A tarde era de muito sol, linda; nem quente, nem fria.
No ar um não-sei-quê despertava os sentidos para as coisas do amor.
Fui até à padaria. Paciência, este era meu único recurso.
- Seu Joaquim! Vou usar o telefone!
- Não demores! – dito friamente com aquele conhecido sotaque lusitano.
28-51-61
- Alô!
- Tania?
- Oi!
- Estou com saudades. Queria te ver!
- Vem sim, o pessoal está aqui na maior folia...
- O que está acontecendo?
- Você vai ver quando chegar – sem muita conversa, bateu o telefone logo em seguida.
Meio ressabiado, desci a Rua José Higino e na Conde de Bonfim tomei o lotação “Grajau-Praça Paris”.
Namorar em plena semana! Coisa rara!
Também não era nenhuma vantagem, pois sendo meio-feriado, não tinha tido trabalho nem aulas no cursinho.
Morais e Silva, 19.
Maior aglomerado em frente à casa.
O que estaria acontecendo?
Havia de ser coisa boa, pois todos estavam alegres e sorriam sem constrangimento. O mulherio, parentes que moravam pela vizinhança então, nem se fala.
- Ganharam na loteria? – perguntei ao Carlos Alberto.
- Qual nada. Foi a Tité que comprou um carro. Acabou de chegar. O Zé Carlos, me primo, foi buscá-lo.
- Mas que bafafá! Vai ser difícil chegar até o automóvel; esse povo está muito agitado.
Com certa dificuldade, consegui ver sua cor: azul. Mais um pouquinho, a marca, DKW e, finalmente, o moderno veículo zero-quilômetro, em todo seu estilo; até a placa registrei DF 11-92-12, assim era.
Antes de continuar: Tité, era Dona Célia, tia e madrinha do Carlos Alberto e irmã de Dr. Mario, grande companhia da Tania durante toda sua infância e adolescência.
A tarde-noite passou como uma estrela cadente, tendo como pano de fundo as altas vozes da família Giffoni: Dr. Mario, Dona Nice, Tio Foninho, Tia Tio Álvaro, os primos Zé Carlos, Célia Maria, Rute, Marli, Helio, Dolores, Francisco e mais Vevé, Didi e um batalhão.
Ausentes: apenas os irmãos, Paulo Cesar, em São Paulo , estudando geologia e Luiz Mario, na Escola Naval.
- Leal! Olha o reloginho!
- Já sei Dona Nice. São dez horas.
- Já vai?
- Tchau, Tania! Ate Sábado, se “Deus quiser”!
Andei toda a Rua Ibituruna, olhos no chão. Passaram vários lotações. Ignorei-os.
Fui a pé, bem devagar até minha casa.
Não era bem essa, a tarde que esperava!
Não era! Não era!
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