Apesar do pouco tempo que sobrava, não descuidava em tomar conhecimento das coisas que aconteciam pelo Brasil e pelo mundo. Afinal, meu estágio como jornalista estudantil deu-me certo faro para reconhecer os fatos importantes.
Em vista disto, cheguei muito a questionar a profissão a seguir.
Seria mesmo engenharia? Não seria influência de meu irmão? Do meu avô?
Pensando bem, não me lembro quando criança de me imaginar engenheiro. Muito brinquei de médico e professor, também dentista, oficial de marinha, motorista de ônibus, jornalista e jornaleiro, motorneiro e até arquiteto, rabiscando com régua e compasso plantas de casas, escolas e cinemas...
Mas engenheiro?
Nunca!
Por que não jornalista?...
Achava a profissão meio “quixotesca”, possivelmente mal remunerada. E mais, provavelmente meu temperamento sabidamente passional, não contribuiria para a imparcialidade que imaginava ser fundamental para um jornalista de valor.
De todo modo, refleti muito sobre o assunto, chegando mesmo a conversar com papai a respeito, que não viu esta possível opção com entusiasmo dizendo, no entanto, que apoiaria minha decisão.
Agora, nova dúvida.
Com o sucesso inicial, passei a cogitar que talvez o magistério fosse minha vocação.
Afinal seriam menos anos de faculdade, sem a detestável “química”, e havia ainda a possibilidade imediata de ir ganhando meu dinheirinho com minhas aulas particulares.
Meu sonho, então, era ser professor de curso vestibular, onde estavam os mais bem remunerados profissionais da área.
Pensei muito, mas, provisoriamente, passei uma borracha em tudo e continuei meu curso vestibular para engenharia. Até “segunda- ordem”, serei engenheiro.
Mas, como estava o mundo naquele final de década?
O ano de 1959 começou com os rebeldes comandados por Fidel Castro apeando do poder, em Cuba, o ditador Fulgencio Batista. Os integrantes do exército regular que tentaram deter o avanço dos insurgentes foram fuzilados em massa.
Em maio, Castro visita o Brasil e em 10 de junho, Cuba e Estados Unidos rompem relações diplomáticas. Começava um drama que até hoje não tem hora prevista para acabar...
No Brasil, o sorriso otimista de Juscelino rendia dividendos para o povo. Além de campeão mundial de futebol, sonho frustado desde 1930, o Brasil torna-se também campeão mundial de basquete, vencendo inclusive os inventores do esporte, os norte-americanos. A tenista Maria Ester Bueno sagra-se campeã em Wimbledon e Forest Hills; no atletismo Ademar Ferreira da Silva continuava recordista mundial no salto-triplo.
Na música, as coisas andaram tristes. No Brasil, morre Villa-Lobos e nos Estados Unidos, Billie Holiday.
Na política, os paulistas sufragam nas eleições municipais de 3 de outubro, o rinoceronte Cacareco, com mais de 100 mil votos para vereador...
- Trecho de meu livro "Cheiros da Vida" escrito ao longo de 2001 em Arraial do Cabo..
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