por José Carlos Coelho Leal
terça-feira, 22 de abril de 2014
"CHEIROS DA VIDA" - 100 - "ADIANDO O ENFRENTAMENTO DA REALIDADE"
Todas as minhas preocupações deixaram de existir logo aos primeiros dias. Pedrinho se mostrava a cada dia mais adaptado aos nossos hábitos e, se tornou uma companhia muito agradável; seu temperamento alegre e descontraído fazia bem a todo o grupo, principalmente a mim que vivia sempre atormentado com horários de aulas e demais preocupações de como bem administrar o CEPES que já se tornara uma referência para os estudantes de Petrópolis.
Até aquelas atitudes de "garotão" faziam bem para mim; confesso uma pontinha de inveja pois, no fundo, desejava estar aproveitando um pouco das delícias de ser um universitário livre e solto naquela cidade. Lembrava sempre das palavras do Dr. Pedro Siqueira: "faça como o Pedrinho e aproveite mais a vida".
Quando dei por mim já havia entrado novamente naquele ritmo frenético não sobrando tempo para o lazer. Sentia, agora, com mais realismo que estava abusando de minha saúde.
Por mais de uma vez me senti muito mal a ponto de correr até a Telefônica e ligar para o trabalho do Guido, na SURSAN, dizendo que ia pegar o primeiro ônibus para o Rio; então, pedia que ele me esperasse na Rodoviária para me dar uma carona. Estava muito mal mesmo.
Dentro do ônibus passava "maus bocados" e, a tensão era tanta que fechava ambas as mãos com toda força; as unhas chegavam a ferir minhas palmas. Tinha a nítida impressão que ao abri-las iria desmaiar ou até morrer.
As viagens pareciam cada vez mais longas...
Bastava o ônibus circular até a plataforma do Rodoviária Mariano Procópio, na Praça Mauá. vislumbrar o meu irmão Guido a me esperar e tudo cessava.
Ia até seu escritório, esperava o final de seu expediente e antes das 20 horas estava em casa.
Em casa tudo corria bem. Tomava um bom banho, jantava apreciando aquele gostinho da comida de mamãe e. assistia televisão e pouco depois das dez já estava na cama.
Não sentia absolutamente nada!
Na manhã seguinte voltava para Petrópolis e retomava minha rotina como se nada tivesse acontecido. Tudo isso até uma próxima crise que poderia acontecer daqui a quinze dias ou, a qualquer momento e, cada vez, com maior frequência e intensidade.
Esses acontecimentos me deixavam bastante preocupado. Isso teria que ter um paradeiro. Vivia adiando o enfrentamento da realidade. Aquele ano tinha que ser levado até o fim custasse o que custasse. No meu íntimo não abria mão disso.
Nem imaginava que nova tormenta se aproximava de mim. Isso será assunto para o próximo capítulo.
- Trecho do meu livro "Cheiros da Vida" escrito em Arraial do Cabo ao final de 2004.
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