Em 2001 já vivem em nosso planeta mais de 6,1 bilhões de pessoas.
Em 1961 éramos a metade.
O incremento da população mundial tem sofrido significativas alterações, causadas pela queda das taxas de natalidade, pelo aumento da expectativa de vida e pelas correntes migratórias em busca de melhores condições de sobrevivência e segurança pessoal.
Em alguns países do primeiro mundo tem ocorrido o risco de diminuição da população. A União Européia acaba de lançar campanha incentivando as mulheres dos 14 países do bloco a terem mais filhos.
Mas o importante é que após o término da Guerra Fria a situação mundial começou a mudar, principalmente agora com os ataques ao World Trade Center e ao Pentágono.
Pela primeira vez na história a mais poderosa nação do mundo viu-se diante de um oponente sem bandeira, território definido nem forças armadas organizadas. O terrorismo internacional marca o início de uma nova era. Diplomacia, conceitos de defesa e alianças internacionais terão que ser revistos.
O cenário do pós- Guerra Fria se caracteriza pela redução dos conflitos entre estados soberanos. Em contrapartida ampliam-se as guerras internas principalmente nos países do Leste Europeu e na África.
A conseqüência mais visível deste estado de coisas é o crescimento do número de refugiados que chega a 21,1 milhões no início deste 2001 e tende a crescer vertiginosamente nos próximos anos.
O mundo atônito vê a proliferação das guerrilhas sempre buscando financiamento para a luta armada no tráfico de drogas e pedras preciosas, só para citar dois exemplos.
Aqui mesmo na nossa América do Sul a Farc - Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia e o ELN - Exército de Libertação Nacional mantém um conflito financiado com recursos provenientes do tráfico de cocaína e de seqüestro de civis.
No Afeganistão, o governo do Talibã lança mão de um imposto de guerra cobrado dos plantadores e comerciantes de ópio e heroína.
Em Angola, Serra Leoa e República Democrática do Congo os diversos grupos rebeldes tem sua receita apoiada na venda de diamantes extraídos das minas que mantêm sob controle.
As armas sofisticadas são abandonadas são substituídas em larga escala pelas minas terrestres muito mais baratas – cada unidade custa entre 3 e 30 dólares. Sua larga disseminação pelo mundo criou nas zonas de guerra um pesadelo para as populações civis.
Estima-se que mais de 110 milhões dessas minas estejam espalhadas pelo solo do planeta principalmente na África (Angola, Egito, Moçambique, Somália, Sudão), na Europa (Bósnia-Herzegóvina, Croácia, Ucrânia) e Ásia (Irã, Iraque, Afeganistão, China, Camboja, Vietnã). Esses artefatos já mataram ou mutilaram mais de 1 milhão de pessoas.
Apesar do fim dos conflitos em muitas destas localidades estas minas ainda farão muitas vítimas por causa do alto custo de suas desativações algo próximo de mil dólares por unidade.
Mas por que todas essas coisas vêm à minha cabeça?
Recordo de minha vila, de minha infância. Vou ao encontro de meus amigos refugiados que em bom número dividiam conosco aquele convívio saudável. Todos muito bem recebidos em nossa terra. Recordo-me dos meus companheiros Arne, Birgitt, Tatiana, Christel.
Crescemos juntos e juntos, sem querer, mostramos ao mundo que o ser humano é uma obra mágica da criação. Como crianças pouco importavam nossas origens diversas, valíamos pelo companheirismo e amizade que cultivávamos no dia a dia.
- Trecho do livro "Cheiros da Vida" escit em Arraial do Cabo ao longo do ano de 2001.
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