por José Carlos Coelho Leal
sábado, 18 de abril de 2015
"CHEIROS DA VIDA" - 133 - COISA MUITO FINA
Tania e eu havíamos combinado que a Noite de Nupcias seria celebrada em nosso apartamento. Lá também deveríamos passar os primeiros dias de nossa vida em comum. Para nós não havia lugar mais apropriado e significativo. Nossa casa, fruto do nosso amor, nosso esforço e símbolo de uma conquista feita a dois, com o mais sublime dos carinhos. Nesses cinquenta anos de casados que iremos completar em julho, jamais pagamos um centavo sequer de aluguel. Os vários tetos que nos abrigaram ao longo de nossas vidas, sempre foram frutos do nosso trabalho; dedicação, amor e afeto perenes.
Achávamos mesmo que não tinha sentido que tudo acontecesse em um apartamento de hotel, por mais luxuoso que fosse, totalmente anônimo e, que não teria, para nós, o menor valor sentimental. Os "cruzeirinhos" a serem gastos poderiam ficar reservados para mais alguns dias de viagem que havíamos planejado para São Lourenço.
Ainda na recepção, dois fatos inusitados.
Em certo momento a festa parecia esvaziar-se com a ausência de vários convidados, principalmente parentes mais chegados da Tania. Achei intrigante tal descortesia. Rapidamente esclareci o problema.
A TV Tupi estava apresentando, aquela época, os últimos capítulos da novela "O Direito de Nascer". Principalmente as tias e primas da Tania acorreram à casa dos vizinhos, todos da família, para assistir, se ao menos fosse, o final do capítulo daquela noite.
Claro que fiquei muito magoado; Tania, nem tanto pois, sua capacidade de aceitação dos fatos sempre foi muito superior à minha. Acabamos levando na "esportiva" mas, mesmo assim não deixei da fazer uma evidente cara "de poucos amigos" para uma "plêiade" de fujões.
Outro fato, esse comum de acontecer numa festa como aquela, um certo "zum,zum,zum...". Certamente estavam aprontado "algo"para nós. Quanto a isso não liguei e preparei meu espírito para aguentar o que viesse acontecer. Nada poderia diminuir minha alegria e felicidade...
Depois do brinde e do bolo, além das cantorias, palmas abraços e beijos, Tania e eu estávamos muito cançados e, loucos para zarpar para "nossa casa".
Tania pediu licença a todos os convidados e subiu ao seu, agora, antigo quarto de solteira para trocar de roupa. Alguns minutos, muitos afinal, desceu a escada, elegante como sempre, vestindo um redingote na cor rosa-claro. Mais linda do que estava, impossível . Alguém, não lembro quem, desceu em seguida com duas pequenas maletas que levou para o carro à nossa espera. Pedro lá estava pronto para prestar sua derradeira tarefa do dia: nos levar à Estrada Velha da Tijuca, 38 Apto. 304 - a residência do casal Tania e José Carlos.
Coisa muito fina!!!
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