por José Carlos Coelho Leal

sábado, 20 de outubro de 2012

"CHEIROS DA VIDA" - nº 50 - A FAMÍLIA SABÓIA E SILVA

           

          
           O nome dele: Luiz José Sabóia e Silva. Aluno emérito do cursinho da casa de Dona Tininha. Classificado em primeiro lugar no vestibular de 1962.
          A bem da verdade o mérito era todo dele, brilhante aluno e dono uma simplicidade marcante que não bastava, no entanto, para esconder uma inteligência privilegiada.
           Seja como for Sabóia tornara-se meu amigo desde a Tijuca e, agora como colegas de faculdade nossos laços de amizade tenderiam fatalmente a apertarem-se.
          Sua família morava simultaneamente no Rio e em Petrópolis, onde Dr. Luis, seu pai, era engenheiro da Fábrica de Papel. Os fins de semana passavam em sua bela casa à rua Dr. Pereira dos Santos,  antiga Rua Anadia, juntinho à Praça Saens Peña.
          Considerando esse fato e a incomensurável boa vontade do Dr. Luis, minha carona nas segundas-feiras estava garantida e, pontualmente às 6 da manhã, partíamos para mais uma semana de labutas.
          No entanto havia em detalhe...
          O detalhe: o carro do Dr. Luis era um “Dauphine”, orgulho da indústria brasileira de então. Um carrinho compacto que na publicidade das revistas e da televisão aparecia saltando, com as rodas no ar e salientando os “40 HP de emoção”.
          Começou a fazer sucesso e agradar ao público. Mas não tinha no espaço interno e principalmente na durabilidade, seus pontos altos: logo ganhou, por ser frágil, o apelido de uma marca de leite em pó solúvel dos anos 60, o leite Glória. O slogan do produto, agora estendido pelo público ao “Dauphine” era: “Desmancha sem bater”...
          Pois neste carro seguíamos serra acima, cinco pessoas mais bagagem à farta. Valente o carro nunca falhou e assim, comecei a fazer preciosas amizades: Sabóia, seu pai, Dr. Luiz, Dona Léa, sua mãe e a irmã Luiza.
          Sem saber começava a ficar envolvido pelo acolhimento carinhoso daquela família e, sem modéstia, acho também que os cativara desde o primeiro dia de nosso encontro.
         Todas estas pessoas foram de suma importância em minha vida, principalmente durante os anos vividos em Petrópolis.
          No meu coração os guardarei para sempre.

          - Trecho do meu livro "Cheiros da Vida" escrito na Cidade de Arraial do Cabo ao longo do ano de 2001.



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