por José Carlos Coelho Leal

segunda-feira, 19 de março de 2012

1 - DESALENTO

É, passaram-se cinquenta e oito anos.
Hoje sou obrigado a concluir: foi tudo muito rápido.
        Ontem, os primeiros sonhos, os planos longamente pensados, as duras conquistas saboreadas como definitivas.
        Hoje, o tédio, a repetição monótona de dias sem novidades, a falta de objetivos a serem atingidos, enfim, a obrigação de manter viva a vontade de ainda plantar, construir, progredir.
         Será exagero?
Talvez, mas a verdade é que o meu espírito, no estado atual, sente assim. Isso passa - dizem os mais chegados - coisa do momento, resultado da crise deste mundo globalizado que vai globalizando até nossos sentimentos, nivelando quase sempre por baixo nossas sensações do dia a dia.
         Ontem era só otimismo.  A convicção de conseguir vencer dava uma força quase infinita. E as vitórias vinham acontecendo, uma a uma, apesar de tudo e além de tudo. Era só entusiasmo, esperança, certeza.        
         Meus vinte e poucos anos: fase difícil, brigada, suada, mas muito saborosa pelas conquistas alcançadas que foram muitas. Cada novo dia era esperado com as mesmas ansiedades que precedem as batalhas, as vitórias.       
         Depois os anos foram passando e as coisas parecendo, cada vez mais, tornarem-se banais, óbvias, sem tempero.
         Desalento!
         Será que isto acontece com todo mundo?
         Preciso urgentemente chegar a uma conclusão. O que está havendo? O que houve? Onde, quando e por que aconteceu?
 Anseio por uma resposta.
         A explicação deve estar em algum lugar e, para encontrá-la, só há um jeito: analisar tudo que passou, em busca da chave deste enigma. 
         Tarefa árdua.
 Deve haver um ponto de partida.
         Rememorar a minha história, do meu bairro, minha cidade e se possível, do país e do mundo em que vivi talvez seja um bom caminho. Vamos ver se consigo contá-las desde o comecinho, lá para os idos de l939.
         Puxa, parece longe... Mas vou tentar.
         Ao final, terei elucidado a charada!
         Ou não?...

OBS: Esse texto é fragmento do meu livro "Cheiro de Verão" - escrito em 1997.

Um comentário:

  1. Pai...espero que dessa vez o meu comentario seja recebido, pois estou lendo novamente capitulo por capitulo e muito orgulhosa de ter em minhas mãos uma obra prima escrita com tanta sensibilidade e entrega e que é um deleite pra todos aqueles que leem. Beijo com muito carinho de sua filha que TE AMA DEMAIS DA CONTA. Claudia Leal

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