Após a fracassada invasão na
Baía dos Porcos promovida pela CIA, Cuba definitivamente optava pela União
Soviética com Fidel Castro declarando a ilha um Estado Socialista adotando em
definitivo o marxismo-leninismo.
Ainda em outubro daquele ano
de 1962 diante da descoberta de que mísseis soviéticos estavam sendo instalados
em Cuba, os Estados Unidos bloquearam a ilha e se preparavam para uma invasão
quando a União Soviética retirou os armamentos e o bloqueio foi cancelado.
O mundo mais uma vez
livrara-se de um conflito de conseqüências inimagináveis para a humanidade.
Enquanto os Beatles gravavam
seu primeiro compacto, Love me Do e P.S.
I Love you, a dupla Vinícius e Tom compunha Garota de Ipanema abrindo as
portas do Carnegie Hall, de Nova York, para apresentar à cena mundial os
principais nomes da bossa-nova.
Sérgio Porto que criara o
personagem Stanislaw Ponte Preta inspirado no Serafim Ponte Grade de Oswald de
Andrade era o grande humorista do momento e fazia sucesso com seu livro “Tia
Zulmira e Eu”.
Stan, o sobrinho da
“veneranda Zulmira” criara um vocabulário próprio que logo se incorporou ao
linguajar carioca como: “bossa nova”, “teatro rebolado”, “sente o drama”, “vou
te contar” e muito mais.
Leon Eliachar, outro
humorista da época dizia: “há duas espécies de humor – o trágico e o cômico. O
trágico é o que não consegue fazer rir; o cômico e o que é verdadeiramente trágico
para se fazer”.
A intelectualidade moderna e
requintada adotava a revista “Senhor” como seu órgão oficial. Nela encontravam
as fotos das “musas” do momento, a decoração no estilo barroco mineiro, afinal
“não há nada mais moderno que um móvel antigo” e ainda os anúncios
“inteligentes, malucos e arrojados”.
Nas páginas de “Senhor”
estavam presentes os universos de concreto e vidro de Niemeyer e Sérgio
Bernardes, os sofás de couro de Sérgio Rodrigues, e as opiniões dos playboys que freqüentavam o Zum-Zum, o
Jirau e o Black Horse.
“O Cruzeiro” publicava:
“Quando Jaqueline Kennedy, pela manhã, pergunta ao seu espelho mágico ‘Qual a
mais linda primeira dama na face da terra? ’, já não está certa de ouvir
unicamente o seu próprio nome”.
O fato é que Maria Teresa
Fontelle Goulart, mulher do presidente João Goulart, tornara-se, aos 23 anos, a
mais jovem, a mais elegante e, seguramente a mais bonita primeira dama do
Brasil em todos os tempos.
Juca Chaves satirizava:
“Dona Maria Teresa/ Diga a seu Jango Goulart/ Que a vida está uma tristeza,/
Que a fome está de amargar...”. Maria Teresa jamais se interessou por política.
O primeiro e último comício que participaria seria em 13 de março de 1964, no ocaso
do governo Goulart.
] - Trecho do meu livro "Cheiros da Vida" escrito em Arraial do Cabo em 2001.
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