Na terça-feira nem fui à
faculdade. Minha principal preocupação era arranjar uma sala o mais rapidamente
possível. No meu íntimo dois pensamentos diversos.
O primeiro: até quando você
vai acreditar nas pessoas sem pestanejar?
O segundo: é hora de “mandar
brasa”, ampliar o curso e ganhar dinheiro como “gente grande”.
Na negociação com o
Almirante, tanto eu quanto o “panaca” do meu sócio, não exigimos nenhum
documento, acreditamos em tudo que ele disse e assumimos um compromisso no
escuro.
Infantil nossa atitude.
Mal sabia eu que pela vida
afora repetiria várias vezes tal procedimento acreditando ser sempre a última
vez.
De resto outra verdade
me seguiu por toda a vida. Praticamente em todas as ocasiões dei a “volta por
cima” e, sempre para melhor.
O “Curso Pio XII” já tinha
dado o que podia. Agora era dar o passo seguinte.
Ao entrar no primeiro
corretor de imóveis minha visão do problema já era outra. Não queria alugar uma
sala e sim um grupo de salas.
Infrutífero aquele dia.
Vi muitas salas, grupos de
salas e até casas. Ou não prestavam, ou estavam longe do centro.
Nosso novo curso deveria
estar localizado no centro, preferencialmente numa transversal à Avenida XV de
Novembro e, perto dos colégios, principalmente do Werneck e do Ginásio Estadual
Washington Luiz.
Após as aulas surgia sempre um papinho de fim-de-noite com um grupinho de alunos mais chegados.
Naquela terça-feira, apesar do cansaço e da preocupação que faziam minha cabeça quase estourar, não foi diferente.
Acabei falando de parte do problema que, na verdade veria depois, seria a solução.
Após as aulas surgia sempre um papinho de fim-de-noite com um grupinho de alunos mais chegados.
Naquela terça-feira, apesar do cansaço e da preocupação que faziam minha cabeça quase estourar, não foi diferente.
Acabei falando de parte do problema que, na verdade veria depois, seria a solução.
-
Estamos pensando em expandir o curso - deixei escapar.
-
Como assim?
-
René você não acha que esta sala já está muito
apertada?
-
Depende...
-
Queremos um grupo de salas se possível aqui perto e
mais próximo aos colégios.
-
É por isso que eu perguntei, pois acho que posso ajudar
– disse o René já demonstrando um entusiasmo pelo negócio, não contrariando seu
sangue libanês.
-
Como assim?
-
Tenho um primo arquiteto que está com um grupo de salas
para alugar na rua Barão de Tefé.
-
É verdade?
-
Preenche tudo o que você quer: no centro, transversal e
entre os dois maiores colégios. Ainda, perto da Companhia Telefônica e das Lojas Americanas, Dois lugares bem movimentados e frequentados em números expressivos pela juventude petropolitana.
-
E como eu falo com ele?
-
Quando a gente descer vamos até o boteco tomar um café.
Aproveito para ligar para ele e marcar um encontro para amanhã.
-
É pra já!
- Trecho do meu livro "Cheiros da Vida" escrito em 2002 (parte)
- Trecho do meu livro "Cheiros da Vida" escrito em 2002 (parte)
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