por José Carlos Coelho Leal

sábado, 11 de agosto de 2012

"CHEIROS DA VIDA" - 18 - O APAGÃO

                                               
           O Governo já dera um sinal de grande incompetência, quando entre janeiro e março de 2001 deixara recrudescer a crise da dengue, sendo que em São Paulo o número de casos foi maior que a média dos últimos 10 anos. A febre amarela também ameaçou voltar.
           Mas o pior estaria por vir.
           No final de abril, por total falta de planejamento e desrespeito à coisa pública, o Presidente Fernando Henrique descobriu o que todo brasileiro já sabia: o país estava à beira de um colapso energético.
           Por ironia, em fevereiro de 1991 o então senador Fernando Henrique fez aprovar no senado um projeto de política energética, cujo parecer final, por ele assinado enfatizava: “ ... não elimina as necessidades de investimento em expansão, para atender à demanda futura, o que é óbvio.”. Este projeto dormita nos escaninhos da Câmara dos Deputados há oito anos...
           Apesar das privatizações e das tarifas terem subido nos últimos cinco anos 99,7% contra 48,1% de inflação, chegamos, literalmente, ao fundo do poço.
           Na verdade o governo optou por cortes sucessivos nos orçamentos das estatais responsáveis pela geração e transmissão de energia, para cumprir metas impostas pelo Fundo Monetário Internacional.
           Em vista disso, o ministro Malan vetou um projeto de um bilhão de reais para construir uma linha de transmissão ligando a região Norte ao Sul do país. Caso esta linha estivesse em funcionamento, pouparia ao país, os 3 bilhões de dólares, valor que o governo estima perder com a redução da receita de impostos em face da crise.
           O festival de barbeiragem chegou a tal ponto que o racionamento foi decretado até 2002, provocando uma freada na economia e desemprego geral, atingindo em cheio a popularidade de FHC.
           Era o “apagão”!
           Foi o que aconteceu comigo naquele ano de 1959 já passado do meio. De repente, o mundo desmoronou...
           Tive meu “apagão” particular.
           Sem mais, nem menos, Tania comunicou que nosso namoro devia terminar.
           Fiquei zonzo...
           Os argumentos... Para que servem os argumentos numa hora dessas?
           - Esse negócio de namoro sério, sufoca a gente. Estou muito nova, preciso sair com mais liberdade, ir às festas, conhecer mais pessoas, viver...
           - Quer dizer que perto de mim você não vive?
           - Não é bem assim...
           - É bem assim, sim senhora. Pois quando estou com você isto me basta, seja numa festa, num passeio, ou então quando estamos como agora, aqui na varanda de sua casa. Só nós dois.
           - Não é bem assim...
           Confesso que não ouvi mais seus argumentos. Uma dor muito forte massacrava o coração.
           Afinal, tinha feito muitos planos e lutava por eles como há muito não fazia. O futuro para mim só teria sentido junto dela e de repente o chão desaparecia debaixo dos meus pés.
           Como me despedi, não lembro; apenas no meio da conversa, afirmei:
           - Não vou desistir. Começamos a namorar num dia 20. Pois bem, todo dia 20, às oito horas da noite, telefonarei para você. Pelo menos nesse dia você irá lembrar de mim. Um dia quem sabe...
           Veio lá do fundo da alma, e não pude resistir ao desabafo e, profetizei:              
           - Você vai ser minha mulher! Quanto a isso, não tenho dúvidas!
            Só mesmo um cara muito apaixonado faria isso.
           Meu lado racional alertava: ridículo!
           Dúvidas? As tinha a mancheias...

           - Excerto de meu livro "Cheiros da Vida" escrito ao longo do ano de 2001 em Arraial do Cabo. 





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