por José Carlos Coelho Leal

sábado, 29 de dezembro de 2012

EXTRA - "O VALE" - O que estamos "pagando" e, as gerações futuras irão pagar "muito mais"...


"O Vale" é um retrato atual da situação de penúria na qual vivem fazendeiros e sitiantes do Vale do Paraíba, entre o Rio de Janeiro e São Paulo. 
A região foi no passado a força motriz da economia brasileira, graças à produção de café.
O filme reúne relatos históricos de políticos e barões do café do século XIX, os quais já previam o colapso ambiental da região por conta do desmatamento e das queimadas na Mata Atlântica.
Documentário revela através da história de riqueza e decadência do Vale do Paraíba, a exaustão e exploração das terras da Mata Atlântica.
Filme com duração de 56 minutos produzido para a série 6 Histórias Brasileiras, originalmente exibida no Canal GNT em Agosto de 2000.
Exibição no Canal O Eco cedida exclusivamente pela VídeoFilmes em homenagem ao aniversário de 66 anos de Marcos Sá Corrêa.

VEJA EM:


quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

EXTRA - Recebi, faz poucos minutos, pelo e-mail, esse poema do Quintana.


NOTA - Recebi há poucos minutos pela internet esse poema do Quintana tantas vezes lido ao longo da minha vida. Agora tive o impulso de colocá-lo no meu Blog. Muito obrigado, meus grandes amigos Lucia e Giordano.


Só um lembrete do Quintana...
'A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são seis horas!
Quando se vê, já é sexta-feira...
Quando se vê, já terminou o ano...
Quando se vê, perdemos o amor da nossa vida.
Quando se vê, já passaram-se 50 anos!
Agora é tarde demais para ser reprovado.
Se me fosse dado, um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio.
Seguiria sempre em frente e iria jogando, pelo caminho, a casca dourada e inútil das horas.
Desta forma, eu digo:

 Não deixe de fazer algo que gosta, devido à falta de tempo,
pois a única falta que terá,
será desse tempo que infelizmente não voltará mais.'

  
Mário Quintana

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

NATAL QUE DESEJO PARA VOCÊ AO LONGO DE TODO ANO


O mundo que desejo.....



                                           O mundo que desejo para você!


sábado, 22 de dezembro de 2012

M E N S A G E M D E N A T A L


NATAL SOMOS NÓS


Natal somos nós quando decidimos nascer de novo, a cada dia, nos transformando.

Somos o pinheiro de natal quando resistimos vigorosamente aos tropeços da caminhada.

Somos os enfeites de natal quando nossas virtudes, nossos atos, são cores que adornam.

Somos os sinos do natal quando chamamos, congregamos e procuramos unir.

Somos luzes do natal quando simplificamos e damos soluções.

Somos presépios do natal quando nos tornamos pobres para enriquecer a todos.

Somos os anjos do natal quando cantamos ao mundo o amor e a alegria.

Somos os pastores de natal quando enchemos nossos corações vazios com Aquele
que tudo tem.

Somos estrelas do natal quando conduzimos alguém ao Senhor.

Somos os Reis Magos quando damos o que temos de melhor, não importando a quem.

Somos as velas do natal quando distribuímos
harmonia por onde passamos.

Somos Papai Noel quando criamos lindos sonhos nas mentes infantis.

Somos os presentes de natal quando somos verdadeiros amigos para todos.

Somos cartões de natal quando a bondade
está escrita em nossas mãos.

Somos as missas do natal quando nos tornamos louvor, oferenda e comunhão.

Somos as ceias do natal quando
saciamos de pão, de esperança, qualquer pobre do nosso lado.

Somos as festas de natal quando nos despimos do luto e vestimos a gala.

Somos sim, a Noite Feliz do Natal, quando humildemente e conscientemente, mesmo sem símbolos e aparatos, sorrimos com confiança e ternura na contemplação interior de um natal perene que estabelece seu Reino em nós.

Obrigado Jesus! Por vossa luz, perdão e compreensão.

Feliz Natal!!!

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

EXTRA - O VÍDEO QUE TODO BRASILEIRO TERIA OBRIGAÇÃO DE VER E REVER EM 2012


TODO BRASILEIRO TEM A OBRIGAÇÃO DE VER ESTE VÍDEO E PEDIR ESCLARECIMENTOS ÀS AUTORIDADES QUANTO AO QUE VEM ACONTECENDO.

ESTÃO COMETENDO CONTINUAMENTE UM CRIME DE LESA-PÁTRIA À VISTA COMPLACENTE DO ARBÍTRIO BRASILEIRO, DA OMISSÃO OU MÁ-FÉ DOS ÓRGÃOS DE OPINIÃO PÚBLICA E, DE TODO O POVO BRASILEIRO ALHEIO À SUA SOBREVIVÊNCIA E BEM-ESTAR ...

NOS FALTA CADA VEZ MAIS ZELO PELO QUE É NOSSO E AS NOSSAS RIQUEZAS QUE DESAPARECEM NA CALADA DA NOITE COM PREJUÍZO DE TODO O POVO


domingo, 16 de dezembro de 2012

HOMENAGEM A UM GRANDE AMIGO!





Ando muito triste...
Dia onze deste mês perdi um grande amigo, colega, companheiro, mestre e além de tudo um verdadeiro líder que sempre acreditou em mim, confiou na minha capacidade como engenheiro, valorizando a níveis altíssimos nossa  profissão, e de administradores da coisa pública .
A ele e a sua equipe muito deve a população de nossa cidade,  - na realidade o Estado da Guanabara de nossos tempos da saudosa SURSAN-.
Com uma inteligência muito acima da média jamais precisou alterar a voz para defender cada uma de sua teses muitas vezes difícil de ser contestada.
Comparada com a atuação de certas autoridades de hoje, os responsáveis por esta cidade, estado e nação não passam de marionetes caricatos a serviço de seus " bolsos" em detrimento de uma população que sofre.

Meu amigo Geraldo Reis Carvalho seus oitenta e três anos de vida na terra foram muito bem aproveitados e uma lacuna imensa  deixou certamente nas almas de seus amigos.
Em 1976, já como engenheiro de sua empresa de consultoria juntamente com o Arnaldo Pires e o Darly Coelho seus companheiros de diretoria, outros amigos fraternos até o dias atuais, você  fez de mim o Coordenador do Projeto para Construção do Metrô de Brasília.
Confiou-me uma responsabilidade que julgava muito além de minha capacidade
Você acreditou em mim.
Fez-me amadurecer muito em pouco tempo e, jamais contestou uma decisão que tomasse no meu trabalho. Conduzi técnicos do Rio de Janeiro,  Brasilia e ainda uma equipe de engenheiros consultores em modelos matemáticos para projetos em transportes; belgas da firma SOBEMAP nossa sub contratada.
Chegava ser hilária a mistura de línguas em nossa discussões técnicas.
Eles, finalmente aprenderam o português e nós desenvolvemos nosso francês aprendido nos bancos escolares. Todos saímos no lucro.
No fim reinou uma perfeita harmonia.
Por ocasião da apresentação do Relatório final nosso Projeto para Brasília, o escritório funcionou dia e noite de segunda a segunda, sem folgas sábados e domingos. Dizia eu o escritório da CED-BRASÍLIA se parece com o Império Britânico  onde jamais o sol  se põe... 
O mais importante para mim: essa proposta de trabalho contínuo partiu da própria equipe tal o envolvimento e entusiamo com Projeto. Só isso compensou todo sacrifício do deslocamento de toda família para Brasília. 
Fiquei muito orgulhoso de minha equipe e porque não dizer de mim mesmo.
Recebi todo seu apoio assim com de sua diretoria e, a cada dia que passava me sentia mais apto para a missão e passei a acreditar que teria forças para levar a tarefa a bom termo.
Chegamos a ter cento e cinquenta estagiários contratados.
Minha família teve todo o conforto para se mudar e viver em Brasília mesmo custando a troca de colégio das crianças e a imensa responsabilidade que tinha Tania para tocar as coisas  do lar em uma Cidade estranha. 
Todo meu tempo era dedicado ao Projeto, quer no escritório como nos serviços de campo.
FOI UMA LIÇÃO PARA JAMAIS ESQUECER.

Geraldo descanse da labuta de "quem combateu o bom combate" como dizia São Paulo em uma de suas cartas.
Hoje ao assistir minha Missa Dominical agradeci a Deus por tê-lo colocado no meu caminho.

Por derradeiro até sua paixão flamenguista tive que aceitar (logo eu um botafoguense de boa cepa)
Jamais esquecerei sua argumentação na segunda-feira após a derrota do Flamengo para o Botafogo por seis a zero quando você provou por A + B que o placar correto seria uma vitoria do Flamengo por quatro a zero.
O quê fazer; "manda quem pode, obedece quem tem juízo".

Esse é o meu amigo Geraldo que guardarei perenemente no meu coração com sua inteligência, suas paixão  e uma fidelidade invejável aos seus amigos.

ATÉ BREVE GERALDO!!!

sábado, 15 de dezembro de 2012

"CHEIROS DA VIDA" - Nº 70 - BOM VINHO


                       


             Fazia frio. Pensei comigo: “hoje preciso jantar como gente grande”.
          Acabei minha aula, desfiz-me de meu guarda-pó e ato contínuo desci rapidamente a longa escadaria que me levava à liberdade procurando evitar algum aluno retardatário que certamente me prenderia por alguns minutos a responder indagações idiotas sobre a matéria recém despejada com "muito zelo".
          "Muito zelo"? Na verdade estava consciente que a desejada concentração para ministrar uma boa aula havia passado quilômetros longe de mim.
          Precisava mesmo de uma fato novo para acabar bem aquela noite e, esquecer  os lamentáveis tropeços das últimas horas.

          Cantina Humberto? Majórica? Falcone?
          Falcone? Cantina Humberto?
          Isso! Majórica. Um belo filé irá recuperar minhas energias e por certo injetará algumas calorias em meu debilitado e enregelado organismo.

-         Zé Carlos! Senta conosco.
-         Oi Anthon! Vou incomodar?
-         Absolutamente. Esses são meus sócios.
-         Prazer.
-         Estamos exatamente comemorando nosso próximo lançamento: um prédio residencial de oito andares na rua onde você mora.
-         Na Dezesseis de Março?
-         Isso. Aliás, acho que o negócio poderá lhe interessar. São apartamentos de dois quartos. Para você que está em vias de se casar nada mais adequado.
-         Sonho!
-         Sonho qual nada. Não esconde o jogo. O CEPES está indo de vento em popa. Estamos falando com um empresário de sucesso.
         Grande “vaselina”, pensei. Além do mais não estava bem certo, depois das últimas horas;  seria eu o "grande empresário" ou um "farsante" travestido de professor.
-         Não é bem assim, respondi sem encarar ninguém.
-         Deixa de modéstia. E tem mais: mesmo que você não venha morar em Petrópolis é um bom investimento. Inda mais quando comprado em pré-lançamento. Escolha livre e preço de amigo.

         O jantar farto regado por um bom vinho acabou saindo de graça. Porém, sempre há um, porém; a semana corrente não findaria sem que eu fechasse negócio. Foram-se embora todas as minhas economias.
         Afinal, pensando bem, era mais um passo importante que estava dando. Era a vida que seguia, agora numa cadência que começava a me agradar.
         Senti-me feliz com a decisão.

         Emitido o cheque depois de assinado um monte de papelório, recebido o contrato devidamente assinado acrescido de um belo volume encadernado com uma variedade de documentos, certidões, especificações e a gravura da fachada do prédio a construir.
         Finalmente estava em minha posse o fundamental: a planta- baixa do meu apartamento. 
        Aliás do nosso apartamento; meu e da Tania.

        Dia seguinte...
        Tinha que sobrar um tempinho. Era terminar a segunda aula, atravessar a rua correndo, entrar na Telefônica e torcer para ter uma cabine vazia.
        A hora era ruim, quase nove da noite. Parecia que o mundo inteiro esperava esse momento para fazer ligação interurbana. Talvez um monte de apaixonados iguais a mim.
-         Telefonista! Quero uma ligação para o Rio de Janeiro.
-         Qual o número?
-         28-5161
-         Um momento senhor.

        O tempo passando. Quase dez minutos. Finalmente:
-         Ligação para o Rio de Janeiro, cabine 4.
-         Alô! Tânia!
-         Eu sabia que era você.
-         Não tenho muito tempo.
-         Estou com saudades.
-         Eu também e muita. Sábado matamos essa saudade. Agora escuta.
-         Quanta agitação!
-         Estou agitado sim. Tenho uma surpresa boa.
-         Adoro surpresa boa.
-         Comprei um apartamento.
-         Será que eu ouvi direito?
-         A ligação está péssima, como sempre, mas foi isso mesmo que você ouviu.
-         Como foi isso?
-         Agora não dá para explicar. Sábado a gente conversa com calma; levo planta, contrato e um monte de papelada para você ver.
-         Você é louco.
-         Sou louco por você.
-         Fala mais um pouco, amor.
-         Não dá. Esta na hora da minha aula e os alunos já devem estar agitados.  Um beijo e até sábado.
-         Um beijo.
-         É o nosso apartamento!
-         Quero ver. Te amo.
-         Eu também. No sábado conversamos. Um beijo

          A geração de hoje nem de longe pode imaginar a dificuldade de se fazer uma ligação entre cidades no início da década de sessenta.
          Dez minutos de espera poderia ser considerado um prêmio de loteria.
          Quando a ligação era clara e inteligível, milagre.


            - Trecho de meu livro "Cheiro da Vida" escrito em Arraial do Cabo ao longo do ano de 2002.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012


A T E N Ç Ã O 2


AVISO EMITIDO POR UM QUERIDO AMIGO QUE INTERESSA A TODOS QUE VISITAM ESSE MODESTO BLOG :

Um detalhe técnico: o texto no seu blog estava meio misturado, com uns caracteres estranhos. Pesquisei e soube que é um problema doInternet Explorer 9 com alguns sites, incluindo o Blogspot que você usa. Usei então o Chrome (browser da Google) para acessar o site e apareceu tudo certinho. Então, se alguém reclamar que seu blog está esquisito, sugere usar o Chrome. Até existem outras soluções, mas essa é a mais prática.

"CHEIROS DA VIDA" - nº 69 - ONDE ESTÁ O FERMENTO?...


                        


             1962 foi um ano de muita luta e pouco dinheiro.
           Em 1963, as coisas começavam a melhorar.
           No curso já funcionavam turnos pela manhã e à tarde, além do tradicional horário noturno.
           Com mais professores abrindo o leque das especialidades ampliavam-se os atendimentos com turmas preparatórias para os cursos de ciências econômicas, direito e medicina.
           E a novidade...
           A moda agora era ser “economista”. Rapidamente esgotaram-se as vagas. Muito bom para nós, péssimo para o Brasil.
           Atropelaram a história
           Os economistas alastraram-se rapidamente pelos órgãos públicos. Em decorrência foram criados pomposos órgãos com afetadas siglas. Rapidamente vicejou no país uma plêiade de profissionais de bom nível técnico e linguagem ininteligível para os pobres mortais. 
           Criou-se até uma língua hermética, o “economês”.
           Com péssima sensibilidade para o social e um desconhecimento profundo das necessidades e aspirações do indivíduo onde números, porcentagens as estatísticas e artísticos gráficos prevaleciam ao ser humano.
           Ao cidadão representado apenas por uma fria cifra sem alma passou-se a impingir planos, programas, metas e sei lá quais parafernálias mais.
           O futuro seria de fausto. Pelo menos era o que previam os mais insignes economistas tupiniquins.
           Os jornalistas começaram a exorbitar de suas funções de bem informar aderindo ao novo vernáculo.            
           Os leitores sem muito entender acabaram por adotar palavras nas conversas de todo dia num linguajar para “eruditos” que soava bonito: agregado monetário, âncora cambial, indexação, quase-moeda, taxa selic, viés, risco-país...
          Mais bonito ainda quando o idioma era do primeiro mundo: break-even-point, hedge, overnight, trade-off...
          E mais: programas e teorias que no fundo desmentiam o que pregavam e, cada vez mais eram cativos do capital especulativo e da ambição desmedida do capitalismo-selvagem. Assim veio o Fundo de Amparo ao Trabalhador e tais, culminando com o célebre Consenso de Washington, a pedra de toque do neoliberalismo, um absurdo que desmantelou de vez os países em desenvolvimento.
          Nunca se falou tanto em qualidade de vida e a vida ficou cada vez mais sem qualidade, cheia de frios números e a esperança sempre sendo empurrada para quando o bolo já crescido poderia ser dividido.
         Até hoje esperamos pelo fermento milagroso.
         O mais triste: de certo modo ajudamos a fabricar esses algozes, aborteiros de sonhos e ideais.
         Nada melhor par fechar essa crônica do que apresentar um pensamento do Economista Roberto Campos talvez o maior que este país já teve:
       

"Há três maneiras de o homem conhecer a ruína: a mais rápida é pelo jogo; a mais agradável é com as mulheres; a mais segura é seguindo os conselhos de um economista."
— Roberto Campos


         - Trecho de meu livro "Cheiros da Vida" escrito em Arraial do Cabo ao longo dos nos de 2001, 2002 e verão de 2003.



terça-feira, 11 de dezembro de 2012

- CHEIROS DA VIDA" - nº 68 - PRONTO PARA VOMITAR


                           

              Os anos que vivi em Petrópolis, três e alguma coisa, foram de muita luta, correria contra o tempo e uma inabalável vontade de vencer. 
           Vontade, coragem e confiança.
           Nunca tive tanta certeza do que queria e nada era         empecilho para realização de meus planos e utopias. Jamais durante toda a minha vida voltaria a ter coragem igual. Persistente, eficaz, sem desvios ou hesitações.
           Sobrava pouco tempo para gozar tudo de bom que um universitário poderia dispor numa cidade, ante então, sumamente badalada, agradável até, apesar do clima seguidamente pouco ameno
           Durante todo o ano de 1962 somente em pouco mais de oitenta dias a chuva deu tréguas à cidade.
           Entre maio e agosto o frio era de lascar e, somente uma vontade inquebrantável me faria saltar da cama diariamente antes das sete, mesmo sem levar em conta, como sempre acontecia, na véspera ter dormido madrugada já iniciada.
          No início de 1963 o Professor Carlos Alberto Werneck convocou-me para uma reunião de urgência.
          Fiquei apreensivo. 
          Tinha motivos.
          Sabia que era considerado um ótimo professor, muito competente mesmo, sem nenhuma modéstia. Mas um fato que acontecera naquele mesmo janeiro que estava preste a findar poderia ter criado algum mau-entendido.
         É claro que um professor jovem e forasteiro que subitamente começava a ganhar espaços deveria sofrer, como sofri, uma surdina antipatia dos mestres tradicionais acomodados por muitos anos de tediosa rotina. Não aceitavam tal concorrência.
         Sem alarde demostravam seu repúdio em pequenos episódios.
         Na segunda quinzena de janeiro, em pleno período de férias, o calendário previa a realização das provas de segunda-época. Seriam duas datas: uma para a prova escrita e outra para prova oral, separadas por poucos dias. 
         Férias partidas.
         É claro que somente os novos professores foram escalados.
         Era o jogo sendo jogado.
         Numa quinta-feira, madrugada morna e doce do verão do Rio de Janeiro, acordei pouco antes das quatro; às cinco já estava na Rodoviária Mariano Procópio embarcando num flexbol da Única.
        Bem antes das sete estaria na Cidade Imperial.
        Sentei-me como de costume do lado esquerdo num dos primeiros bancos. A brisa agradável temperava o macio balançar do ônibus - aqueles ônibus tinham uma estabilidade inusitada.
         Adormeci.
         Despertei quando já alcançávamos a Rua Monte Caseros. Quase sem passageiros sobrava-me espaço para um robusto espreguiçar. Logo meus pensamentos voltaram à realidade do dia: ministrar prova oral a uns malandros gazeteiros.
          O pior: seriam desde os maus-alunos mirins do primeiro ginasial até os marmanjos do último ano do científico.
          Súbito, uma tragédia me despertou de vez.
          Em marcha lenta atravessávamos a aglomeração que se formara em torno de uma feira-livre.
          Em velocidade acima do normal, para aquela situação, um caminhão na pista oposta se aproximava. O impacto foi inevitável: uma jovem senhora com sua criança abrigada ao colo foram projetadas à distância.
          Mortes horríveis.
          As cenas, o som surdo do baque dos corpos ao chão repetia-se em meus ouvidos. Um nó na garganta. As imagens, os ruídos malsoantes, as imagens, as imagens...
          Não era nenhum pesadelo; era realidade.
          Vida besta sem sentido, vida besta sem valor, vida besta, injusta, vida besta...
          Cheguei ao colégio. 
          Com gestos automáticos apanhei as pautas, os envelopes e os formulários para as atas.
          Vida besta, vida besta, vida besta...
          Tomei uma decisão: abrupta e irreversível: ninguém seria reprovado. Afinal éramos três examinadores, os outros que decidissem os destinos daquela garotada. Eu não seria o seu algoz.
          Vida besta, vida besta, vida besta...
          Por alguns dias aquelas imagens e sons soturnos usurpavam meus pensamentos qual interminável cena de um filme de horror.
          Voltando à convocação intempestiva para a enigmática reunião de emergência: tinha procedência minha preocupação. Certamente o Werneck queria explicação para minha atitude insólita. Aprovar todos os alunos? Cem por cento de aproveitamento?...
          Tinha que me preparar para o pior. Seria dispensado ou, no mínimo, receberia séria advertência. Não havia outra alternativa.
          Devia enfrentar a realidade. A decisão de aprovar sem questionamentos tinha sido minha, talvez um tanto imatura e provavelmente eivada de um paternalismo excessivo.
          Novamente repetiu-se o ritual da viagem e, ao passar pelo local do acidente, ratifiquei uma vez mais minha atitude sem maiores indagações filosóficas. O discurso para defesa já estava alinhavado em minha mente pronto para ser vomitado à primeira provocação daquele insensível diretor.
          - Como tem passado professor Leal? 
          - Bem, graças a Deus.
          - Aproveitando as férias? Afinal temos tido um belo verão.                - Na medida do possível.
           Fala logo abominável criatura. Estou pronto para desengolir toda minha revolta. Chega de rapapés!
- Professor Leal seu desempenho em nosso colégio tem sido
muito admirado por todos. O trabalho que o senhor tem
desenvolvido na cidade na preparação de nossos jovens para
a universidade é mais do que oportuno.
-  Gentileza sua.
-  É a pura verdade.
-  Obrigado.
-  Em vista desses fatos resolvemos indicar nosso professor Leal, nosso matemático, para ser o coordenador de
Matemática para todo o 2º Grau.
          Desabei...
-  E mais: a direção do colégio decidiu que a turma do terceiro-científico de engenharia terá aulas de matemática todos os dias. Cinco aulas por semana.
-  Agradeço sensibilizado suas palavras. Acontece que não tenho mais horário livre.
-   Chamarei o Professor Larry; ele resolverá as pendências adaptando ao seu o horário dos demais professores.
-   Mais uma vez agradeço, acho, no entanto, que não me expressei corretamente. O problema não é do colégio e sim meu. Somando o Werneck, a faculdade e meu curso, o CEPES, dentro do expediente normal não tenho a mínima disponibilidade.
-   E considerando-se o “fora do expediente normal?”.
-   Só se minhas aulas forem marcadas para as 7 horas da manhã.
-   Assim será Professor.
-    Mas aulas do colégio começam às oito.
-    As suas, apenas as suas, começarão às sete. Estamos combinados?
             O que responder?
             Não tive outra saída. Aceitei.
             Jamais fui questionado quanto ao procedimento que adotei para com os alunos que prestaram exames de segunda-época.
             Nem pela minha consciência.


             - Trecho do meu livro "Cheiros da Vida" escrito em Arraila do Cabo - final de 2002.



segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

"CHEIROS DA VIDA" - nº 67 - MAIS PROBLEMAS PELA FRENTE...


          


               Não sei há quanto tempo estou afastado destas linhas.
          De repente um inesperado e patológico fastio afastou-me das recordações. Este exercício de lembrar é quase sempre prazeroso. Algumas vezes, no entanto, não o foi.
          O reviver fez-me bem em muitas ocasiões e, de certo modo, alimentou minha alma para esta quadra da vida muito marcante.
          Sem rodeios: “caiu a ficha”, como diz amiúde minha mulher; não estou aceitando a chegada célere da velhice.
          Os cabelos embranqueceram de vez, a saúde tem dado sinais repetidos de falência: primeiro foi a próstata que cresceu, operação em janeiro de 1998; depois foi a hérnia, operação em fevereiro de 1999.
          Numa ensolarada segunda-feira de agosto de 2001 depois de um dia agradável com um céu de um azul que só se vê em Arraial, cansado, mas com a alma leve após ter instalado meu computador e montado várias estantes de metal na garagem, na sauna e no anexo, uma súbita intoxicação me derrubou.
          Hemorragia intestinal, vômitos, desmaios e a pressão arterial indo a 7 x 4.
          Resultado: uma desidratação forte, anemia significativa e três dias de internação na Casa de Saúde Santa Helena em Cabo Frio.
          Cada vez mais se repetem as visitas ao cardiologista Dr. Newton, ao protologista Dr. Klaus, ao urologista Dr. Paulo, ao clínico Dr. Vicente e por ai vai.
          Tudo isso será tratado no seu devido tempo, se houver tempo é claro...
          O que interessa: não estou nada animado para enfrentar o que vem pela frente.
          Na verdade não me arrependo de quase nada que fiz durante esses pouco mais de 60 anos de vida. No entanto, se fosse me dada a fidalguia de viver de novo muitas coisas faria diferente.
          Disso estou certo.
          Dei muita importância ao trabalho, ao ganhar mais, ao comprar mais, em garantir o futuro e certamente esqueci muito do presente. esqueci muito de mim, me cobrei demais e não consegui desenvolver o dom  de perdoar qualquer falha ou deslize de mim mesmo....
          Não dei a devida atenção ao poema de Borges quando diz: “... Se eu pudesse voltar a viver, começaria a andar descalço no começo da primavera e continuaria assim até o fim do outono. Daria mais voltas na minha rua, contemplaria mais amanheceres e brincaria com mais crianças, se tivesse outra vez uma vida pela frente...”.
         Tantas vezes lido outras tantas ignorado. O doloroso é saber que não existirá o “outra vez uma vida”.
Dizem para mim: “ainda tens muito pela frente!”. Com o espírito abatido fica difícil acreditar em tal afirmativa.
         Há pouco mais de um mês meu filho Alexandre foi atropelado irresponsavelmente em Cabo Frio. Duas operações com muita dor e sofrimento. Chorei muito por dentro. Infelizmente não correram lágrimas. Cada vez mais tenho dificuldades de dar espaço ao choro molhado, aquele que alivia.
         Sofro calado com as dificuldades de Claudia na busca de um trabalho condigno à sua inteligência e formação, em suas dificuldades para criar Gabriela; sofro com  pena de minha neta em não ter os pais junto dela e me penaliza minha impotência para ajudar a resolver as dificuldades profissionais de Ricardo... 
         Resultado: acabo de chegar do Hospital Tijucor depois de uma crise cardíaca.
         Mais problemas pela frente: “... não foi enfarto. Algo, no entanto não está bem com seu coração...”, solenemente pronunciou-se o médico de plantão.
         Mais problemas pela frente...
   
         - Trecho de me livro "Cheiros da Vida" escrito provavelmente no verão de 2003.




A T E N Ç Ã O


AVISO EMITIDO POR UM QUERIDO AMIGO QUE INTERESSA A TODOS QUE VISITAM ESSE MODESTO BLOG :

Um detalhe técnico: o texto no seu blog estava meio misturado, com uns caracteres estranhos. Pesquisei e soube que é um problema do Internet Explorer 9 com alguns sites, incluindo o Blogspot que você usa. Usei então o Chrome (browser da Google) para acessar o site e apareceu tudo certinho. Então, se alguém reclamar que seu blog está esquisito, sugere usar o Chrome. Até existem outras soluções, mas essa é a mais prática.

domingo, 2 de dezembro de 2012

"CHEIROS DA VIDA" - Nº 66 - O PRÊMIO


                                        

            Depois de muita confabulação finalmente o novo nome do curso foi escolhido.
          Tirando a “fria” que meu sócio aprontou com a tal entrega das cadeiras, nossa sociedade foi muito profícua, sem turbulências e baseada numa perenal mútua confiança.
          “Centro de Estudos Preparatórios às Escolas Superiores”.
          CEPES esse o novo nome.
          Evidentemente as obras não terminaram no prazo previsto, mas isso não era o mais importante, afinal o Dr. Nazareth nos havia garantido a permanência em sua sala pelo período que se fizesse necessário.
          O fundamental era que as obras tivessem bom acabamento, salas arejadas e bem iluminadas. Em cada um das salas foi instalada uma imensa lousa verde, novidade para época, acostumada com os tradicionais quadros-negros. Essa opção  viria dar mais conforto ao mister de preparar aqueles rapazes e moças para os exames vestibulares.
          Nosso sucesso dependia do sucesso de nossos alunos e isso certamente viríamos a conquistar, com muito trabalho, evidentemente. E estávamos conquistando passo-a-passo.
          Na segunda-feira dia 3 de junho de 1963 inauguramos com um rápido coquetel no intervalo entre as duas primeiras aulas. Em ano de vestibular e o tempo destinado a festas deveria ser parcimonioso. Nada que prejudicasse o ritmo da preparação. Pelo menos era assim que acontecia.
          Estávamos felizes. 
          Ivan e eu tínhamos alcançado uma  grande vitória.
          A solenidade apesar de rápida teve seu charme. Estiveram presentes nossas namoradas Cleide e Tania, nossos futuros sogros, nossos pais e ainda meu irmão Luiz César e minha cunhada Maria Helena.
          Alguns discursos, o brinde com champanha, alguns doces e salgados.
          Sem muito tempo a perder, o retorno às salas de aula.
          Saboreei com mais uma noite insone minha conquista. 
          Meus pensamentos estavam invadidos pela linda imagem de minha namorada, seu perfume e seu beijo delicado. Merecido prêmio pela batalha vencida.
          A peleja seria longa...


        - Trecho de meu livro "Cheiros da Vida" escrito em Arraial do Cabo em 2002.

terça-feira, 27 de novembro de 2012

"CHEIROS DA VIDA" - nº 65 - O CHEQUE SALVADOR


                   


-         Amanhã chegam 80 carteiras para as salas de aula, 70 com a prancheta do lado direito e 10 do lado esquerdo especialmente feitas para os canhotos. A marca é Kastrup, o melhor que existe em matéria de cadeiras escolares, e terás que pagar 50% ao entregador.
-         Ivan! Pelo amor de Deus! Você ficou maluco? Estamos quase sem dinheiro em caixa.
-         Não foi isso o combinado?
-         O combinado era que você iria fazer uma pesquisa nas casas de móveis.
-         Pesquisei.
-         E daí?
-         Eu não tenho como falar com você. Esperei seu telefonema até anteontem. O preço estava bom e ainda consegui um desconto com pagamento em duas vezes. Agora se vira.
-         Virar como?
-         Deixa-me entrar em sala que está no meu horário.
-         O quê eu faço?
-         Não tenho a mínima idéia.

          Fiquei alguns minutos batendo com a ponta do lápis na mesa, olhar no infinito; uma vontade danada de estrangular o Ivan. Afinal as obras do novo curso ainda não estavam terminadas, as finanças à míngua e ainda faltavam alguns dias para o dinheiro novo do mês entrante.
          Carteiras agora? Não seria colocar a carroça na frente dos bois?
          Respirei fundo. Não havia tempo a perder. Rumei para casa do Saboia sem mesmo saber se lá estaria solução.
          Mal toquei a campainha, Luíza fez seu costumeiro alvoroço, tudo fazendo para eu perder a pose.
-         Dona Léa coloca mais um prato que o Leal janta conosco.
-         Não é nada disso, menina!
-         Vai dispensar um jantarzinho?
-         Preciso falar urgentemente com seu pai.
-         Depois do jantar.

          Custei a arranjar um jeito e coragem para falar do meu problema com Dr. Luiz.
          Ao fim da minha arenga o Dr Luiz com toda calma, simplesmente disse:
               -   Onde você está vendo problema?
               -   O senhor me conhece a tão pouco tempo e, não ofereço nenhuma garantia de como e quando saldar essa dívida.
               -   Continuo não vendo onde está o problema! 
               
          Saí de barriga cheia e com um cheque de Cr$ 30.000,00 louco para esfregá-lo na cara do meu sócio tresloucado.
          O futuro haveria de nos ajudar a honrar aquele compromisso. E ajudou...


          - Trecho do meu livro "Cheiros da Vida" escrito em 2002 (parte)



quarta-feira, 21 de novembro de 2012

'CHEIROS DA VIDA" - nº 64 -A "O OPEA""


                                        


          “O futuro do planeta e a sobrevivência da sociedade dependem do que fazemos no presente”.
Este é o fecho do documento chamado Carta de Petrópolis decorrente do 4º Encontro Nacional do Movimento de Cidadania pelas Águas que aconteceu agora no passado mês de março.
          Torna-se cada vez mais irritantemente evidente que a poluição produzida nos rios deriva substancialmente da utilização de agrotóxicos nas plantações, agentes químicos responsáveis pela degradação ambiental e que são impostos para consumo do Terceiro Mundo por poderosos grupos transnacionais.
          Possivelmente a água estará para o século XXI como o petróleo esteve para o século XX.
          Apesar de a terra ser chamada por alguns de Planeta Água o modelo de sua distribuição no globo terrestre é bem preocupante principalmente considerando a pouca importância dada pelos governantes a essa problemática.
          A distribuição da água no globo terrestre obedece ao seguinte modelo: 97,5% de água salgada dos mares e oceanos; 2,493%  na forma sólida em geleiras ou aquíferos em regiões subterrâneas de difícil acesso; 0,007%, finalmente, é água doce encontrada nos rios, lagos sendo a única apta ao consumo humano.
          A ONU adverte, por sua vez: nos próximos vinte e cinco anos nada menos de 2,8 bilhões de pessoas poderão viver em regiões marcadas pela sede crônica, considerando, sobretudo que quase todos os nossos cem mil cursos d'água estão afetados por alguma forma de poluição.
          O Brasil detém quase 20% da reservas de água doce mundial e dizem alguns já deveria estar pensando na criação de uma Organização dos Países Exportadores de Água (Opea) nos mesmos moldes da Opep, pois fica evidente que a água será a grande riqueza do século XXI.
          Outro dado impressionante: uma pessoa consome, em média, 150 litros de água por dia. Já para produzir um quilo de alumínio se consome 1.300 litros e para gerar um quilo de carne bovina são necessários 18 mil litros de água doce.
          Esperemos que as autoridades brasileiras despertem para essa problemática.


         - Trecho de meu livro "Cheiros da Vida" escrito em Arraial do Cabo em 2002 (parte)





terça-feira, 20 de novembro de 2012

EXTRA - MINHAS CANTORAS INESQUECÍVEIS

Todas as músicas selecionadas a seguir  significam algo importante para mim em alguma fase de minha vida.

Poderia mesmo destacar que elas falam, por assim dizer, algo que senti a cada momento, principalmente aqueles significativos na fase da minha juventude e início da maturidade. Estágio de aprendizado e de busca por um caminho seguro para percorrer.

Cada uma delas tem haver com momentos marcantes de minha existência,  bem como são interpretadas por cantoras que acariciaram para sempre minha alma.

ZK