por José Carlos Coelho Leal

sábado, 19 de abril de 2014

"CHEIROS DA VIDA" - 99 - SEMPRE GOSTEI DE DAR AULAS

   




               Desde menino sempre gostei de dar aulas. Não raramente reunia um grupo de amigos mais novos, Yara, entre eles, e improvisava uma escolinha utilizando um pequeno quadro-negro com cavalete de madeira que mamãe dera lá pelos meus nove ou dez anos.

          Era uma brincadeira, mas as aulas verdadeiras. Quase sempre aritmética ou noções de geometria. Um pouco mais tarde: álgebra, desenho geométrico e assemelhados.


          Depois, já cursando o Científico, comecei a dar aulas particulares ou mesmo para pequenos grupos. Mais do que dobrava minhas mesadas com esses expedientes. Aulas nas residências dos alunos ficavam mais caras.


         Em Petrópolis  veio a minha realização definitiva. Ministrando aulas para valer no Colégio Werneck, no Ginásio Estadual Washington Luiz e, no meu curso CEPES ganhava bom dinheiro; tornei-me um profissional reconhecido e, tinha muito prazer no que fazia.


        Naquela época um professor era respeitado e o salário, pelo menos para mim, era bastante atrativo. Por incrível que pareça as aulas mais bem remuneradas eram aquelas dadas no Ginásio Estadual. Nesse sentido nada tinha a reclamar, a não ser um desagradável incidente, com final feliz que relatarei num dos próximos capítulos.


          Procurando sempre inovar e tornar a Matemática uma ciência simples, útil e, por incrível que parecesse agradável, procurava acabar com os mistérios e a fama de "matéria complicada" que os professores de então propagavam com a finalidade de valorizar sua profissão. As portas se abriram para mim como já relatei em alguns capítulos anteriores.


          Deixando de lado a modéstia, posso afirmar que minha carreira em Petrópolis foi um sucesso dando para mim uma confiança que valeu para vida toda.


          Confesso que as aulas que mais me agradavam prestar eram aquelas do último tempo às segundas, quartas e sextas para a turma do Terceiro Científico, das vinte e duas até às vinte e duas e cinquenta horas no Ginásio Estadual.


          Paradoxalmente era uma turma sem nenhuma base, porém talvez pela maior maturidade dos alunos, quase todos trabalhadores no comércio, fábricas e bancos comerciais que demostravam grande aplicação e esforço para aproveitar ao máximo o que lhes era ensinado.


          Logo ao chegar na calçada fronteira ao Colégio encontrava metade da turma sentada na mureta do jardim à espera da minha derradeira aula.  Usualmente tinham "matado" a aula anterior pois, detestavam o mestre responsável pela matéria. Ficava intimamente lisonjeado com a deferência de meus alunos, apesar de alertá-los que a atitude deles estava completamente errada.


         Essas turmas eram normalmente tão sem base que gastava um semestre só revisando os temas principais dos anos anteriores para que pudessem acompanhar com algum proveito o que prescrevia o programa oficial do Colégio para o Terceiro Científico. Demonstravam surpresa com a simplicidade de entendimento de algo tão "misterioso" para eles alguns anos atrás.


      - Trecho de meu livro "Cheiros da Vida" escrito ao longo do anos de 2004 na cidade Arraial do Cabo

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