por José Carlos Coelho Leal

sexta-feira, 3 de abril de 2015

"CHEIROS DA VIDA" - 131 - OS DERRADEIROS PASSOS ATÉ O GÓLGOTA





              Sétima Estação 

              - Jesus cai pela segunda vez


              Como para demonstrar que suas forças não são superiores às de quantos pertencem, como ele ousou pertencer, à espécie humana, sob o peso da cruz, Jesus caiu mais de uma vez. Como para mostrar que a misericórdia não tem limites, por mais uma vez caído, ele mais de uma vez levanta.

             Essa capacidade de constantemente levantar-se, de a cada momento recuperar a força perdida, é essa força estranha a nós, mas dentro de nós, chamada fé. Onde termina a força humana, começa a obra da graça. Onde nada mais fica de pé, ela ergue, o seu triunfo sobre a fraqueza humana, e o transfigura, e o dignifica. E o justifica.

             Jesus derrotado foi o Jesus triunfante. No seu martírio, a sua glória. Não se compraz no sofrimento, mas o supera. Não se limita a sofrer por sofrer, ele tem a quem oferecer sua mágoas, sua lágrimas, seu suplício.

             Não é um  Cristo inerme e débil, é um Cristo forte esse generoso Cristo que enfrenta o seu sofrimento e acaba por vencê-lo. É um Cristo vitorioso, esse que a cada queda se engrandece. Não se deixa abater quando cai, antes seu vulto mais cresce no exemplo que nos dá de sua força, feita de uma invencível vontade de chegar até o fim sua missão, de cumpri-la como razão de vida ainda mais do que de morte.

             A morte de Cristo é uma porta aberta á sua ressurreição. A sua morte nos aproxima dele, porque somos seus irmãos na eternidade. Mas a sua vida o identifica conosco, como se fosse um de nós.

             Só quem cai pode levantar-se. Só os soberbos não caem, por isto nunca se levantam. Só os humildes de coração sabem que, vencidos, são vencedores.


             Décima Estação

             - Jesus é despojado de suas vestes

             Tiraram-lhe manto e o disputaram no jogo. Rasgaram-lhe a túnica e revelaram ao povo o corpo de Deus feito homem. É bem fraco esse corpo que suportou o suplício e a agonia de morte.

             Julgavam-se fortes, os que o despiam. Não sabem que os que se julgam mais fortes, e por isso exibem a sua força opressora, são os mais fracos de todos. Precisam exibir o que supõem possuir, para esconderem dos outros o que a si mesmos já não conseguem ocultar.

             O medo dos fortes vem da consciência que têm de sua íntima fraqueza.

             Jesus martirizado, este. sim. é forte, porque não pertence a ninguém, não depende de nada. Desde que venceu o sofrimento, este começa a não existir. Então a fraqueza se torna força. Os que se julgam fortes, com medo de tudo, com medo de todos, perdem toda grandeza e se tornam mesquinhos diante do irremediável.

           Naquela hora, no alto do monte, os soldados que disputam nos dados o manto de Cristo são fracos, precisam distrair-se para não se revoltar, precisam encher-se de ódio para que a compaixão não os domine, nem os paralise o remorso.

           Sozinho, fraco, desarmado, desfigurado pela tortura, coroado de espinhos e de injúrias, o Cristo é o mais forte. Os torturadores tiveram muitos descendentes, os fracos que se fingem fortes, os insinceros, os que não ousam encarar a verdade e abraçar-se a ela. Mas ninguém conhece o seu nome. E todos se envergonharão quando  souberem quem são, ao saber que foram, naquela tarde, no alto do monte, os que riam e jogavam sobre o manto de Senhor.


             Décima Terceira Estação

             - Jesus é descido da cruz.

             O corpo que gente piedosa retira da cruz é o de um morto. A cena destina-se a dar a todos a certeza de um Deus se fez homem. Não é por acaso que ali está o corpo que vai à sepultura. É para que saibam que ele é carne e osso, e não apenas um espírito etéreo, imaterial. Os que lá estavam, no alto do monte, viram quando ele morreu, e vêem agora quando despregam da cruz o corpo magro, lanhado de chicote e rasgado de lança. Suas mãos, seus pés foram pregados à cruz onde agonizou aquele moço de 33 anos, depois de uma vida dedicada a nos ensinar a viver.

            Como da semente disse seu discípulo João, quando a depositam na terra escura, ela primeiro morre para depois renascer como planta que dá flor e fruto. Assim o corpo de Jesus vai para dentro da terra. É um Deus que morreu. Os deuses antigos quando os homens procuravam matar sua fome de absoluto, seu desejo de explicar o sentido da vida e encontrar os caminhos da eternidade, moravam distantes do homem, faziam incursões na terra mas aqui não demoravam. Os deuses antigos separavam os homens porque se separavam dos homens. Eis o Cristo que veio para unir os homens, unindo-se à humanidade. Esse filho de Deus se fez homem para que os homens saibam o que são, reconheçam sua origem e compreendam para onde vão. Por isso há quase 2 mil anos quanto mais negam a sua existência mais ele afirma a sua presença.

             Jesus agora morreu, como toda a gente. Um dia tal como Jesus, toda gente ressuscitará.

             
             Aqui se encerra essa série de capítulos. 

             Há muito tempo não atravesso esses dias da Semana Santa tão profundamente envolvido nos acontecimento da Paixão de Cristo como neste ano de 2015. Por alguns momentos esqueci de todas as sérias crises que vimos passando. Meditei sobre esses acontecimentos de suma importância para toda a humanidade inspirado por um texto escrito por um "político" polêmico, porém um lutador que jamais esmoreceu na pugna por aquilo que sua consciência balizava com justo e certo para seus compatriotas.

              Sei que poderei afetar crenças, certezas, ideologias e tudo mais  que envolve a pessoa que evocou essa verdadeira oração que seguimos passo a passo. Sou no entanto compelido, por uma questão de justiça, afirmar:

              Obrigado Carlos Frederico Werneck de Lacerda!!!

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