por José Carlos Coelho Leal

quinta-feira, 2 de abril de 2015

"CHEIROS DA VIDA" - 128 - O FIM DA "VIA CRUCIS" PESSOAL DE CARLOS LACERDA



                     Do mesmo livro no qual venho percorrendo a "Via Crucis", segundo a visão de Carlos Lacerda, sinto a necessidade de transcrever suas derradeiras linhas que coincidem com a morte deste grande cidadão brasileiro. É o que farei a seguir.

          ... Ele ainda me reconheceu e, ansioso e inquieto, pediu:
          - Rebello, me tira esses tubos; esses homens estão me matando...
          Tentei acalmá-lo. Era inútil: a agitação persistia.
          Procurei completar o eletrocardiograma, que não pudera ser feito até o final, mas que não obstante, indicava, de modo insofismável, nas derivações realizadas, a causa daquela tragédia: infarto agudo do miocárdio.
          Nesse momento, alguém da valorosa e dedicada equipe  que atendia o enfermo disse:
          - Não adianta mais.
          Olhei e, aterrorizado, vi Lacerda inconsciente e enrijecido, em convulsão tônica.
Logo sobreveio o relaxamento, mas também a respiração difícil, estertorosa e irregular. Cessaram afinal os batimentos cardíacos.
          E, ás 2 horas da madrugada daquele sábado trágico, 21 de maio de 1977, assisti, perplexo e impotente, como, de um instante para outro, cessou a vida e surgiu a morte.
         A morte do amigo querido, como poucos em minha vida.
         A morte do homem bom, generoso, capaz de amar e perdoar, de rir, de criar amizades duradouras, e de, com ardor insuperável, lutar as boas lutas e combater o bom combate.
         A morte do homem inteligente que, pelos tempo afora, provocará, nas gerações vindouras, admiração pela obra jornalística, política, administrativa, e literária que realizou.
         Ao morrer Carlos Lacerda, focou-nos, aos amigos e companheiros, a saudade indelével, que nunca se apagará. À Pátria restou o vácuo difícil - senão impossível - de ser preenchido.
         Permanece, contudo, para ela e para os amigos de Lacerda, o exemplo dignificante de sua vida, dedicada por inteiro ao bem comum e alicerçada na inteligência, na honradez, na energia e na coragem altiva e, até mesmo bravia. E duram e perduram as lições que nos legou, de humildade e grandeza.

          Que, embora já tardiamente, a Pátria, que tanto amou, lhe reconheça os méritos e lhe reverencie a memória.
         Como, de há muito fazem seus incontáveis amigos.

         Analisando, hoje, a situação de nosso país, chegamos à conclusão que meia dúzia de homens como Lacerda mudariam o rumo desastroso que percorremos.
         
         No próximo capítulo voltaremos ao que mais importante contém a "Via Sacra" sob a visão deste grande brasileiro. Amado e odiado.
Fiel até o fim às suas ideias e leal à terra que o viu nascer.

        Assim penso eu...

       

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