por José Carlos Coelho Leal

domingo, 2 de dezembro de 2012

"CHEIROS DA VIDA" - Nº 66 - O PRÊMIO


                                        

            Depois de muita confabulação finalmente o novo nome do curso foi escolhido.
          Tirando a “fria” que meu sócio aprontou com a tal entrega das cadeiras, nossa sociedade foi muito profícua, sem turbulências e baseada numa perenal mútua confiança.
          “Centro de Estudos Preparatórios às Escolas Superiores”.
          CEPES esse o novo nome.
          Evidentemente as obras não terminaram no prazo previsto, mas isso não era o mais importante, afinal o Dr. Nazareth nos havia garantido a permanência em sua sala pelo período que se fizesse necessário.
          O fundamental era que as obras tivessem bom acabamento, salas arejadas e bem iluminadas. Em cada um das salas foi instalada uma imensa lousa verde, novidade para época, acostumada com os tradicionais quadros-negros. Essa opção  viria dar mais conforto ao mister de preparar aqueles rapazes e moças para os exames vestibulares.
          Nosso sucesso dependia do sucesso de nossos alunos e isso certamente viríamos a conquistar, com muito trabalho, evidentemente. E estávamos conquistando passo-a-passo.
          Na segunda-feira dia 3 de junho de 1963 inauguramos com um rápido coquetel no intervalo entre as duas primeiras aulas. Em ano de vestibular e o tempo destinado a festas deveria ser parcimonioso. Nada que prejudicasse o ritmo da preparação. Pelo menos era assim que acontecia.
          Estávamos felizes. 
          Ivan e eu tínhamos alcançado uma  grande vitória.
          A solenidade apesar de rápida teve seu charme. Estiveram presentes nossas namoradas Cleide e Tania, nossos futuros sogros, nossos pais e ainda meu irmão Luiz César e minha cunhada Maria Helena.
          Alguns discursos, o brinde com champanha, alguns doces e salgados.
          Sem muito tempo a perder, o retorno às salas de aula.
          Saboreei com mais uma noite insone minha conquista. 
          Meus pensamentos estavam invadidos pela linda imagem de minha namorada, seu perfume e seu beijo delicado. Merecido prêmio pela batalha vencida.
          A peleja seria longa...


        - Trecho de meu livro "Cheiros da Vida" escrito em Arraial do Cabo em 2002.

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