por José Carlos Coelho Leal

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

"CHEIROS DA VIDA" - Nº 41 - E O PROFESSOR DE QUÍMICA?

              
                         
          A idéia foi do Guido. Certamente mais uma de suas iniciativas visando ajudar a acabar, em definitivo, com o tabu que se transformara o vestibular para mim.
-         Vamos juntar os alunos que tu já tens angariar mais alguns e formar uma turminha para preparar para o vestibular.
-         Deixa ver se entendi. Você, Guido, está propondo uma sociedade para preparar candidatos ao vestibular de engenharia. É isso?
-         Exatamente.
-         Endoidou de vez!
-         Qual o problema?
-         Simplesmente eu sou um fracassado, um zero à esquerda tratando-se de vestibular.
-         Negativo. Teu problema é química. O resto tira de letra. Matemática então nem se fala haja vista o número de alunos que tens.
-         Muito bem. Afinal quem serão os professores? Onde serão dadas as aulas? E o dinheiro para montar o negócio?
-         Nós seremos os professores. Dividiremos as matérias: álgebra, geometria, analítica, trigonometria, descritiva, perspectiva e física.
-         Suponhamos que sim; e química?
-         Teremos que contratar alguém.
-         E o dinheiro?
-         Eu tenho alguns guardados. Você deve ter também, afinal teus alunos não são todos caloteiros, são?
-         Está tudo muito simples demais. A coisa não é bem assim.
-         Qualquer aperto recorremos ao papai.

          No início os planos foram ambiciosos: alugar uma sala, comprar carteiras, um belo quadro negro, talvez até contratar uma secretária para fazer as matrículas e organizar a parte administrativa da coisa.
          Consultamos os classificados dos jornais, visitamos um sem-número de salas, casa de móveis especializados, fizemos cálculos e mais cálculos.
          Finalmente o curso foi montado.
          A realidade foi bem mais modesta que os planos iniciais.
Logo de saída nada de secretária ou luxos semelhantes.
O grande detalhe: a sala de aula. Onde funcionaria nosso “promissor negócio”?
          Em mais um ato de desprendimento e carinho, Tininha e César cederam a sala lá de casa que se transformou da noite para um dia no mais novo curso vestibular da cidade.
          O quadro-negro nós mesmos o fabricamos. Pintamos uma placa de Duratex com uma tinta verde especial tomando-se o cuidado de dar um acabamento áspero. Algumas ripas de madeira de qualidade duvidosa formavam a moldura, esta, pintada com verniz de boneca.
          Buchas e parafusos completaram a montagem.
          Obra prima!
          As carteiras foram reduzidas a apenas sete cadeiras de braço e prancheta, pois a garantia de matrículas atingiu a este número modesto: sete alunos.
          E o professor de química?
          O professor de química seria o Carlos Alberto que estava fazendo faculdade de farmácia, meu amigo e agora, novamente, irmão de minha namorada.
         Após alguns meses sem pensar no “coração”, aconteceu...
         Finalmente, eu e Tania, reatamos o namoro.

         - Excerto de meu livro "Cheiros da Vida".




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