, apenas como uma pequena e fundamental diferença: nestas histórias reais o bandido não morre e, cada vez mais, impõe à humanidade sua dominação psicológica e até econômica..
Imperialismo, terrorismo, fundamentalismo e globalização. Estas são as palavras que me assustam no momento.
Leio num artigo de revista algo que ficou muito claro para mim desde que iniciei a escrever minhas histórias: “... a destruição da memória, da história, do passado é algo terrível para uma sociedade e isto tenta fazer a globalização com o cidadão comum”.
E aí esta minha angustia, pois, cada vez mais, fica evidente que para fazer face à globalização que vem seguindo um poder absoluto de negação à tolerância exacerbando as oposições entre pobres e ricos , dominadores e dominados.
Mais uma vez o mundo mergulha numa utopia que seria a globalização baseada na partilha e na paz gerada pelo respeito das diversidades.
Diz Jacques Le Goff, historiador francês da atualidade: “Uma globalização assassina das diversidades é nociva e catastrófica”.
E o que vemos no mundo atual?
Acho melhor voltar para o mundo de 1962, onde globalização era uma palavra desconhecida. O desafio que valia era a conquista de meu destino.
- Trecho do meu livro "Cheiros da Vida" escrito em 2001.
Nenhum comentário:
Postar um comentário