- Leal, Tité está nos convidando para assistir um concerto no Municipal, quarta-feira.
- Quarta, à noite? Vai ser uma correria...
- E de terno!
- Claro Tania! Guido tem uma assinatura da Orquestra Sinfônica Brasileira. Vez por outra ele não pode ir a um concerto. Então, boto meu terninho e lá vou eu...
Era assim e ainda seria por muito tempo: concerto no Municipal, só com traje “passeio completo”.
Foi gostoso ir ao teatro com a minha namorada. A primeira vez.
Desagradável, foi a volta.
Nas ruas precariamente iluminadas do Rio de então, assolado que fora por várias crises de energia elétrica, Tité procurava levar em segurança seu DKW evidentemente sem contar com a colaboração dos ônibus e lotações
Loucas ultrapassagens, fechadas, freadas inoportunas. A viagem parecia interminável.
Finalmente, chegamos...
- Leal, vamos entrar para um chazinho?
- Obrigado, Dona Célia, mas amanhã devo estar antes das sete na obra. Fica para a próxima! – espero que na próxima, tomemos um taxi ou coisa parecida, pensei comigo mesmo...
- Tchau, Tania!
- Tchau, Leal!
Caminhava lentamente, ainda ouvindo os acordes do solo de piano e as passagens marcantes da sinfonia majestosa. Nas mãos, na manga do casaco de tropical marinho, até no rosto, ainda sentia o doce aroma do perfume de minha amada.
Mergulho de cabeça!
Isto tinha acontecido comigo, mergulhara fundo naquele amor que crescia dia após dia.
Coisa sem controle...
- Trecho de meu livro "Cheiros da Vida".
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