por José Carlos Coelho Leal
quarta-feira, 30 de abril de 2014
"CHEIROS DA VIDA" - 102 - "PEQUENA HOMENAGEM AO MESTRE CORONEL MIGUEL DE ASSIS VIEIRA"
Ás oito horas estávamos todos na Faculdade.
Aos sábados tínhamos aula em tempo integral. Posso estar enganado mas, a prova propriamente dita, de Tecnologia Mecânica seria no tempo de dez ao meio-dia. A nota daquela prova escrita faria média com a nota das aulas práticas que tínhamos às segundas-feiras no Rio de Janeiro, nas oficinas da Escola Técnica Nacional, onde hoje fica o CEFET, ali nas proximidades da Praça da Bandeira.
Assim foi. Fiz boa prova somando os meus conhecimentos aos de alguns parceiros, naturalmente. O mestre Coronel Miguel de Assis Vieira, um amigo para sempre de todos nós, bem que chegou por uma ou duas vezes a flagrar meus pedidos de auxílio mas desviou os olhos e fingiu não ver.
Terminada a prova meio-dia já longe fomos todos almoçar no Majórica e o Professor Miguel nos acompanhou. À tarde teríamos mais dois tempos de aula com ele. Na calçada fronteira o Miguel segurou no meu braço e nos afastamos do grupo.
- Professor Leal!
- Mestre! Por que esse tratamento?
- Não somos colegas?
- Mas...
- Por isso gosto muito de dar aulas na Universidade de Petrópolis. As turmas sendo relativamente pequenas nos permite esta intimidade e, eu conheço praticamente a história de todos os alunos. Isso facilita muito nosso entendimento. Sei de tudo que vem acontecendo com você. Não serei eu que irá colocar mais obstáculo na sua corrida.
- Obrigado Mestre!
- Não faço mais do que manda minha consciência.
- Professor Miguel, fico-lhe devidamente agradecido. Está nos meus planos o ano que vem (1965) me transferir para o Rio, para a Universidade do Estado da Guanabara e, irei para o curso de engenharia civil que faz mais a minha cabeça. Alias, trabalhei em Construção Civil com o meu irmão Guido entre 1959 e 1961. inclusive obras para a Carteira Hipotecária do Clube Militar; a empresa era a Severo e Vilares, uma das mais respeitáveis construtoras da época. Meu irmão chefiava um setor de engenheiros condutores de obras. Para voltar para o Rio há o que decidir com relação ao meu curso vestibular CEPES. Minha decisão é vendê-lo. Resta a concordância de meu sócio Ivan.
- Faça isso. Assim terei certeza que contribui um pouco com uma carreira brilhante que sei que você haverá de realizar. Conte sempre comigo. Respeito muito seu esforço.
- Assim o senhor me deixa sem graça. Mais uma vez obrigado! Aliás, espero me casar em julho do ano que vem. O Senhor receberá meu convite e ficarei muito feliz com sua presença. Tudo vai dar certo! Tenho fé que Deus estará comigo!...
- Sei que em sendo nós colegas professores conscientes você agiria assim também. Muita força! Você vai precisar. Vamos almoçar senão não sobra nada para nós.
- Mais uma vez obrigado Mestre!!!
- Trecho de meu livro "Cheiros da Vida" escrito em Arraial do Cabo ao início de 2005
domingo, 27 de abril de 2014
sábado, 26 de abril de 2014
"CHEIROS DA VIDA" - 101 - UMA TRAGÉDIA SE APROXIMA
Será muito penoso escrever as próximas linhas.
Tenho um compromisso comigo mesmo que deve ser respeitado, qual seja, percorrer todo meu passado e, nesse "inventário de saudades", devem constar, como assim tem acontecido, os bons e maus momentos que vivi.
Voltemos à nossa narrativa.
Numa sexta-feira, fins de outubro de 1964, apressei o passo para chegar o mais cedo possível ao apartamento pois no dia seguinte, às oito da manhã, tínhamos uma prova importante a prestar na faculdade.
Para minha surpresa estavam todos já deitados e corria solto um papo meio sério.
- Zé Carlos, foi bom você chegar: conte para o Pedrinho o que aconteceu neste fim de semana com teu colega do São José que estava em lua-de-mel em Teresópolis.
- Falar de coisa triste nessa hora?
- É importante. Temos que botar na cabeça do Pedrinho que esse hábito de se trancar todo no apartamento não é nada saudável.
- Eu sinto frio porra! Muito frio. Não me acostumo com esse clima por nada. Claro que tenho que me proteger! Ou vocês acham que vou abordar os "brotinhos" da serra com o nariz escorrendo igual a um "bebê chorão"?!!!
- Pedrinho, é claro que não. Agora, o que aconteceu com meus amigos foi muito triste.
- Não me diga que você não sabe? saiu em todos os jornais de segunda-feira - arrematou o Fernando.
- Segunda eu vim para cá e não vi mais jornal algum. Afinal vivo muito ocupado...
- Praticando seu esporte preferido, não é mesmo?
- Poxa Fernando, tenho que aproveitar. Coloco uma roupinha bem "kar", calço minha "sapatorra" bem lustrada e vou à vida. O Zé Carlos é que está em outra. Trabalhando feito um touro para se casar. Para mim ainda é muito cedo para enfiar no dedo uma "bambolê-de-otário"! (*)
- Presta atenção Pedrinho!
- Fala Zé.
- O Catí - Carlos Henrique - e sua noiva estavam na casa de veraneio, se não me engano da família dele, em Teresópolis, passando dias da lua- de-mel, sozinhos como é de praxe. Com todo aquele romance faram tomar banho juntos e. imagina-se muito longo, evidentemente. Devido ao frio trancaram-se todo e a consequência foi essa: morreram juntos. Intoxicados pelo gás de bujão. É de arrepiar...
- E daí?
- Igualzinho ao que você faz, Pedrinho.
- Ahhhh!
Depois a conversa foi diminuindo de ritmo e, rapidamente. até eu, estava dormindo.
(*) - Nesse parágrafo uso duas palavras que merecem uma explicação:
- Kar - palavra criada pelo cronista social Ibrahin Sued de "O GLOBO" que significava elegante, bem-vestido, chique, "nos trinques".
- Bambolê-de-otário: o mesmo que "aliança de casamento" que os noivos usam nos dedo anular da mão direita. O bambolê foi criado no Egito há cerca de 3.000 anos. Foi lançado com sucesso nos Estados Unidos em 1958. Era um aro de plástico que se fazia girar em volta da cintura. Com o desenvolver da brincadeira poder-se-ia fazê-lo girar em volta das pernas, pés, braços, pescoço e por ai vai. Inclusive utilizando-se vários bambolês com movimentos inversos entre si.
- Trecho do meu livro "Cheiros da Vida" parcialmente escrito em Arraial do Cabo.
sexta-feira, 25 de abril de 2014
E X T R A - ONDE FOI PARAR O AÇO DO WORLD TRADE CENTER ???
Onde foi parar o Aço do World Trade Center ?
Vejam onde foi parar. Quem é pobre recicla!
Memorial flutuante !
Aqui está ele! O navio feito com aço do World Trade Center.





Foi construído com 24 toneladas de fragmentos de aço do World Trade Center .
Este é o 5º numa nova classe de navios de guerra - projetados para missões que incluem operações especiais contra terroristas. Carregará uma tripulação de 360 marinheiros e 700 marines combatentes prontos para sair e atuar através de helicópteros e embarcações de ataque.
O aço do World Trade Center foi derretido numa fundição em Amite, Los Angeles para moldar a parte curva do navio. Quando o aço derretido foi derramado nos moldes em 9 de setembro de 2003, "aqueles trabalhadores grandes e rústicos do aço trataram aquilo com total reverência", recordou o capitão da Marinha, Kevin Wensing, que estava lá. ' Foi um momento espiritual para todos lá. '
Junior Chavers, o gerente de operações da fundição, disse que assim que o aço do trade center chegou, ele o tocou com sua mão e "o cabelo da minha nuca se arrepiou". "Aquilo tinha um grande significado para todos nós" ele disse. " Eles nos golpearam. Eles não podem nos manter por baixo. Nós vamos voltar."
Este é o 5º numa nova classe de navios de guerra - projetados para missões que incluem operações especiais contra terroristas. Carregará uma tripulação de 360 marinheiros e 700 marines combatentes prontos para sair e atuar através de helicópteros e embarcações de ataque.
O aço do World Trade Center foi derretido numa fundição em Amite, Los Angeles para moldar a parte curva do navio. Quando o aço derretido foi derramado nos moldes em 9 de setembro de 2003, "aqueles trabalhadores grandes e rústicos do aço trataram aquilo com total reverência", recordou o capitão da Marinha, Kevin Wensing, que estava lá. ' Foi um momento espiritual para todos lá. '
Junior Chavers, o gerente de operações da fundição, disse que assim que o aço do trade center chegou, ele o tocou com sua mão e "o cabelo da minha nuca se arrepiou". "Aquilo tinha um grande significado para todos nós" ele disse. " Eles nos golpearam. Eles não podem nos manter por baixo. Nós vamos voltar."
O lema do navio? Nunca Esqueceremos!
SR PREFEITO ???
terça-feira, 22 de abril de 2014
"CHEIROS DA VIDA" - 100 - "ADIANDO O ENFRENTAMENTO DA REALIDADE"
Todas as minhas preocupações deixaram de existir logo aos primeiros dias. Pedrinho se mostrava a cada dia mais adaptado aos nossos hábitos e, se tornou uma companhia muito agradável; seu temperamento alegre e descontraído fazia bem a todo o grupo, principalmente a mim que vivia sempre atormentado com horários de aulas e demais preocupações de como bem administrar o CEPES que já se tornara uma referência para os estudantes de Petrópolis.
Até aquelas atitudes de "garotão" faziam bem para mim; confesso uma pontinha de inveja pois, no fundo, desejava estar aproveitando um pouco das delícias de ser um universitário livre e solto naquela cidade. Lembrava sempre das palavras do Dr. Pedro Siqueira: "faça como o Pedrinho e aproveite mais a vida".
Quando dei por mim já havia entrado novamente naquele ritmo frenético não sobrando tempo para o lazer. Sentia, agora, com mais realismo que estava abusando de minha saúde.
Por mais de uma vez me senti muito mal a ponto de correr até a Telefônica e ligar para o trabalho do Guido, na SURSAN, dizendo que ia pegar o primeiro ônibus para o Rio; então, pedia que ele me esperasse na Rodoviária para me dar uma carona. Estava muito mal mesmo.
Dentro do ônibus passava "maus bocados" e, a tensão era tanta que fechava ambas as mãos com toda força; as unhas chegavam a ferir minhas palmas. Tinha a nítida impressão que ao abri-las iria desmaiar ou até morrer.
As viagens pareciam cada vez mais longas...
Bastava o ônibus circular até a plataforma do Rodoviária Mariano Procópio, na Praça Mauá. vislumbrar o meu irmão Guido a me esperar e tudo cessava.
Ia até seu escritório, esperava o final de seu expediente e antes das 20 horas estava em casa.
Em casa tudo corria bem. Tomava um bom banho, jantava apreciando aquele gostinho da comida de mamãe e. assistia televisão e pouco depois das dez já estava na cama.
Não sentia absolutamente nada!
Na manhã seguinte voltava para Petrópolis e retomava minha rotina como se nada tivesse acontecido. Tudo isso até uma próxima crise que poderia acontecer daqui a quinze dias ou, a qualquer momento e, cada vez, com maior frequência e intensidade.
Esses acontecimentos me deixavam bastante preocupado. Isso teria que ter um paradeiro. Vivia adiando o enfrentamento da realidade. Aquele ano tinha que ser levado até o fim custasse o que custasse. No meu íntimo não abria mão disso.
Nem imaginava que nova tormenta se aproximava de mim. Isso será assunto para o próximo capítulo.
- Trecho do meu livro "Cheiros da Vida" escrito em Arraial do Cabo ao final de 2004.
E X T R A - MARCO ANTONIO VILLA E DILMA
(Peço licença aos meus poucos, mas fieis leitores, para transcrever, por oportuno, esse artigo do historiador Marco Antonio Villa)
O ESTADO DE S. PAULO
O Brasil é um país fantástico.Nulidades são transformadas em gênios da noite para o dia. Uma eficaz máquina de propaganda faz milagres.
Temos ao longo da nossa História diversos exemplos.O mais recente é Dilma Rousseff.
Surgiu no mundo político brasileiro há uma década. Durante o regime militar militou em grupos de luta armada, mas não se destacou entre as lideranças.Fez política no Rio Grande do Sul exercendo funções pouco expressivas. Tentou fazer pós graduação em Economia na Unicamp, mas acabou fracassando,não conseguiu sequer fazer um simples exame de qualificação de mestrado.
Mesmo assim,durante anos foi apresentada como "doutora" em Economia.Quis-se aventurar no mundo de negócios, mas também malogrou. Abriu em Porto Alegre uma lojinha de mercadorias populares, conhecidas como "de 1,99". Não deu certo. Teve logo de fechar as portas.
Caminharia para a obscuridade se vivesse num país politicamente sério. Porém, para sorte dela, nasceu no Brasil. E depois de tantos fracassos acabou premiada:virou ministra de Minas e Energia.Lula disse que ficou impressionado porque numa reunião ela compareceu munida de um laptop.Ainda mais: apresentou um enorme volume de dados que, apesar de incompreensíveis, impressionaram favoravelmente o presidente eleito.
Foi nesse cenário, digno de O Homem que Sabia Javanês, que Dilma passou pouco mais de dois anos no Ministério de Minas e Energia. Deixou como marca um absoluto vazio.Nada fez digno de registro.Mas novamente foi promovida. Chegou à chefia da Casa Civil após a queda de José Dirceu, abatido pelo escândalo do mensalão. Cabe novamente a pergunta: por quê? Para o projeto continuísta do PT a figura anódina de Dilma Rousseff caiu como uma luva. Mesmo não deixando em um quinquênio uma marca administrativa um projeto, uma ideia, foi alçada a sucessora de Lula.
Nesse momento, quando foi definida como a futura ocupante da cadeira presidencial, é que foi desenhado o figurino de gestora eficiente, de profunda conhecedora de economia e do Brasil, de uma técnica exemplar,durona,implacável e desinteressada de política.Como deveria ser uma presidente a primeira no imaginário popular.
Deve ser reconhecido que os petistas são eficientes.
A tarefa foi dura,muito dura.Dilma passou por uma cirurgia plástica, considerada essencial para, como disseram à época, dar um ar mais sereno e simpático à então candidata. Foi transformada em "mãe do PAC". Acompanhou Lula por todo o País. Para ela e só para ela a campanha eleitoral começou em 2008.Cada ato do governo foi motivo para um evento público, sempre transformado em comício e com ampla cobertura da imprensa. Seu criador foi apresentando homeopaticamente as qualidades da criatura ao eleitorado.Mas a enorme dificuldade de comunicação de Dilma acabou obrigando o criador a ser o seu tradutor, falando em nome dela e violando abertamente a legislação eleitoral.
Com base numa ampla aliança eleitoral e no uso descarado da máquina governamental, venceu a eleição. Foi recebida com enorme boa vontade pela imprensa. A fábula da gestora eficiente, da administradora cuidadosa e da chefe implacável durante meses foi sendo repetida. Seu figurino recebeu o reforço, mais que necessário, de combatente da corrupção.Também,pudera:não há na História republicana nenhum caso de um presidente que em dois anos de mandato tenha sido obrigado a demitir tantos ministros acusados de atos lesivos ao interesse público.
Com o esgotamento do modelo de desenvolvimento criado no final do século 20 e um quadro econômico internacional extremamente complexo,a presidente teve de começar a viver no mundo real. E aí a figuração começou a mostrar suas fraquezas. O crescimento do produto interno bruto (PIB) de 7,5% de 2010, que foi um componente importante para a vitória eleitoral, logo não passou de uma recordação.
Independentemente da ilusão do índice (em 2009 o crescimento foi negativo: -0,7%),apesar de todos os artifícios utilizados,em 2011 o crescimento foi de apenas 2,7%. Mas para piorar, tudo indica que em 2012 não tenha passado de 1%.Foi o pior biênio dos tempos contemporâneos, só ficando à frente,na América do Sul,do Paraguai.
A desindustrialização aprofundou-se de tal forma que em 2012 o setor cresceu negativamente: -2,1%.
O saldo da balança comercial caiu 35% em relação à 2011, o pior desempenho dos últimos dez anos,e em janeiro deste ano teve o maior saldo negativo em 24 anos.
A inflação dá claros sinais de que está fugindo do controle.
E a dívida pública federal disparou: chegou a R$ 2 trilhões.
As promessas eleitorais de 2010 nunca se materializaram.Os milhares de creches desmancharam-se no ar. O programa habitacional ficou notabilizado por acusações de corrupção. As obras de infraestrutura estão atrasadas e superfaturadas. Os bancos e empresas estatais transformaram-se em meros instrumentos políticos a Petrobrás é a mais afetada pelo desvario dilmista.
Não há contabilidade criativa suficiente para esconder o óbvio: o governo Dilma Rousseff é um fracasso.E pusilânime: abre o baú e recoloca velhas propostas como novos instrumentos de política econômica. É uma confissão de que não consegue pensar com originalidade.
Nesse ritmo, logo veremos o ministro Guido Mantega anunciar uma grande novidade para combater o aumento dos preços dos alimentos: a criação da Sunab.
Ah, o Brasil ainda vai cumprir seu ideal: ser uma grande Bruzundanga.
Lá, na cruel ironia de Lima Barreto, a Constituição estabelecia que o presidente "devia unicamente saber ler e escrever; que nunca tivesse mostrado ou procurado mostrar que tinha alguma inteligência; que não tivesse vontade própria; que fosse, enfim, de uma mediocridade total".
"Dilma, a Estela do terrorismo, a mais fraca dos presidentes da República, desde 1889"
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sábado, 19 de abril de 2014
"CHEIROS DA VIDA" - 99 - SEMPRE GOSTEI DE DAR AULAS
Desde menino sempre gostei de dar aulas. Não raramente reunia um grupo de amigos mais novos, Yara, entre eles, e improvisava uma escolinha utilizando um pequeno quadro-negro com cavalete de madeira que mamãe dera lá pelos meus nove ou dez anos.
Era uma brincadeira, mas as aulas verdadeiras. Quase sempre aritmética ou noções de geometria. Um pouco mais tarde: álgebra, desenho geométrico e assemelhados.
Depois, já cursando o Científico, comecei a dar aulas particulares ou mesmo para pequenos grupos. Mais do que dobrava minhas mesadas com esses expedientes. Aulas nas residências dos alunos ficavam mais caras.
Em Petrópolis veio a minha realização definitiva. Ministrando aulas para valer no Colégio Werneck, no Ginásio Estadual Washington Luiz e, no meu curso CEPES ganhava bom dinheiro; tornei-me um profissional reconhecido e, tinha muito prazer no que fazia.
Naquela época um professor era respeitado e o salário, pelo menos para mim, era bastante atrativo. Por incrível que pareça as aulas mais bem remuneradas eram aquelas dadas no Ginásio Estadual. Nesse sentido nada tinha a reclamar, a não ser um desagradável incidente, com final feliz que relatarei num dos próximos capítulos.
Procurando sempre inovar e tornar a Matemática uma ciência simples, útil e, por incrível que parecesse agradável, procurava acabar com os mistérios e a fama de "matéria complicada" que os professores de então propagavam com a finalidade de valorizar sua profissão. As portas se abriram para mim como já relatei em alguns capítulos anteriores.
Deixando de lado a modéstia, posso afirmar que minha carreira em Petrópolis foi um sucesso dando para mim uma confiança que valeu para vida toda.
Confesso que as aulas que mais me agradavam prestar eram aquelas do último tempo às segundas, quartas e sextas para a turma do Terceiro Científico, das vinte e duas até às vinte e duas e cinquenta horas no Ginásio Estadual.
Paradoxalmente era uma turma sem nenhuma base, porém talvez pela maior maturidade dos alunos, quase todos trabalhadores no comércio, fábricas e bancos comerciais que demostravam grande aplicação e esforço para aproveitar ao máximo o que lhes era ensinado.
Logo ao chegar na calçada fronteira ao Colégio encontrava metade da turma sentada na mureta do jardim à espera da minha derradeira aula. Usualmente tinham "matado" a aula anterior pois, detestavam o mestre responsável pela matéria. Ficava intimamente lisonjeado com a deferência de meus alunos, apesar de alertá-los que a atitude deles estava completamente errada.
Essas turmas eram normalmente tão sem base que gastava um semestre só revisando os temas principais dos anos anteriores para que pudessem acompanhar com algum proveito o que prescrevia o programa oficial do Colégio para o Terceiro Científico. Demonstravam surpresa com a simplicidade de entendimento de algo tão "misterioso" para eles alguns anos atrás.
- Trecho de meu livro "Cheiros da Vida" escrito ao longo do anos de 2004 na cidade Arraial do Cabo
quinta-feira, 17 de abril de 2014
E X T R A - UM POEMA POLÊMICO, QUANTO À AUTORIA E, MAIS DO QUE NUNCA, ATUAL
UM ALERTA OPORTUNO PARA TODOS
NÓS...
No Caminho, com Maiakóvski
Eduardo Alves da Costa
Eduardo Alves da Costa
Assim como a criança
humildemente afaga
a imagem do herói,
assim me aproximo de ti, Maiakóvski.
Não importa o que me possa acontecer
por andar ombro a ombro
com um poeta soviético.
Lendo teus versos,
aprendi a ter coragem.
humildemente afaga
a imagem do herói,
assim me aproximo de ti, Maiakóvski.
Não importa o que me possa acontecer
por andar ombro a ombro
com um poeta soviético.
Lendo teus versos,
aprendi a ter coragem.
Tu sabes,
conheces melhor do que eu
a velha história.
Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor
do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem:
pisam as flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia,
o mais frágil deles
entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a luz, e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada.
conheces melhor do que eu
a velha história.
Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor
do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem:
pisam as flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia,
o mais frágil deles
entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a luz, e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada.
Nos dias que correm
a ninguém é dado
repousar a cabeça
alheia ao terror.
Os humildes baixam a cerviz;
e nós, que não temos pacto algum
com os senhores do mundo,
por temor nos calamos.
No silêncio de me quarto
a ousadia me afogueia as faces
e eu fantasio um levante;
mas manhã,
diante do juiz,
talvez meus lábios
calem a verdade
como um foco de germes
capaz de me destruir.
a ninguém é dado
repousar a cabeça
alheia ao terror.
Os humildes baixam a cerviz;
e nós, que não temos pacto algum
com os senhores do mundo,
por temor nos calamos.
No silêncio de me quarto
a ousadia me afogueia as faces
e eu fantasio um levante;
mas manhã,
diante do juiz,
talvez meus lábios
calem a verdade
como um foco de germes
capaz de me destruir.
Olho ao redor
e o que vejo
e acabo por repetir
são mentiras.
Mal sabe a criança dizer mãe
e a propaganda lhe destrói a consciência.
A mim, quase me arrastam
pela gola do paletó
à porta do templo
e me pedem que aguarde
até que a Democracia
se digne aparecer no balcão.
Mas eu sei,
porque não estou amedrontado
a ponto de cegar, que ela tem uma espada
a lhe espetar as costelas
e o riso que nos mostra
é uma tênue cortina
lançada sobre os arsenais.
e o que vejo
e acabo por repetir
são mentiras.
Mal sabe a criança dizer mãe
e a propaganda lhe destrói a consciência.
A mim, quase me arrastam
pela gola do paletó
à porta do templo
e me pedem que aguarde
até que a Democracia
se digne aparecer no balcão.
Mas eu sei,
porque não estou amedrontado
a ponto de cegar, que ela tem uma espada
a lhe espetar as costelas
e o riso que nos mostra
é uma tênue cortina
lançada sobre os arsenais.
Vamos ao campo
e não os vemos ao nosso lado,
no plantio.
Mas ao tempo da colheita
lá estão
e acabam por nos roubar
até o último grão de trigo.
Dizem-nos que de nós emana o poder
mas sempre o temos contra nós.
Dizem-nos que é preciso
defender nossos lares
mas se nos rebelamos contra a opressão
é sobre nós que marcham os soldados.
e não os vemos ao nosso lado,
no plantio.
Mas ao tempo da colheita
lá estão
e acabam por nos roubar
até o último grão de trigo.
Dizem-nos que de nós emana o poder
mas sempre o temos contra nós.
Dizem-nos que é preciso
defender nossos lares
mas se nos rebelamos contra a opressão
é sobre nós que marcham os soldados.
E por temor eu me calo,
por temor aceito a condição
de falso democrata
e rotulo meus gestos
com a palavra liberdade,
procurando, num sorriso,
esconder minha dor
diante de meus superiores.
Mas dentro de mim,
com a potência de um milhão de vozes,
o coração grita - MENTIRA!
por temor aceito a condição
de falso democrata
e rotulo meus gestos
com a palavra liberdade,
procurando, num sorriso,
esconder minha dor
diante de meus superiores.
Mas dentro de mim,
com a potência de um milhão de vozes,
o coração grita - MENTIRA!
A controvérsia
A autoria de parte deste poema (grafada em vermelho) é atribuída ao
poeta soviético Maiakovski. Na verdade o autor é o poeta brasileiro,
o fluminense Eduardo Alves da Costa.
Sua publicação neste Blog é por demais oportuna tendo em vista a
situação social e política que vive nosso país nesses tempos.
É um alerta que devemos levar em conta com toda seriedade.
Outros autores publicaram poemas alertando para o mesmo tema.
Publicamos com fins ilustrativos estas criações, que em sua
essência, nos alertam para os mesmos problemas.
Seguem as versões:
Primeiro levaram os negros.
Mas não me importei com isso.
Eu não era negro.
Em seguida levaram alguns operários. Mas não me
importei com isso.
Eu também não era operário.
Depois prenderam os miseráveis.
Mas não me importei com isso. Porque não sou miserável.
Depois agarraram uns desempregados.
Mas como tenho meu emprego.
Também não me importei.
Agora estão me levando.
Mas já é tarde.
Como eu não me importei com ninguém.
Ninguém se importa comigo.
Bertold Brecht (1898 – 1956)
Um dia vieram e levaram meu vizinho que era judeu
Como não sou judeu, não me incomodei.
No dia seguinte, vieram e levaram meu outro vizinho
que era comunista.
Como não sou comunista, não me incomodei.
No terceiro dia vieram e levaram meu vizinho católico.
Como não sou católico, não me incomodei.
No quarto dia, vieram e me levaram;
já não havia mais ninguém para reclamar…
Martin Niemoller - Símbolo de resistência aos nazistas, 1933.
Primeiro eles roubaram nos sinais,
mas não fui eu a vítima;
Depois incendiaram os ônibus,
mas eu não estava neles;
Depois fecharam as ruas,
onde eu não moro;
Fecharam então o portão da favela,
que não habito;
Em seguida arrastaram até a morte uma criança,
que não era meu filho…
Cláudio Humberto, em Fevereiro de 2007
domingo, 13 de abril de 2014
sexta-feira, 11 de abril de 2014
"CHEIROS DA VIDA" - 98 - TUDO PARECIA COMEÇAR BEM
Terminada as aulas da noite, fechei o curso e, parti acelerado para casa. Esperava que o Pedrinho já estivesse chegado para completar a conversa que havíamos começado à tarde quando minha aula foi interrompida.
Como fazia todas as noites passei pela lanchonete do Seu Rafael que imediatamente preparou meu tradicional Toddy-duplo, sempre acompanhado de dois misto-quentes.
- O pessoal do seu apartamento já subiu. Parece que agora terei mais um freguês.
- Deve ser o Pedrinho meu novo hóspede.
- Parece um "grande praça".
- Espero que você tenha razão. O cara é "boa praça" mas, "fogo na roupa".
- Como assim?
- Vestiu saia: não é escocês nem é padre ele já fica atento. Espero que ele não tumultue o dia-a-dia do apartamento. Afinal estou atolado de trabalho e, preciso de tranquilidade para levar a bom termo minha missão.
- Vai dar tudo certo.
- Deus te ouça! Põe na conta; boa noite;
- Até!
A porta entreaberta do banheiro deixava vazar um pouco de luz. Fernando, Luizinho e
Pedrinho já deitados, conversavam meio embalados pelo sono que já envolvia a todos.
Pedrinho foi logo me adiantando: fica tranquilo que o Fernando já disse de todas as regras da casa e, os valores de contribuição. Garanto que serei um bom parceiro.
- Assim eu espero.
- Zé Karlos, vá dormir em paz. Afinal sei que você trabalha muito e, mais do que ninguém, sei que seu preparo físico anda rateando.
- Você está certo! Vou me arrumar e cair na cama. Amanhã às sete tenho que estar no Werneck.
- Boa Noite e obrigado Zé.
- Nada! Seja bem-vindo. Boa Noite...
- Trecho de meu livro "Os cheiros da vida" escrito ao longo de 2004 em Arraial do Cabo.
quinta-feira, 10 de abril de 2014
E X T R A - ÓTIMOS EXEMPLOS QUE TIVEMOS NA INFÂNCIA...
Ótimos exemplos que tivemos...
Agora é tarde...
Cheguei à conclusão de que a origem de nossas neuroses está em nossos heróis da infância.
O Tarzan corria pelado na selva e morava , literalmente, com uma macaca...
Cinderela só chegava em casa à meia noite e sem um sapato... Muito doida !
Aladim, era um ladrão vagabundo que só ficou "cheio da grana" porque achou o gênio da lâmpada...
Batman, dirigia a 320 km/h e tinha o Robin como "amigo inseparável". Ui !!...
Pinocchio era mentiroso pra cacete !
A Bela Adormecida não trabalhava e só queria saber de dormir...
Salsicha , do Scooby-Do, tinha voz de bicha apavorada , via fantasmas e conversava com um cachorro...( Freud ia adorar isso !!!)
Zé Colméia e Catatau eram cleptomaníacos pois roubavam cestas de pic-nic..
Branca de Neve ,"a santinha", morava , numa boa, com 7 homens (e todos menores)...
Olívia Palito sofria de bulimia e ninguém falava nada.
Popeye, foi o primeiro a "se bombar" numa Academia , se empanturrar de energético em lata e ainda fumar um matinho bem suspeito !
Super Homem , doidão, via através das paredes , voava mais rápido que um avião e colocava a cueca por cima da calça.
Tio Patinhas não abria a mão , nem para jogar peteca.
A Margarida dizia que namorava o Pato Donald mas também saía com o Gastão.
Agora é tarde...
Cheguei à conclusão de que a origem de nossas neuroses está em nossos heróis da infância.
O Tarzan corria pelado na selva e morava , literalmente, com uma macaca...
Cinderela só chegava em casa à meia noite e sem um sapato... Muito doida !
Aladim, era um ladrão vagabundo que só ficou "cheio da grana" porque achou o gênio da lâmpada...
Batman, dirigia a 320 km/h e tinha o Robin como "amigo inseparável". Ui !!...
Pinocchio era mentiroso pra cacete !
A Bela Adormecida não trabalhava e só queria saber de dormir...
Salsicha , do Scooby-Do, tinha voz de bicha apavorada , via fantasmas e conversava com um cachorro...( Freud ia adorar isso !!!)
Zé Colméia e Catatau eram cleptomaníacos pois roubavam cestas de pic-nic..
Branca de Neve ,"a santinha", morava , numa boa, com 7 homens (e todos menores)...
Olívia Palito sofria de bulimia e ninguém falava nada.
Popeye, foi o primeiro a "se bombar" numa Academia , se empanturrar de energético em lata e ainda fumar um matinho bem suspeito !
Super Homem , doidão, via através das paredes , voava mais rápido que um avião e colocava a cueca por cima da calça.
Tio Patinhas não abria a mão , nem para jogar peteca.
A Margarida dizia que namorava o Pato Donald mas também saía com o Gastão.
segunda-feira, 7 de abril de 2014
EXTRA - CENAS INESQUECÍVEIS . MULHERES MARAVILHOSAS
Ingrid Bergman - Interpretava com seus lindos olhos...
quarta-feira, 2 de abril de 2014
"CHEIROS DA VIDA" - Nº 97 - MEU NOVO HÓSPEDE
Durante algum tempo segui religiosamente todos os conselhos e orientações do Dr. Pedro Siqueira. A coisa até que vinha funcionando bem e, durante algumas semanas, as forças pareceram voltar com boa dose de energia renovada.
Eram bem agradáveis as aulas do período da tarde no CEPES. Talvez a presença maciça de meninas enfeitava com graça um ambiente totalmente dominado por marmanjos no turno da noite.
A presença do Pedrinho gesticulando à porta dos fundas da sala me chamou atenção. Sinalizei com os ombros indicando ser impossível interromper uma aula sobre poliedros, poliedros convexos, poliedros regulares, Relação de Euler e assemelhados.
O camarada estava aflito continuando a gesticular com muito nervosismo. Não houve jeito: interrompi a aula pedindo desculpas e me dirigi à inquieta criatura.
- "Vê se te manca!!!". Qual é o problema?
- Essa sua turma é um "colírio"...
- Cara, nessa altura a concentração da turma foi para o espaço. No caminho para cá ouvi o cochicho de "umas e outras" que conhecem você. Vamos manter o alto nível. legal?
- Claro, claro. Agora se precisar de um novo professor é só me chamar Atenderei com todo o prazer...
- Fala rápido!
- O caso é o seguinte: aquela Dona Maria me expulsou da pensão, estou com toda minha bagagem ali no corredor.
- E dai?
- E dai que eu peço sua ajuda. Eu sei que há uma vaga sobrando no seu apartamento. Certo?
- Novamente!!! E dai, pô?...
- Vou morar com vocês.
- Quem disse?
- Você, com certeza, vai dizer. No almoço falei com o Fernando Vaz que me garantiu que para ele estava tudo bem. Sinal verde!
Rapidamente passou pela minha cabeça os fatos recentemente acontecidos e, eu não iria deixar meu amigo ao relento. Por outro lado sabia das aventuras de Dom Pedro Kassab...
- Me diga só uma coisa, pois não posso perder mais tempo com conversa fiada. Por que Dona Maria expulsou você da "Pensão Sete de Setembro".
- Porque ela é maluca, ou você não sabia?
- E você é um modelo de hóspede, pois não?
- Sou um cara normal.
- Deve ter acontecido alguma coisa. Você não me engana e, não seria essa a primeira vez.
- Foi uma bobagem. Acredita em mim.
- Qual bobagem? Já estou imaginando coisas...
- Bobagem! Estou lhe dizendo. Um incidente sem consequências. Pode crer!...
- Fala!
- Dona Maria colocou um casalzinho bem novinho em "lua de mel" no quarto vizinho ao meu. Uma "joia" a noivinha e, por coincidência meu quarto tinha uma porta de ligação com o do casal.
- Já estou imaginando...
- Pois é. Arredando o armário que disfarçava a porta, descobri que pela fresta da porta eu via a cama do casal. Foi maravilhoso o cineminha. Ontem no entanto apareceu mais gente. Na hora "H" a porta se abriu e, com a pressão daquele peso todo e mais o tesão do pessoal, caímos todos em cima da cama dos pombinhos. A menina começou a gritar e Dona Maria apareceu.
- Coisa boba, não é, evidentemente. Como fica a reputação da pensão?
- Mas...
- Claro que não, Pedrinho.
- Você é muito "cheio de coisas"
- Não vamos discutir agora. A noite nos falamos. Pega essa chave, tira cópia e me traga a original de volta. Já sabe você ocupa o beliche de cima. OK?
- Sabia que você não ia me faltar.
- Juízo!
- Trecho do meu livro "Cheiros da Vida" escrito em Arraial do Cabo em 2004.
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