Li em algum lugar que o mundo experimentaria nos cinco primeiros anos de Século XXI, progresso tecnológico equivalente aquele acontecido ao longo das três últimas décadas do século passado.
A nota nada falava sobre o progresso social da humanidade nesse novo período.
Por coincidência, dias depois, devido a essa mania muito minha de guardar revistas e periódicos antigos, caiu-me às mãos uma revista “Seleções” do Reader’s Digest de fevereiro de 1962, onde em artigo assinado por tal de Robert O’Brien constavam algumas ponderações de como será “Daqui a Quarenta Anos”, este era o nome do artigo.
Humildemente, começava o seu relato afirmando: “Nin guém poderá responder com certeza. Mas certos atributos da vida no ano 2002 – bem como muitos problemas que nos desafiarão – já começam a despontar no horizonte. Outros podemos apenas adivinhar: eles serão moldados por decisões ainda não tomadas, pelas lutas que ainda não aconteceram”.
E como aconteceram... Um ano antes da publicação desse artigo, em dezembro de 1960, no Vietnã do Norte, era constituída a FNL, Frente Nacional de Libertação que junto com o Exército Vieticongue, ambos comunistas, preparavam uma reação contra a intervenção norte-americana no Vietnã do Sul que apoiava Ngo Dinh Diem.
Eram os primeiros passos para a Guerra do Vietnã que só terminaria em 30 de abril de 1975 com o rendimento incondicional do general Duong Van Minh ao vietcongue. Em síntese, a derrota norte-americana custaria à vida de 45.941 de seus soldados, mais de 300.000 feridos e uma imensa legião de neuróticos e psicopatas.
Depois e paralelamente, viriam as guerras do Camboja, do Líbano, do Irã, do Iraque, e muitas outras. Nunca mais se experimentou a paz, o que confirma o conflito Árabe-Israelense, sem fim previsível.
Mas voltemos ao artigo supracitado que entre outras coisas previa:
“O operário trabalhará em média 28 horas por semana e terá fins-de-semana de três dias;
Por volta de 2002 teremos controlado a fusão termonuclear, a força cataclísmica da bomba de hidrogênio. Se assim for, poderemos “queimar o mar”, uma fonte de energia para muitos e muitos milhares de anos;
A congestão do tráfego urbano será aliviada por monocarris de alta velocidade, passando a 30 metros acima das ruas;
Os caminhões serão objetos de museu; é provável que os abastecimentos e as cargas atravessem o país em tubos pneumáticos, com controles eletrônicos que guiem os diversos embarques através do sistema para seus destinos.
O transporte pessoal? Prevêem-se carros silenciosos, sem descarga, impulsionados por pilhas de combustível elétrico. Para viagens curtas na cidade, poderemos amarrar no corpo um cinturão-foguete... e pular;
Na área central das cidades será eliminado o tráfego de veículos. Esteiras transportadoras subterrâneas abastecerão a cidade e farão todos seus transportes de cargas;
Satélites artificiais servirão de estações de relê, permitindo sistemas globais de televisão e telefonia;
Por volta de 2002, dizem os pesquisadores, as vitórias sobre o resfriado comum e outras infecções da região superior do aparelho respiratório farão parte da história da medicina;
Daqui a cinco breves anos três norte-americanos circundarão a lua e voltarão a terra e, antes de 1970 homens irão desembarcar lá e andarão na superfície lunar;
O homem terá conquistado o especo exterior. “O uso que fará dessa grande oportunidade – para o bem ou para o mal – só a passagem dos anos poderá revelar”.
No caso do Brasil, o autor era coadjuvado pelo professor Pimentel Gomes, livre-docente do Colégio Pedro II engenheiro-agrônomo, e articulista do finado jornal “Correio da Manhã”.
Lamentavelmente os acertos do nosso professor não foram assim, infelizmente, expressivos. Escrevia então o nosso estimado lente:
“No fim do Século XX o Brasil terá aproximadamente 125 milhões de habitantes;
Será uma das cinco superpotências mundiais. As outras serão os Estados Unidos, a União Soviética, a China e possivelmente a Índia, se conseguir vencer uma tantas dificuldades;
A Amazônia com seus problemas solucionados pela técnica estará em pleno desenvolvimento;
As terras irrigadas pelo São Francisco terão criado um novo Egito em glebas de Pernambuco, Bahia, Alagoas e Sergipe. Haverá uma grande produção de uvas de mesa, passas, figos e vinhos, além de gigantescos centros industriais;
As bacias dos grandes rios estarão interligadas pelas águas internas; navios saídos de São Paulo atingirão Porto Alegre, Cuiabá e Manaus;
O Brasil será de fato uma superpotência”.
Acho que não há necessidade de comentários. Cada leitor fará sua análise avaliando tudo que foi previsto.
Ia me esquecendo: a população do Brasil ao final do Século XX era de 166 milhões de habitantes.
- Excerto do luvro "Cheiros da Vida" escrito ao longo do ano
de 2001.
de 2001.
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