por José Carlos Coelho Leal

sábado, 8 de fevereiro de 2014

"CHEIROS DA VIDA" - 88 - BRINCANDO DE SUPER-HOMEM

   
          Faculdade, Colégio Werneck, Ginásio Estadual, CEPES... 

          Somado a tudo isso: poucas horas de sono quase todas as noites, alimentação deficiente, falta de conforto. Estava começando a ficar cansado; esgotado mesmo. Acordar pela manhã acarretava, cada dia, maior  sacrifício.


          Procurava não dar muita atenção a esses fatos. Ainda havia muito chão pela frente para chegar onde queria. Tentava convencer, a mim mesmo. que era tudo uma fase e, em pouco tempo tudo voltaria ao normal.


          Certa noite já ao fim da última aula senti que algo não ia bem. Uma certa tontura, um formigamento nas mãos e o acelerar da pulsação deixaram-me aflito.


          Aproveitei para apresentar um problema de revisão da aula que acabava de ministrar e, dei um tempo para os alunos resolvê-lo. Fui até a janela ao fundo da sala e respirei pausada, fundo e repetidamente sentido o efeito benéfico da brisa agradável da noite. Senti melhora.


          Voltei ao tablado e subitamente ao começar a explicação da solução do exercício, deixei o giz cair ao chão, e ao abaixar-me para apanha-lo, meu campo visual foi diminuindo. Respirei fundo e não vi mais nada. Apaguei!!!


          Acordei sentado na cadeira à frente de minha mesa de trabalho no escritório do Curso e, vários alunos à minha volta, mais assustados do que eu, procuravam me reanimar. 


         Pouco a pouco fui recuperando o domínio das coisas acalmando a todos pedi ao meu amigo Mario Jorge Andrade, que me ajudava muito naquela nova fase de progresso, que fechasse o Curso.


         Negando a oferta dos alunos que estavam prontos a me levar parra o hospital,  alegando que era um mal passageiro, pedi uma carona até meu apartamento dizendo que uma boa noite de sono me deixaria zerado para o dia seguinte. Tudo voltaria ao normal.


         Na verdade no dia seguinte nada senti. Diminui um pouco o meu ritmo acelerado  sendo que Mario Jorge passou a dividir comigo certas matérias e a participar da parte administrativa do curso. Foi um grande amigo nessa fase complicada.


          Chegou finalmente ao final do primeiro semestre. Procurei me deligar e descansar o máximo possível naquele mês de junho e, mais uma vez deixei por conta do Mario Jorge as providências essenciais para continuidades dos trabalhos.


          Em agosto voltei com a "corda toda". Certa tarde. nem bem agosto completara uma dezena de dias,  senti que a "coisa" voltava. Fingi, novamente, não perceber sendo, desta vez o susto bem maior.


         Atravessando a rua em frente ao D'Ângelo não cheguei a calçada oposta desmaiando no meio da rua. Por sorte passava pelo local o colega de turma Pedro Cassab que me acudiu e me levou até o curso. Chamou o SANDU (Pronto-Socorro) e o médico que me atendeu era pai de outro colega de Faculdade o Pedro Siqueira,


         Dr. Pedro não gostou nada do que viu e, só me disse, entre outras graves constatações que aquela hora, passados mais de trinta minutos do acidente, minha pressão ainda estava muio alta. Não disse quanto. Nem me atrevi a perguntar. 


         Disse mais,  que se continuasse nesse ritmo não iria longe. Foi enfático; "isso é um verdadeiro suicídio". Deu-me como exemplo a seguir o do Pedrinho, que me ajudara: sadio, bem disposto , esbanjando saúde e, aproveitando as delícias da vida de um universitário na agradável Petrópolis daquele tempo.


          Dai para frente muita coisa inusitada iria acontecer até 1964 terminar. Com mais calma voltarei ao assunto.


          - Trecho de meu livro "Cheiros da Vida" escrito em Arraial do Cabo ao longo do ano de 2004.

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