por José Carlos Coelho Leal

quarta-feira, 30 de abril de 2014

"CHEIROS DA VIDA" - 102 - "PEQUENA HOMENAGEM AO MESTRE CORONEL MIGUEL DE ASSIS VIEIRA"




       
          Ás oito horas estávamos todos na Faculdade.

       Aos sábados tínhamos aula em tempo integral. Posso estar enganado mas, a prova propriamente dita, de Tecnologia Mecânica seria no tempo de dez ao meio-dia. A nota daquela prova escrita faria média com a nota das aulas práticas que tínhamos às segundas-feiras no Rio de Janeiro, nas oficinas da Escola Técnica Nacional, onde hoje fica o CEFET, ali nas proximidades da Praça da Bandeira.

          Assim foi. Fiz boa prova somando os meus conhecimentos aos de alguns parceiros, naturalmente. O mestre Coronel Miguel de Assis Vieira,  um amigo para sempre de todos nós, bem que chegou por uma ou duas vezes a flagrar meus pedidos de auxílio mas desviou os olhos e fingiu não ver.

         Terminada a prova meio-dia já longe fomos todos almoçar no Majórica e o Professor Miguel nos acompanhou. À tarde teríamos mais dois tempos de aula com ele. Na calçada fronteira o Miguel segurou no meu braço e nos afastamos do grupo.

          - Professor Leal!

          - Mestre! Por que esse tratamento?

          - Não somos colegas?

          - Mas...

          - Por isso gosto muito de dar aulas na Universidade de Petrópolis. As turmas sendo relativamente pequenas nos permite esta intimidade e, eu conheço praticamente a história de todos os alunos. Isso facilita muito nosso entendimento. Sei de tudo que vem acontecendo com você. Não serei eu que irá colocar mais obstáculo na sua corrida.

         - Obrigado Mestre!

         - Não faço mais do que manda minha consciência.

         - Professor Miguel, fico-lhe devidamente agradecido. Está nos meus  planos o ano que vem (1965) me transferir para o Rio, para a Universidade do Estado da Guanabara e, irei para o curso de engenharia civil que faz mais a minha cabeça. Alias,  trabalhei em Construção Civil com o meu irmão Guido entre 1959 e 1961. inclusive obras para a Carteira Hipotecária do Clube Militar; a empresa era a Severo e Vilares, uma das mais respeitáveis construtoras da época. Meu irmão chefiava um setor de engenheiros condutores de obras. Para voltar para o Rio há o que decidir com relação ao meu curso vestibular CEPES. Minha decisão é vendê-lo. Resta a concordância de meu sócio Ivan.

         - Faça isso. Assim terei certeza que contribui um pouco com uma carreira brilhante que sei que você haverá de realizar. Conte sempre comigo. Respeito muito seu esforço.

        - Assim o senhor me deixa sem graça. Mais uma vez obrigado!  Aliás, espero me casar em julho do ano que vem. O Senhor receberá meu convite e ficarei muito feliz com sua presença. Tudo vai dar certo! Tenho fé que Deus estará comigo!...

        - Sei que em sendo nós colegas professores conscientes você agiria assim também. Muita força! Você vai precisar. Vamos almoçar senão não sobra nada para nós.

         - Mais uma vez obrigado Mestre!!!

          - Trecho de meu livro "Cheiros da Vida" escrito em Arraial do Cabo ao início de 2005

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