por José Carlos Coelho Leal

segunda-feira, 30 de julho de 2012

"CHEIROS DA VIDA" - 11 - O PROFESSOR

          
           E agora! Um ano perdido!
           - Levanta cabeça, “coloca o rabinho entre as pernas” e toca para frente – dizia, repetidamente, mamãe.
           O que me deixava louco é que me dava bem em álgebra e analítica, em trigonometria e geometria, em desenho, respectivamente primeira, segunda e terceira provas em cada uma das faculdades.
           Daí para frente, vinha a catástrofe: ou física, ou química, principalmente esta, a grande vilã de minha história. Quando não era uma era a outra a complicar minha vida.
           Nova matrícula no C.O.S. (curso vestibular), mais despesa para papai...
           Precisava dar uma virada na minha vida e, sobretudo começar a ganhar algum dinheiro.
           Comecei a dar aulas particulares de matemática.
           Em pouco tempo já tinha uma pequena coleção de alunos.
            Recebia elogios, principalmente vindos dos pais, que felizmente, talvez pelo agrado do serviço recebido, pagavam religiosamente em dia.
           Isso bastou para convencer-me; eu era um bom professor, e meio que “metido a besta” comecei paulatinamente a aumentar o custo dos serviços, alegando petulantemente que não tinha mais horários, o que não era de todo mentira...
           Procurando tirar-me da “fossa” inicial, tão logo recebera os resultados das provas, Guido me convidara, para em tempo parcial, trabalhar como auxiliar dele nas obras que conduzia para sua firma a Severo e Vilares.
           Primeiro serviço, obra na Rua Campos Sales, 166.
           Realmente não havia grande disponibilidade de horários. Pela manhã a Severo, à tarde o “cursinho” e, à noite, aulas particulares.
           Pouco tempo sobrava para estudar e praticamente nenhum para diversão. Mas era isso que eu queria, pois tinha de recuperar o tempo perdido e fazer um “pé de meia”, afinal estava namorando “firme” e em breve iria querer casar...

           - Excerto de meu livro "Cheiros da Vida" escrito ao lonngo do ano de 2001



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