A idéia foi do Guido. Certamente mais uma de suas iniciativas visando ajudar a acabar, em definitivo, com o tabu que se transformara o vestibular para mim.
- Vamos juntar os alunos que tu já tens angariar mais alguns e formar uma turminha para preparar para o vestibular.
- Deixa ver se entendi. Você, Guido, está propondo uma sociedade para preparar candidatos ao vestibular de engenharia. É isso?
- Exatamente.
- Endoidou de vez!
- Qual o problema?
- Simplesmente eu sou um fracassado, um zero à esquerda tratando-se de vestibular.
- Negativo. Teu problema é química. O resto tira de letra. Matemática então nem se fala haja vista o número de alunos que tens.
- Muito bem. Afinal quem serão os professores? Onde serão dadas as aulas? E o dinheiro para montar o negócio?
- Nós seremos os professores. Dividiremos as matérias: álgebra, geometria, analítica, trigonometria, descritiva, perspectiva e física.
- Suponhamos que sim; e química?
- Teremos que contratar alguém.
- E o dinheiro?
- Eu tenho alguns guardados. Você deve ter também, afinal teus alunos não são todos caloteiros, são?
- Está tudo muito simples demais. A coisa não é bem assim.
- Qualquer aperto recorremos ao papai.
No início os planos foram ambiciosos: alugar uma sala, comprar carteiras, um belo quadro negro, talvez até contratar uma secretária para fazer as matrículas e organizar a parte administrativa da coisa.
Consultamos os classificados dos jornais, visitamos um sem-número de salas, casa de móveis especializados, fizemos cálculos e mais cálculos.
Finalmente o curso foi montado.
A realidade foi bem mais modesta que os planos iniciais.
Logo de saída nada de secretária ou luxos semelhantes.
O grande detalhe: a sala de aula. Onde funcionaria nosso “promissor negócio”?
Em mais um ato de desprendimento e carinho, Tininha e César cederam a sala lá de casa que se transformou da noite para um dia no mais novo curso vestibular da cidade.
O quadro-negro nós mesmos o fabricamos. Pintamos uma placa de Duratex com uma tinta verde especial tomando-se o cuidado de dar um acabamento áspero. Algumas ripas de madeira de qualidade duvidosa formavam a moldura, esta, pintada com verniz de boneca.
Buchas e parafusos completaram a montagem.
Obra prima!
As carteiras foram reduzidas a apenas sete cadeiras de braço e prancheta, pois a garantia de matrículas atingiu a este número modesto: sete alunos.
E o professor de química?
O professor de química seria o Carlos Alberto que estava fazendo faculdade de farmácia, meu amigo e agora, novamente, irmão de minha namorada.
Após alguns meses sem pensar no “coração”, aconteceu...
Finalmente, eu e Tania, reatamos o namoro.
- Excerto de meu livro "Cheiros da Vida".
Nenhum comentário:
Postar um comentário