As coisas estavam indo bem. Vez por outra enfrentava as gozações dos amigos: “criando a ‘menina’, hem? Dá-lhe ‘maroto’! É bom comprar um bom estoque de fraldinhas...”.
Ou então: “toma juízo, a garota não tem nem quinze aninhos...”.
De certo se referiam ao tipo físico da Tânia que aparentava ter menos idade que a real. Mas eu, que convivia com ela, sabia de sua maturidade, se bem que às vezes muito tímida outras, meio que desconfiada e quase sempre com um entusiasmo menor do que eu esperava, me deixava bastante confuso, e para que não dizer, nos maus dias, decepcionado...
Nada, no entanto alterava meus sentimentos. Seria amor aquilo que dia-a-dia crescia no meu íntimo?
Finalmente minha namorada fez 15 anos. Abriram-se os portões da Morais e Silva 19 para uma grande festa e eu, orgulhosamente, dancei a valsa dos seus quinze anos – Valsa do Imperador – diante dos olhos indagativos de familiares e convidados, e quentes de amizade de meus escolhidos colegas de colégio e amigos, principalmente a “turma” do Saboialima Clube.
Depois da festa, as gozações mudaram.
- Estás criando a “menina” para dar o “golpe do baú”!
- Vai ser “dono” de laboratório? “Garoto cara-de-pau”, não
respeita nem o colega de turma!
- Com um “sogrinho” assim, até eu... - diziam os mais “folgadinhos”.
Realmente, o Dr. Mário, pai da Tânia, era dono do Laboratório Giffoni, o que, já naquela época, não significava tanta coisa assim, tal a invasão das multinacionais no mercado farmacêutico.
Na verdade, com a convivência que mantinha com a família há algum tempo, era testemunha das dificuldades que enfrentava o Dr. Mário para levar a bom termo seus empreendimentos, sobretudo considerando a seriedade com que conduzia seus negócios.
Com o transcorrer dos anos aprendi a respeitar a figura singular cheia de humanismo, Dr. Mário, ou melhor, o “sogrinho” como diziam meus amigos apressados.
Abaixo foto de Tania na festa dos seus "Quinze Anos"

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