“Chorar, como eu chorei
Ninguém deve chorar
Amar, como eu amei
Ninguém deve amar.
Chorava que dava pena
Por amor à Madalena;
E ela, me abandonou,
Diminuindo no jardim
Uma linda flor”.
Nem parece. Esta, no entanto, é a letra de um samba dos carnavais da minha adolescência. Carnavais onde o lança-perfume, por exemplo, nem de longe era proibido. Apenas deslizava no ar o rasto de seu aroma de conquista e felicidade.
De quando em quando, irremediavelmente atingida pelo jato gélido de nosso “lança”, a menina dos nossos sonhos declamava, aos arrepios, um “ai”, tão poético e avassalador, que enchendo-nos de paixão, deixava-nos enamorados pelo menos à espera do footing seguinte, do próximo baile ou até, quem sabe, do vindouro carnaval.
Confetes e serpentinas eram testemunhas emudecidas da nossa “brincadeira”. Com elas brincávamos o carnaval e com elas dividíamos nossos fracassos ou sucessos.
Muitas vezes dormitando descuidado nos fundos de uma gaveta pouco usada, um solitário confete, azul, amarelo, verde ou rosa, não importa nos surpreendia com sua solidão irremediável arrancando de nossos olhos uma lágrima de gostosa saudade.
- ^Crônica extraida de meu livro "Cheiros da Vida" escrito em 2001
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