1962 foi um ano de muita
luta e pouco dinheiro.
Em 1963, as coisas começavam
a melhorar.
No curso já funcionavam turnos
pela manhã e à tarde, além do tradicional horário noturno.
Com mais professores abrindo
o leque das especialidades ampliavam-se os atendimentos com turmas
preparatórias para os cursos de ciências econômicas, direito e medicina.
E a novidade...
A moda agora era ser
“economista”. Rapidamente esgotaram-se as vagas. Muito bom para nós, péssimo
para o Brasil.
Atropelaram a história
Os economistas alastraram-se
rapidamente pelos órgãos públicos. Em decorrência foram criados pomposos órgãos
com afetadas siglas. Rapidamente vicejou no país uma plêiade de profissionais
de bom nível técnico e linguagem ininteligível para os pobres mortais.
Criou-se até uma língua hermética, o “economês”.
Criou-se até uma língua hermética, o “economês”.
Com péssima sensibilidade
para o social e um desconhecimento profundo das necessidades e aspirações do
indivíduo onde números, porcentagens as estatísticas e artísticos gráficos prevaleciam ao ser humano.
Ao cidadão representado
apenas por uma fria cifra sem alma passou-se a impingir planos, programas,
metas e sei lá quais parafernálias mais.
O futuro seria de fausto.
Pelo menos era o que previam os mais insignes economistas tupiniquins.
Os jornalistas começaram a
exorbitar de suas funções de bem informar aderindo ao novo vernáculo.
Os leitores sem muito entender acabaram por adotar palavras nas conversas de todo dia num linguajar para “eruditos” que soava bonito: agregado monetário, âncora cambial, indexação, quase-moeda, taxa selic, viés, risco-país...
Os leitores sem muito entender acabaram por adotar palavras nas conversas de todo dia num linguajar para “eruditos” que soava bonito: agregado monetário, âncora cambial, indexação, quase-moeda, taxa selic, viés, risco-país...
Mais bonito ainda quando o
idioma era do primeiro mundo: break-even-point, hedge, overnight, trade-off...
E mais: programas e teorias
que no fundo desmentiam o que pregavam e, cada vez mais eram cativos do capital
especulativo e da ambição desmedida do capitalismo-selvagem. Assim veio o Fundo
de Amparo ao Trabalhador e tais, culminando com o célebre Consenso de
Washington, a pedra de toque do neoliberalismo, um absurdo que desmantelou de
vez os países em desenvolvimento.
Nunca se falou tanto em
qualidade de vida e a vida ficou cada vez mais sem qualidade, cheia de frios
números e a esperança sempre sendo empurrada para quando o bolo já crescido
poderia ser dividido.
Até hoje esperamos pelo
fermento milagroso.
O mais triste: de certo modo
ajudamos a fabricar esses algozes, aborteiros de sonhos e ideais.
Nada melhor par fechar essa crônica do que apresentar um pensamento do Economista Roberto Campos talvez o maior que este país já teve:
Nada melhor par fechar essa crônica do que apresentar um pensamento do Economista Roberto Campos talvez o maior que este país já teve:
| "Há três maneiras de o homem conhecer a ruína: a mais rápida é pelo jogo; a mais agradável é com as mulheres; a mais segura é seguindo os conselhos de um economista." |
— Roberto Campos
|
- Trecho de meu livro "Cheiros da Vida" escrito em Arraial do Cabo ao longo dos nos de 2001, 2002 e verão de 2003.
Nenhum comentário:
Postar um comentário