O mundo vê com certa angústia e perplexidade a supremacia cada vez maior dos Estados Unidos sobre as demais nações do mundo.
A vitória discutível, para não dizer imoral, de George W. Bush nas últimas eleições presidenciais deu à direita americana um poder jamais imaginado. Seu domínio político e econômico não deixa a salvo nenhuma soberania.
No entanto, as coisas nem sempre foram assim, pelo menos naqueles primeiros anos da década de sessenta.
A Guerra Fria envolvia num duelo surdo pela supremacia econômica e política do mundo, Estados Unidos e União Soviética que, a bem da verdade, levava confortável vantagem na disputa.
O Muro de Berlim, a aproximação de Cuba à órbita comunista e, sobretudo a imensa desvantagem na corrida espacial deixava a América do Norte numa posição desfavorável onde todo esforço nacional deveria ser concentrado em superar obstáculos de monta.
“Eu vejo a Terra. Ela é azul”. Depois de 108 minutos a nave Vostok I completava uma volta de 40 mil quilômetros a uma velocidade de 28.800 km/h ao redor do globo e pousava tranqüilamente. “Eu vejo a Terra. Ela é azul” disse emocionado Yuri Gagarin, o herói da humanidade naqueles dias de abril de 1961.
Finalmente fora colocada na órbita circunterrestre a primeira nave-satélite pilotada e o astronauta, palavra que começava a tomar forma nos dicionários de todo o mundo, era um cidadão soviético.
Meu pai ficou seriamente preocupado, afinal era uma vitória do regime da “cortina de ferro” e para ele, assim como para a maioria da classe média brasileira isso não era bom. Eu também pensava assim.
O Presidente Kennedy convocou a nação e toda comunidade científica do país para tarefa de recuperar o terreno perdido e alcançar a lua antes do final da década. Um sonho!
Interessante. Em 1870 após publicar o livro “Da Terra à Lua”, o famoso escritor francês Júlio Verne afirmou que não passaria um século antes que o homem de carne e osso repetisse a formidável façanha conseguida por seus personagens: a conquista da lua.
Nosso mago errou por apenas um ano: em 20 de julho de 1969 o Módulo Lunar Águia, da nave Apollo 11, pousava suavemente no mar da Tranqüilidade. Neil Armstrong deu fim à corrida espacial entrando solenemente para a história do Século XX.
“Um pequeno passo para o homem, mas um grande passo para a Humanidade”, exclamou Armstrong. Um passo que até o hoje os Estados Unidos não completou...
Acabou-se a Guerra Fria, a União Soviética desintegrou-se até a história foi dita como finda.
A Humanidade entre preocupada, humilhada e até certo ponto inerte rende, desde então, vassalagem aos novos donos de seus destinos.
Até quando?
- Trecho do livro Cheiros da Vida escrito em Arraial do Cabo em 2001
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