Época maravilhosa aquela
quando às segundas-feiras as aulas eram no Rio.
Petrópolis só na terça.
Eram aulas práticas de
Tecnologia Mecânica ministradas nos laboratórios da Escola Técnica Nacional,
juntinho do Maracanã. Aulas de torno, fresa e demais máquinas-ferramenta. Hora de colocar a mão na
massa e fabricar peças previamente desenhadas nas aulas teóricas e onde a
precisão milimétrica era fundamental.
Talvez a motivação principal
fosse o professor, a figura sensacional de Miguel de Assis Vieira.
Achava até que eu poderia dar para a coisa.
Achava até que eu poderia dar para a coisa.
Em compensação aos sábados
permanecíamos em Petrópolis até o fim da tarde. Pela manhã 4 horas de Geometria
Descritiva e, à tarde, mais 4 horas de Mecânica Racional.
Saíamos de Petrópolis já com
noite fechada, quase sempre acompanhados do tradicional “ruço” da serra e,
muito amiúde, absorvendo um frio de “bater-queixo”.
Nas semanas em que o
Fernando estava a fim de estudar tinha carona garantida apesar de não raramente
eu ficar muito chateado com meu amigo. O “cara” saía completamente
do seu itinerário, o “bandido” morava em Botafogo, o que me deixava
sinceramente penhorado.
O problema é que depois de percorrer mais de100
quilômetros , ao invés de deixar-me na porta de casa,
deixava-me a cerca de cem metros do meu destino, na esquina das ruas José
Higino e Conde de Bonfim.
O problema é que depois de percorrer mais de
-
Puxa Fernando! Não dá para dar uma subidinha até minha
casa. Nem cem metros.
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Complica muito meu itinerário.
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Complica nada. Você até corta caminho...
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Uma ladeirinha faz bem para a saúde.
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Estou cheio de bagagem.
-
Fortalece os braços.
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Legal! Semana que vem desço de ônibus.
-
“Lelê”! Você não vive sem mim.
Na semana seguinte
repetia-se a mesma cena.
- Trecho de meu livro "Cheiros da Vida" escrito em Arraial do Cabo ao longo do ano de 2001.
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