por José Carlos Coelho Leal

sexta-feira, 3 de abril de 2015

"CHEIROS DA VIDA" - 130 - MARIA, A AUXILIADORA E O MEDO DE AMAR





            Quando comecei a postar esses recentes capítulos sabia que haveria reações devido ao personagem central de que tratam os textos.

          Alguns telefonemas, e-mails e até conversas informais nos meios onde transito atestam esse fato. Respondo, de imediato, que nada mais natural nesses dias da Semana Santa, para um Cristão, do que tratar das ações de Jesus Cristo no transcorrer dos últimos momentos de sua vida pública.


           Alguns não aceitam a minha ponderação e, se referem a Carlos Lacerda, sobretudo aqueles que já passaram dos cinquenta. Até os dias atuais as reações de amor e ódio referidas a Lacerda não cessam apesar de ter saído da história há quase quarenta anos atrás.


          Repito: o personagem central é Cristo onde alicerço minha fé. Vamos portanto continuar nossa peregrinação e deixar de lado as ofensas e os elogios. Coisas efêmeras em vista do tema principal.


          É importante também esclarecer, mais uma vez, que este feliz encontro com essa verdadeira oração escrita por Carlos Lacerda decorre da consulta ao livro "Carlos Lacerda - Meu Amigo" escrito pelo Doutor Antonio Dias Rebello Filho, médico particular de Lacerda por décadas. Espero que estas postagens não gerem para mim processos referentes a direitos autorais quer em relação ao autor do livro, quanto à família do verdadeiro escritor do que está sendo postado, Lacerda. Para mim essas publicações fazem parte de um tributo ao grande tribuno brasileiro.

   
           Outro detalhe: no livro consultado é dito que Lacerda não terminou sua obra, morto que foi ao longo da elaboração de sua "Via Sacra".
Na realidade são oito o número de estações publicadas. Não sei se o autor por alguma questão pessoal tenha omitida a publicação de alguma outra Estação escrita por Lacerda.

           Vamos seguir nossa oração:


            Quarta Estação


            - Jesus Encontra Sua Mãe


           Na confusão da ladeira, Jesus e Maria se avistam. Enquanto o próprio Cristo, feito homem, quase desespera, sua mãe sempre confia. Precisa ajudá-lo na tarefa que se impôs. Por isto lhe traz, sobre a cabeça de curiosos e de aflitos, um olhar de paz e compreensão. Ela é a que não julga. É a que ajuda. A auxiliadora.


           É possível que, naquele momento, Maria se lembre de uma noite, há 33 anos passados, quando a viagem se interrompeu, não havia vaga na hospedaria e por isto José levou-a à estrebaria, onde ela deu ao mundo o seu menino.


          Então um anjo anunciou alegria para todo o povo porque tinha chegado o Salvador que agora vai morrer para cumprir sua missão.


          Em vez da estrela que naquela noite antiga se ascendera, hoje as trevas vão cobrir a terra. No luto do universo brilhará somente uma luz, a das lágrimas de Maria. Seu filho é o cordeiro de Deus que curte os pecados do mundo. Porém ela chora pelo menino que ele foi, pelo homem que ele é.


          Na participação está o seu exemplo. Na resignação, sua força. Maria de Nazaré parece fraca; é a mais forte. Parece nada; é tudo. Na hora da morte, Jesus apontando um moço:"Eis ai o teu filho". E ao jovem discípulo dirá: "eis ai a tua mãe". Jesus cumpre a sua missão no mundo. A missão de Maria continua. Adotará os seguidores de seu filho para animá-los, compreender suas angústias, perdoar seu erros. Antes de morrer na cruz o filho pede que ela seja a mãe de todos. E Maria, também, faz a vontade de seu filho.


           Quinta Estação


          - O Cirineu  ajuda a levar a cruz


          Chamava-se Simão, era da colônia romana de Cirenéia. Vinha do campo e apenas passava, na ocasião. Entre os que choravam e os que zombavam de Jesus havia muitos como Simão. Em que pensava? Do que cuidava esse homem que vinha do campo e apenas passava, na ocasião?


           Só os incidentes e preocupações de sua vida, com certeza, lhe interessavam. Meus filhos, que será deles? Minha lavoura, meu jantar desta noite, minha conta amanhã? Simão era de um tempo habituado à violência e à mera competição. Que mal lhe faria uma cruz a mais no ombro de mais um outro, no fim do dia repleto e no entanto - vazio, no fim das horas trabalhosas - e no entanto vadias?


           Mas os soldados da escolta estão com pressa e Jesus não aguenta o peso da cruz, que sozinho assumiu. Os soldados meio que convencem meio que obrigam Simão  a ajudar Cristo. É mesmo pressa dos saldados ou oportunidade de Deus? Simão padece daquele mal de tanta gente, o medo que tantos têm de se dar mal se ousarem procurar o bem.


          Simão morreria anônimo, sem história nem consequência, se não o tivessem obrigado a se livrar de sua invisível prisão, a romper com a indiferença que o mantém emparedado no meio da multidão. Simão descobre novas coragens, perde esse medo, o mais horrível de todos, chamado medo de amar.


           Porque deu de si o que podia, já não foi nunca mais um Simão qualquer... Foi Simão livre de egoismo, Simão limpo de remorso. Para dividir o peso da cruz com ela afinal se abraçou.


          Em vez da vida inútil e a morte obscura, Simão chamado o Cireneu naquela tarde de trevas seu futuro iluminou. Pois Rufo e Alexandre, que assim se chamavam seus filhos, pela ajuda de pai se tornaram cristãos.



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