por José Carlos Coelho Leal

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

"CHEIROS DA VIDA" - Nº 42 - QUÍMICA: 4,1

                             

          No dia 7 de agosto de 1961, uma segunda-feira, aconteceu a aula-inaugural de nosso grande “empreendimento”.
          Presentes 4 alunos: Hélio Luiz, Luiz José, Luiz Edmundo e Pedro Manuel, o Pedrinho.
Hélio e Pedrinho, até então, eram meus alunos particulares; Luiz Edmundo antigo morador da vila e meu camarada desde pequenino. Apenas Luiz José era novo no grupo, ele que cursava o 3º Científico do Colégio São Bento e fora apresentado pelo Hélio Luiz. Este era o grupo inicial.
          Nos dias que se seguiram, matricularam-se: Eduardo Antônio, Gustavo, Amaury, Dalton e Lília.
          Numa época em que a inflação começava a destroçar todo o sistema financeiro do país, conseguimos manter a mensalidade em dois mil e quinhentos cruzeiros durante os meses de agosto, setembro e outubro.
          De novembro a janeiro, mês do vestibular a mensalidade cobrada foi de quatro mil cruzeiros.
Só para recordar: a inflação anual de 1960 foi de 30,6%, 47,7% em 1961 e 51,4% em 1962.
          Eu e meu aluno Luiz José passamos para a Faculdade de Engenharia da Universidade Católica de Petrópolis. Ele em 1° lugar, eu, em 14° para um total de 53 candidatos aprovados.
Minha nota em química? Ufa! Foi 4,1. Com menos de 4 seria reprovado novamente.
          Felizmente o pesadelo terminara.
          No vestibular seguinte, Hélio passou para engenharia da Universidade da Guanabara, Luiz Edmundo tornou-se meu colega em Petrópolis, Pedrinho ingressou na Nacional de Arquitetura e Amaury na engenharia da PUC do Rio. Não tive mais notícias dos demais.
          Com minha ida para Petrópolis dissolveu-se o curso.
          Consultando o fichário que guardo até hoje com carinho chego à conclusão que o curso rendeu exatos Cr$ 76.550,00, ou seja, setenta e seis mil e quinhentos e cinqüenta cruzeiros.
          Depois de consultar tabelas e mais tabelas, e fazer alguns cálculos sobre os quais não tenho a mínima confiança cheguei a um resultado, em moeda de hoje, equivalente a algo entorno de 14 mil Reais.
          Trabalhamos, Guido e eu, seis meses para ganhar 14 mil Reais...
          Enfim, valeu!

          - Trecho do meu livro  "Cheiros da Vida" escrito em Arraial do Cabo ao longo do ano de 2001, ano primeiro de Século XXI


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