por José Carlos Coelho Leal

sábado, 17 de novembro de 2012

"CHEIROS DA VIDA" - nº 62 - O PENSAMENTO E A AÇÃO


                        
           Na terça-feira nem fui à faculdade. Minha principal preocupação era arranjar uma sala o mais rapidamente possível. No meu íntimo dois pensamentos diversos.
          O primeiro: até quando você vai acreditar nas pessoas sem pestanejar?
          O segundo: é hora de “mandar brasa”, ampliar o curso e ganhar dinheiro como “gente grande”.
          Na negociação com o Almirante, tanto eu quanto o “panaca” do meu sócio, não exigimos nenhum documento, acreditamos em tudo que ele disse e assumimos um compromisso no escuro.
Infantil nossa atitude.
           Mal sabia eu que pela vida afora repetiria várias vezes tal procedimento acreditando ser sempre a última vez.
           De resto outra verdade me seguiu por toda a vida. Praticamente em todas as ocasiões dei a “volta por cima” e, sempre para melhor.
           O “Curso Pio XII” já tinha dado o que podia. Agora era dar o passo seguinte.
           Ao entrar no primeiro corretor de imóveis minha visão do problema já era outra. Não queria alugar uma sala e sim um grupo de salas.
           Infrutífero aquele dia.
           Vi muitas salas, grupos de salas e até casas. Ou não prestavam, ou estavam longe do centro.
           Nosso novo curso deveria estar localizado no centro, preferencialmente numa transversal à Avenida XV de Novembro e, perto dos colégios, principalmente do Werneck e do Ginásio Estadual Washington Luiz.
           Após as aulas surgia sempre um papinho de fim-de-noite com um grupinho de alunos mais chegados.
           Naquela terça-feira, apesar do cansaço e da preocupação que faziam minha cabeça quase estourar, não foi diferente.
           Acabei falando de parte do problema que, na verdade veria depois, seria a solução.
-         Estamos pensando em expandir o curso - deixei escapar.
-         Como assim?
-         René você não acha que esta sala já está muito apertada?
-         Depende...
-         Queremos um grupo de salas se possível aqui perto e mais próximo aos colégios.
-         É por isso que eu perguntei, pois acho que posso ajudar – disse o René já demonstrando um entusiasmo pelo negócio, não contrariando seu sangue libanês.
-         Como assim?
-         Tenho um primo arquiteto que está com um grupo de salas para alugar na rua Barão de Tefé.
-         É verdade?
-         Preenche tudo o que você quer: no centro, transversal e entre os dois maiores colégios. Ainda, perto da Companhia Telefônica e das Lojas Americanas, Dois lugares bem movimentados e frequentados em números expressivos pela juventude petropolitana.
-         E como eu falo com ele?
-         Quando a gente descer vamos até o boteco tomar um café. Aproveito para ligar para ele e marcar um encontro para amanhã.
-         É pra já!


- Trecho do meu livro "Cheiros da Vida" escrito em 2002 (parte)









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