por José Carlos Coelho Leal

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

"CHEIROS DA VIDA" - 17 - MERGULHO DE CABEÇA

                               
           - Leal, Tité está nos convidando para assistir um concerto no Municipal, quarta-feira.
           - Quarta, à noite? Vai ser uma correria...
           - E de terno!
           - Claro Tania! Guido tem uma assinatura da Orquestra Sinfônica Brasileira. Vez por outra ele não pode ir a um concerto. Então, boto meu terninho e lá vou eu...
           Era assim e ainda seria por muito tempo: concerto no Municipal, só com traje “passeio completo”.
           Foi gostoso ir ao teatro com a minha namorada. A primeira vez.
           Desagradável, foi a volta.
           Nas ruas precariamente iluminadas do Rio de então, assolado que fora por várias crises de energia elétrica, Tité procurava levar em segurança seu DKW evidentemente sem contar com a colaboração dos ônibus e lotações
           Loucas ultrapassagens, fechadas, freadas inoportunas. A viagem parecia interminável.
           Finalmente, chegamos...
           - Leal, vamos entrar para um chazinho?
           - Obrigado, Dona Célia, mas amanhã devo estar antes das sete na obra. Fica para a próxima! – espero que na próxima, tomemos um taxi ou coisa parecida, pensei comigo mesmo...
            - Tchau, Tania!
            - Tchau, Leal!
          Caminhava lentamente, ainda ouvindo os acordes do solo de piano e as passagens marcantes da sinfonia majestosa. Nas mãos, na manga do casaco de tropical marinho, até no rosto, ainda sentia o doce aroma do perfume de minha amada.
           Mergulho de cabeça!
           Isto tinha acontecido comigo, mergulhara fundo naquele amor que crescia dia após dia.
           Coisa sem controle...

           - Trecho de meu livro "Cheiros da Vida".




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