por José Carlos Coelho Leal

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

'CHEIROS DA VIDA" - nº 64 -A "O OPEA""


                                        


          “O futuro do planeta e a sobrevivência da sociedade dependem do que fazemos no presente”.
Este é o fecho do documento chamado Carta de Petrópolis decorrente do 4º Encontro Nacional do Movimento de Cidadania pelas Águas que aconteceu agora no passado mês de março.
          Torna-se cada vez mais irritantemente evidente que a poluição produzida nos rios deriva substancialmente da utilização de agrotóxicos nas plantações, agentes químicos responsáveis pela degradação ambiental e que são impostos para consumo do Terceiro Mundo por poderosos grupos transnacionais.
          Possivelmente a água estará para o século XXI como o petróleo esteve para o século XX.
          Apesar de a terra ser chamada por alguns de Planeta Água o modelo de sua distribuição no globo terrestre é bem preocupante principalmente considerando a pouca importância dada pelos governantes a essa problemática.
          A distribuição da água no globo terrestre obedece ao seguinte modelo: 97,5% de água salgada dos mares e oceanos; 2,493%  na forma sólida em geleiras ou aquíferos em regiões subterrâneas de difícil acesso; 0,007%, finalmente, é água doce encontrada nos rios, lagos sendo a única apta ao consumo humano.
          A ONU adverte, por sua vez: nos próximos vinte e cinco anos nada menos de 2,8 bilhões de pessoas poderão viver em regiões marcadas pela sede crônica, considerando, sobretudo que quase todos os nossos cem mil cursos d'água estão afetados por alguma forma de poluição.
          O Brasil detém quase 20% da reservas de água doce mundial e dizem alguns já deveria estar pensando na criação de uma Organização dos Países Exportadores de Água (Opea) nos mesmos moldes da Opep, pois fica evidente que a água será a grande riqueza do século XXI.
          Outro dado impressionante: uma pessoa consome, em média, 150 litros de água por dia. Já para produzir um quilo de alumínio se consome 1.300 litros e para gerar um quilo de carne bovina são necessários 18 mil litros de água doce.
          Esperemos que as autoridades brasileiras despertem para essa problemática.


         - Trecho de meu livro "Cheiros da Vida" escrito em Arraial do Cabo em 2002 (parte)





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