por José Carlos Coelho Leal

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

'"CHEIROS DA VIDA" - 92 - "O DIA 1º DE ABRIL DE 1964"





          O despertar no dia 1º de abril não foi tão cedo. Voltei à realidade pelas nove horas já passada.

          O rádio ainda ligado em baixo volume demonstrava que o Luiz havia permanecido na escuta por mais tempo. O primeiro pensamento me alertava para a necessidade de arranjar um modo de chegar ao Rio de Janeiro o mais brevemente possível numa clara manifestação do "espírito de sobrevivência". Nesses momentos era bom estar perto da família.


         Aumentei o volume do rádio para saber das últimas notícias  que apesar de contraditórias de uma emissora para outra dava para concluir que o processo de deposição de Jango vivia seus derradeiros momentos. Este som bastou para despertar meu amigo que ato contínuo colocou seus óculos para verificar o adiantado das horas.


         Um fato interessante que naquela madrugada Jango e Lacerda estavam separados por menos de duzentos metros. Jango pernoitara no Palácio das Laranjeiras e Lacerda, como exposto no capítulo anterior, no Palácio Guanabara, arqui inimigos tão próximos um do outro. 


         A última noticia que acompanhamos antes de deixar o apartamento dava conta que o Presidente começava a se deslocar.  com sua comitiva, rumo ao Aeroporto do Galeão com destino a Brasília protegido por escolta de soldados do exército e de marinheiros do corpo de fuzileiros navais. 


        Nosso destino: a rodoviária de Petrópolis. Muito tumulto e nenhuma notícia de saída de algum ônibus com destino ao Rio de Janeiro.


        Já devia passar das onze quando estacionou um ônibus da empresa Única com destino ao Rio que logo lotou sendo que em se tratando de uma situação de emergência foi permitido transporte de passageiros em pé. 


        Ao descermos a Serra de Petrópolis (naquela época a Estrada do Contorno funcionava com regime de mão dupla) cruzamos com vários caminhões  carregados de soldados armados. A cena lamentável foi a de que ao longo do trecho verificamos vários destes veículos quebrados, alguns até com motor queimando, incapazes de conseguir seguir viagem. Pensei comigo mesmo: se houver guerra civil nossas tropas não terão forças para ir muito longe...


         O motorista de nosso ônibus esclareceu aos passageiros, no momento do embarque que o ponto final provisório seria na calçada fronteira ao Gasômetro, no início da rua Francisco Bicalho. Foi isso que aconteceu. Eu e Edmundo seguimos a pé até a Praça da Bandeira e, de um botequim que permanecia aberto na rua do Matoso conseguir ligar para o Dr Ruy (seu pai). A carona foi providencial e após poucos minutos de espera seguimos para casa. Um alívio chegar e abraçar mamãe e papai.


         Com a televisão ligada na TV Rio papai estava acompanhando uma transmissão direta (por sorte da TV Rio suas instalações ficavam em frente aos portões do Forte de Copacabana, sendo possível a transmissão ao vivo da pseudo invasão do Forte que o então Coronel Montanha, instrutor da ECEME e um grupo de oficiais alunos de um golpe de mão e ocupou o Forte de Copacabana.


        A televisão transmitiu em primeira mão essa tomada do Forte ficando para os espectadores tratar-se de um herói. Depois veio a notícia que já há muitas horas o Forte havia aderido aos rebeldes. Tremenda gafe da TV Rio...


        À noite veio a notícia de que a Academia Miliar das Agulhas Negras sob o comando do General Médici também aderira ao movimente anti Jango e ainda acolheu as tropas do  II Exército sob o somando do General Amaury Kruel. Até então havia dúvida quanto à posição do II Exército. Durante a madrugada de 1 par 2 de abril as adesões foram crescendo numa rápida progressão anunciando que a resistência governamental provavelmente não teria apoio suficiente para resistir.


        No aconchego de minha casa, gozando as 

delícias de minha cama e o cheiro gostoso de meu travesseiro tive uma longa noite de sono profundo e reparador... Antes de deitar mamãe não esqueceu do meu copo de leite acompanhado de biscoitos variados.

        Muito bom estar e casa!


         Treco de meu livro "Cheiros da Vida" escrito em Arraial do Cabo ao longo do ano de 2004.



E X T R A - A EVIDENCIA...



A  EVIDÊNCIA DO QUE JÁ ERA EVIDENTE!!!...

      VEJA EM :


          Lamentável viver setenta e quatro anos para, afinal, ser testemunha de tudo isso que está, novamente, acontecendo em nosso BRASIL!!! - ZK 

           

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

"CHEIROS DA VIDA" - 91 - O DIA 31 DE MARÇO DE 1964 (3ª Parte)

 


        
          Em Petrópolis naquela manhã de 31 de março de 1964 as aulas foram normais tanto no Colégio Werneck como na Faculdade.

          Nas ruas assim como nas salas de aula as pessoas estavam um tanto inquietas e, os professores que deveriam voltar para o Rio abreviaram suas explanações, numa nítida manifestação da vontade de voltar para casa o mais rapidamente possível.

         No ar uma certa indagação!


         O almoço na Pensão Sete de Setembro, da Dona Maria (quase sempre uma dona de pensão se chama Dona Maria...), a frequência estava bem abaixo dos dias normais. Pelo salão ecoavam as mesmas conversas. Definitivamente a crise político-militar passava a preocupar a todos.


          À tarde e à noite a frequência nos colégios e no Curso foi bem abaixo do normal. O CEPES funcionou nomamlmente com aulas até ás dez para as onze.


          Terminada minha última aula ainda tive que rodar uma pequena apostila no mimeógrafo. Foi o tempo de fechar as janelas descer as escadas e trancar com o zelo de sempre a porta da rua. Faltava pouco para meia-noite.


          Ao chegar à Avenida XV me deparei com o desfilar de soldados envergando  uniformes de campanha, acompanhados de fuzis, cantis e o "diabo-a-quatro". 


          Restaurantes e Botequins restavam fechados. Ruas praticamente desertas. Pela primeira vez senti que a coisa era para valer. Acelerei o passo.


          Ao chegar á galeria do "Edifício Profissional" que dava acesso ao meu prédio, a surpresa desagradável: a lanchonete do Seu Rafael, onde todas as noites forrava meu estômago com, no mínimo um sanduíche misto-quente e um toddy-duplo gelado, estava fechada. 


         Triste início de madrugada, pensei, dormir com fome...


         Ao chegar ao apartamento ouço vozes. Abro a porta e constato a realidade: o pau estava comendo. meu amigo Luiz Edmundo, olhar fixo na parede, ouvia o rádio que transmitia discursos inflamados dos governadores da Guanabara, Minas e São Paulo, Carlos Lacerda, Magalhães Pinto e  Adhemar de Barros respectivamente. 


         No exato momento que passei a acompanhar as reportagens falava o Governador Lacerda que convocava com palavras candentes a reação do povo carioca que tomava conhecimento da ameaça de invasão do Palácio Guanabara comandada pelo Almirante Aragão (comunista convicto) e seus subordinados fuzileiros navais.

         As palavras de Lacerda, tal qual ouvi naquela histórica noite estão reproduzidas no tape:





          Sentindo toda a dramaticidade daquela hora histórica deixei o Luiz Edmundo na escuta e, fui verificar na cozinha nossas reservas técnicas de alimentos para enfrentar a crise que parecia estar chegando com muito vigor e sem previsão de tempo de duração.


          O resultado do inventário não foi nada animador: um ovo, uma lata de Leite Gloria solúvel abaixo da metade e, um vidro de Nescafé com no máximo três colheres de sopa de pó. Biscoitos: zero, Manteiga: zero, Talharim: zero e, zero e, zero. Fim...

          Desanimei. Voltei a ouvir a transmissão. Agora era o Governador Magalhães Pinto com um discurso menos inflamado que aquele do Lacerda e, nem por isso, menos dramático e preocupante.

          Tirei os sapatos, afofei o travesseiro, pensei um monte de bobagem, entreguei nas mãos de Deus nossa sorte,  deitei vestido como estava e, em poucos minutos, não ouvi nem vi mais nada... 

          Trecho do meu livro "Cheiros da Vida" escrito em Arraial do Cabo ao longo do ano de 2004.











domingo, 23 de fevereiro de 2014

"CHEIROS DA VIDA" - 90 - O DIA 31 DE MARÇO DE 1964 (2ª Parte)



              Neste breve capítulo gostaria de esclarecer, o porquê de me referir ao chamado "Golpe Militar de 1964" como "Contra-Revolução de 1964".

          Muito simples: fico muito indignado quando os "terroristas" de então dizem, nos dias de hoje, que suas ações visavam  defender a democracia e o Estado de Direito. Deslavado deboche.

          Estavam, isto sim, tentando implantar uma república sindicalista-proletária-socialista (leia-se comunista). Uma ditadura cruel no padrão Cuba e seus assemelhados. Uma verdadeira traição à tradição do povo brasileiro.

         Tanto isto é verdade que hoje praticamente nem se fala  no que fora planejado pela "guerra revolucionária de esquerda" e que deveria ter acontecido no dia trinta de dezembro de 1963 (este fato fundamental, por motivos óbvios é olvidado - a história divulgada hoje é monopólio dos que se locupletam no poder no Brasil).

          Descoberta a trama com seu consequente fracasso, o povo  brasileiro só tomou conhecimento deste fato em  22 de janeiro de 1964 quando "O Globo" publicou longa reportagem encabeçada por esta manchete fixada em sua primeira página: "O Globo Revela a Trama Sediciosa Das Esquerdas" e, logo abaixo, em letra garrafais: "O ASSASSINATO DE MENEGHETTI SERIA O ESTOPIM DA REVOLUÇÃO".

          Ildo Meneghetti era Governador do Estado do Rio Grande do Sul.

          Esta trama revolucionária não teve a adesão esperada da forças armadas para consumação do plano final que já vinha em andamento, de subversão da ordem e destruição do regime democrático. Eram as chamadas esquerdas negativas, de mãos dadas com o Partido Comunista que já contava com grupos organizados de guerrilheiros orientados pelo Deputado Federal Leonel de Moura Brizola. 

          Se não fosse descoberta a tempo previa o assassinato do Governador Ildo Menhegetti em 30 de dezembro de 1963 constituindo-se no estopim da revolução de esquerda.

         Para mim, tudo o que aconteceu depois foi a "Contra Revolução de 1964" que visava proteger o Brasil de um regime ditatorial comunista. 

          Trecho do meu livro "Cheiros da Vida" escrito ao longo do ano de 2004 em Arraial do Cabo,

          

          

          

sábado, 22 de fevereiro de 2014

E X T R A - BREVE HOMENAGEM AO SAUDOSO COLEGA E AMIGO CARLOS MARQUES PAMPLONA


Nota - Este artigo foi escrito em 2005 pelo Engenheiro Carlos Marques Pamplona, engenheiro da Secretaria de Obras da Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro e precocemente falecido. Grande colega e amigo a quem afetuosamente homenageamos e, como nós. grande amante de nossa Cidade.

Em Decreto Nº27.957/2007 assinado pelo Prefeito Cesar Maia em 21 de maio de 2007, a cidade homenageou Carlos Pamplona, Carlão para os seu amigos. outorgando ao chamado "Mergulhão da Praça XV"  o nome de "Túnel Engenheiro Carlos Marques Pamplona" .


Tive a honra de ter sido seu chefe ao longo dos anos em que fui Diretor da Diretoria de  Engenharia Urbanística da Secretaria  Municipal de Obras - RJ,  na década de 80.

( Zé Karlos)

Estado de Inguaá-mbará


          Hoje, fazendo 440 anos, a Cidade do Rio de Janeiro se vê tema de debates sobre sua situação geopolítica. Poderiam deixá-la em paz, se meditassem em busca das soluções para os seus graves problemas.
          
          Do leme ao Pontal, do Pontal à Barra do Itaguai, da Barra do Itaguai ao Pico do Guandu, deste à foz do São João de Meriti e daí novamente ao Leme se desenham as divisas de nossa Cidade Maravilha. Divisas que querem elevar a interestaduais
.
          A Cidade, provavelmente, agradece tanta preocupação de seus defensores, de todos os lados, mas continua expondo, em vão, suas feridas incuráveis, enquanto, distraídos, debatem sobre o matiz de uma linha virtual sinuosa que a envolve.

          Antes, carece de boa política habitacional, de programa racional de transporte de massas, de política ambiental e saneamento básico, de programa permanente de saúde pública, de segurança e de todas as outras coisas que qualquer grande Metrópole necessita. Carece de bons homens públicos, principalmente.
Antes de sua fundação, ainda me 1502, quando os portugueses aqui desembarcaram e Gonçalo Coelho fundou a primeira feitoria às margens da baía de Ingua-mbará (enseada do rio-mar), os Tamoios já não apreciaram. Tanto que os franceses logo os seduziram e aqui permaneceram por cerca de quatro anos.

          A fundação da Cidade foi o primeiro ato para a consolidação do domínio português. O domínio da família Sá, que perdurou por 60 anos. Até hoje, todas as querelas na Cidade parecem traduzir interesses de dominação. Algumas famílias teimam em se perpetuar, mas, felizmente, a história é mais longa ainda. 
As saudades dos efêmeros quatorze anos do estado da Guanabara (1961-1975) devem resultar dos grandes investimentos realizados nesse período pelos Governos dos Senhores. Francisco Negrão de Lima e Carlos Lacerda.

           Nada mal para quem dispunha de recursos razoáveis e se amparava em projetos de ótima equipe técnica desenvolvidos para contemplar o Plano Diretor elaborado pelo ilustre arquiteto Alfredo Agache, ainda na gestão do Prefeito Prado Junior (1926-1930).

           É oportuno relembrar que, em setembro de 1957, o Sr. Francisco Negrão de Lima, Prefeito do Distrito Federal, encaminhava mensagem à Câmara de Vereadores propondo a criação de Plano de Realizações, a ser custeado por Fundo Especial de Obras Públicas, constituído por resultado de venda de terrenos, arrecadação de adicional de 10% sobre impostos de vendas e consignações, territorial, transmissão de bens intervivos, dividendos em participações em sociedades de economia mista, contribuições de melhoria e, acreditem, pedágios. Esse encaminhamento apelava para os contribuintes de forma “moderada e suave” mas de modo a propiciar os meios financeiros indispensáveis à execução dos empreendimentos programados.

          Por fim, o Prefeito sanciona a Lei nº 899 de 28 de novembro de 1957 que institui o Fundo Especial de Obras Públicas, aprova o Plano de Realizações e cria uma Superintendência de Urbanização e Saneamento, a saudosa SURSAN.

         O Plano de Realizações contemplava a Av. Beira Mar, Av. Norte Sul, Av. Perimetral, Av. Presidente Vargas, Av. Radial Oeste, Av. Radial Sul, o desmonte do morro de Santo Antonio, para a execução do atêrro da Glória e do Flamengo, ligação do cais do Porto-Copacabana, através do Túnel Catumbi-Laranjeiras, urbanização e saneamento da zona suburbana através de execução de avenidas canais Rio Faria, Rio Jacaré, Rio Joana, Rio Maracanã, Rio das Pedras, Rio Ramos, Rio Timbó, Rio Trapicheiros, Canal do Lucas, Canal do Mangue, Rio Acari, Rio dos Cachorros, Rio Dom Carlos, Rio Faleiro, Rio Irajá, Rio Méier, Rio Nunes, Rio Piraquara e Rio Tingui, execução de túnel General Glicério-Avenida Radial Sul, Túnel Barata Ribeiro-Raul Pompéia, Túnel Toneleros-Pompeu Loureiro e Sá Ferreira-Nascimento Silva.
Poucos desses projetos não foram implantados, outros foram adicionados, mas todos inspirados em Plano Diretor para a Cidade
.
           O sonho acabou com a extinção da SURSAN, em 1974, e foi definitivamente enterrado com a morte dos órgãos de planejamento, mais tarde. O Estado da Guanabara foi, apenas, um curto circuito na história da Cidade e, efetivamente, não foi o responsável pelas grandes transformações por que passou a Cidade.

           Logo a seguir, a fusão veio divertir as mentes para mais uma arbitrariedade do Ditador do momento, que não gostava do Rio, que não gostava dele, também. Esquecemos de protestar pela morte dos programas de ações e pela falta de agilidade dos órgãos públicos e preferimos espernear pela volta do Estado da Guanabara, um ente sem história.

           Além da falta de Plano Diretor (a Câmara dos Vereadores aprecia projeto há anos) e de uma Secretaria de Planejamento Urbano, a Cidade sofre dos mesmos males que outras cidades de regiões metropolitanas: insegurança, falta de saneamento, poluição, saúde pública deficiente, etc., nenhum mal original afeta a nossa Cidade.

          Em São Paulo não se fala em outra coisa, insegurança, saneamento deficiente, poluição ambiental, etc., etc., etc., mas nem por isso querem fundar um Estado de Piratininga.

          Sacar a nossa Cidade de seu contexto não promoverá o encaminhamento necessário para estas questões. Somente uma abordagem conjunta, entre os municípios metropolitanos, Rio de Janeiro, Niterói, São Gonçalo, Duque de Caxias, São João de Meriti, Nova Iguaçu, Paracambi, Seropédica, Itaguai, etc., por intermédio de Comitês ou Consórcios das Cidades Metropolitanas permitirá o adequado enfrentamento das questões existentes.

         Separar, segregar, discriminar, sinônimos em meu dicionário.A desfusão é inimiga da solução. Não ao Estado da Guanabara, salve a SURSAN.

         Ou, se a saudade for insuportável, radicalizemos! Vamos à fase pré Mem de Sá, vamos logo para o Estado de Inguaá-mbará.




Em março de 2005.


Carlos Marques Pamplona
 




sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

EXTRA - VISITAS E ESSE BLOG AO LONGO DOS ÚLTIMOS TRINTA DIAS

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quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

E X T R A - JPEG-DIGITAL (empresa de meu filho Alexandre e seus sócios Paulo e Marco)

       Em 2010 a empresa JPEG-DIGITAL de meu filho Alexandre e seu sócios  Marco e Paulo negociou com a empresa HP a compra  de uma impressora , a mais moderna da época..
Na  ocasião gravaram esse depoimento institucional.
                                          

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

E X T R A - PARA LER TODOS OS DIAS


Fernando Pessoa
 (Lisboa, 13 de junho de 1888 - Lisboa, 30 de novembro de 1935)

"Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes,
mas não esqueço de que minha vida é a maior empresa do mundo.
E que posso evitar que ela vá a falência.
Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise.
Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e
se tornar um autor da própria história.
É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar
um oásis no recôndito da sua alma .
É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.
Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos. . .
É saber falar de si mesmo.
É ter coragem para ouvir um 'não'.
É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.
Pedras no caminho?
Guardo todas, um dia vou construir um castelo..."
(Fernando Pessoa) 

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

"CHEIROS DA VIDA" - 89 - O DIA 31 DE MARÇO DE 1964 - (1ª Parte)




          Quando, no capítulo anterior, procurei analisar os motivos que me levaram, na época, a uma estafa  bastante séria e, que teria desdobramentos ainda não relatados, não abordei uma dessas causas que passo a expor agora.

          Certamente estou me referindo aos acontecimentos políticos que culminaram com o movimento da contra-revolução de 1964, liderada pelas forças militares e, apoiada entusiasticamente  por grande parte do povo brasileiro, principalmente a classe média e, pela sociedade produtiva e organizada.


          Tudo que aconteceu nos meses anteriores a 31 de março daquele ano tiveram grande influência para que eu chegasse aquele ponto . Otimista comigo mesmo pelas vitórias alcançadas nas coisas que havia planejado para realizar em Petrópolis sentia intimamente, por outro lado, que não podia deixar de ficar preocupado com os destinos do país, de nossos compatriotas e, em particular, com nossas famílias, amigos e o porvir de nossos futuros filhos e netos. 


          Passados tantos anos estou consciente que esse panorama dos acontecimentos contribuiu para aquele estado de estresse agudo.

           Vinte anos após os militares entregarem o poder aos civis e ainda agora, com a chegada ao mais alto cargo da nação do Presidente Lula, voltei a imaginar que os pesadelos do início da década de sessenta ameaçam, novamente e seriamente retornar à vida publica brasileira.


           Há pouco mais de um ano, um médico de Cabo Frio, mais um novo "velho" amigo que faço nessa bem-vinda Região dos Lagos, se dizia muito esperançoso com a presença de um autêntico líder popular na Presidência. 


            Disse-lhe então de minhas preocupações e que não comungava das mesmas esperanças. Agora, desgraçadamente, pelo "andar da carruagem" percebo que possivelmente eu estava certo.  Meu "velho amigo" já começa a rever seu ponto de vista. Talvez com o passar do tempo as coisas melhorem. 


           Será?...

           Acho mesmo que a minha geração tem a responsabilidade ímpar de testemunhar para os mais novos os verdadeiros fatos ocorridos no decorrer daqueles dias que culminaram em 31 de março de 1964. 


           Entre janeiro e março emblemáticos acontecimentos marcaram aqueles dias.  Em Moscou, o Sr. Luis Carlos Prestes assegurava a Nikita Kruschov: "se a reação levantar a cabeça, nós a cortaremos de imediato"; Jango sancionava a nova lei remessa de lucros aprovada pelo governo; a FIESP  se recusava em participar de um ato de solidariedade a Jango, proposta pela Confederação Nacional das Indústrias; Jango fechava a carteira de redesconto do Banco do Brasil para São Paulo e Rio Grande do Sul; em 13 de março aconteceu o Comício da Central do Brasil, no Rio de Janeiro, onde o Presidente João Goulart discursou para cerca de cento e cinquenta mil pessoas apresentando as propostas para mudanças estruturais no país com características puramente socialistas (comunistas) como a estatização das refinarias privadas de petróleo, a desapropriação de terras, inclusive as produtivas com mais de 600 hectares às margens das rodovias federais, das ferrovias e dos açudes.


          Como reação, no dia 19 de março  realizou-se em São Paulo a "Marcha da Família com Deus Pela Liberdade". Dela participam quinhentas mil pessoas.


          No dia seguinte o General Castello Branco distribui uma "Circular Reservada" dando conhecer a intranquilidade e as indagações de seus subordinados quanto aos acontecimentos ocorridos nos dias  que se seguiram ao "Comício da Central do Brasil". Nessa Circular Castelo manifestava sua real apreensão às ameaças para execução de uma reforma de base e à maior escalada das agitações e violências de rua. Acentuava que as funções militares não foram instituídas para a defesa de programas governamentais e, menos ainda, à propaganda, mas sim para garantir os poderes constitucionais.


          No dia 24 tem início a "Rebelião dos Marinheiros" na sede do Sindicato dos Metalúrgicos do Rio de Janeiro, reação à ordem dada pelo Ministro da Marinha, Sílvio Mota. A "Associação dos Marinheiros e Fuzileiros Navais" era uma entidade constitucionalmente ilegal. Os fuzileiros navais ao invés de cumprir a ordem de prender os marinheiros aderiram aos revoltosos


          Somando-se a este fato o Presidente João Goulart proibiu as tropas de invadir o Sindicato dos Metalúrgicos provocando a demissão do Ministro Silvio Mota.


          Em 26 de março o ministro do Trabalho Amauri Silva conseguiu um acordo e os marinheiros foram presos e, conduzidos a um quartel. Horas depois Goulart anistiava todos os marinheiros presos.


          Cresce a "Crise Militar". Entre a madrugada do 31 de março e o dia 1º de abril um Golpe de Estado derruba o Presidente João Goulart. Ao mesmo tempo o General Mourão Filho Comandante da 4ª Região Militar de Minas Gerais divulga uma proclamação contra Jango e a ameaça comunista que representava.


          - Trecho de meu livro "Cheiros da Vida" escrito em Agosto de 2004 na Cidade de Arraial do Cabo,


           

sábado, 8 de fevereiro de 2014

"CHEIROS DA VIDA" - 88 - BRINCANDO DE SUPER-HOMEM

   
          Faculdade, Colégio Werneck, Ginásio Estadual, CEPES... 

          Somado a tudo isso: poucas horas de sono quase todas as noites, alimentação deficiente, falta de conforto. Estava começando a ficar cansado; esgotado mesmo. Acordar pela manhã acarretava, cada dia, maior  sacrifício.


          Procurava não dar muita atenção a esses fatos. Ainda havia muito chão pela frente para chegar onde queria. Tentava convencer, a mim mesmo. que era tudo uma fase e, em pouco tempo tudo voltaria ao normal.


          Certa noite já ao fim da última aula senti que algo não ia bem. Uma certa tontura, um formigamento nas mãos e o acelerar da pulsação deixaram-me aflito.


          Aproveitei para apresentar um problema de revisão da aula que acabava de ministrar e, dei um tempo para os alunos resolvê-lo. Fui até a janela ao fundo da sala e respirei pausada, fundo e repetidamente sentido o efeito benéfico da brisa agradável da noite. Senti melhora.


          Voltei ao tablado e subitamente ao começar a explicação da solução do exercício, deixei o giz cair ao chão, e ao abaixar-me para apanha-lo, meu campo visual foi diminuindo. Respirei fundo e não vi mais nada. Apaguei!!!


          Acordei sentado na cadeira à frente de minha mesa de trabalho no escritório do Curso e, vários alunos à minha volta, mais assustados do que eu, procuravam me reanimar. 


         Pouco a pouco fui recuperando o domínio das coisas acalmando a todos pedi ao meu amigo Mario Jorge Andrade, que me ajudava muito naquela nova fase de progresso, que fechasse o Curso.


         Negando a oferta dos alunos que estavam prontos a me levar parra o hospital,  alegando que era um mal passageiro, pedi uma carona até meu apartamento dizendo que uma boa noite de sono me deixaria zerado para o dia seguinte. Tudo voltaria ao normal.


         Na verdade no dia seguinte nada senti. Diminui um pouco o meu ritmo acelerado  sendo que Mario Jorge passou a dividir comigo certas matérias e a participar da parte administrativa do curso. Foi um grande amigo nessa fase complicada.


          Chegou finalmente ao final do primeiro semestre. Procurei me deligar e descansar o máximo possível naquele mês de junho e, mais uma vez deixei por conta do Mario Jorge as providências essenciais para continuidades dos trabalhos.


          Em agosto voltei com a "corda toda". Certa tarde. nem bem agosto completara uma dezena de dias,  senti que a "coisa" voltava. Fingi, novamente, não perceber sendo, desta vez o susto bem maior.


         Atravessando a rua em frente ao D'Ângelo não cheguei a calçada oposta desmaiando no meio da rua. Por sorte passava pelo local o colega de turma Pedro Cassab que me acudiu e me levou até o curso. Chamou o SANDU (Pronto-Socorro) e o médico que me atendeu era pai de outro colega de Faculdade o Pedro Siqueira,


         Dr. Pedro não gostou nada do que viu e, só me disse, entre outras graves constatações que aquela hora, passados mais de trinta minutos do acidente, minha pressão ainda estava muio alta. Não disse quanto. Nem me atrevi a perguntar. 


         Disse mais,  que se continuasse nesse ritmo não iria longe. Foi enfático; "isso é um verdadeiro suicídio". Deu-me como exemplo a seguir o do Pedrinho, que me ajudara: sadio, bem disposto , esbanjando saúde e, aproveitando as delícias da vida de um universitário na agradável Petrópolis daquele tempo.


          Dai para frente muita coisa inusitada iria acontecer até 1964 terminar. Com mais calma voltarei ao assunto.


          - Trecho de meu livro "Cheiros da Vida" escrito em Arraial do Cabo ao longo do ano de 2004.

domingo, 2 de fevereiro de 2014

E X T R A - G R A T I D Ã O

 
Veja com tempo, calma e concentração. Preste atenção nas imagens.  Não desperdice a oportunidade de ver algo belíssimo.
Qualidade máxima em fotografia...
Para assistir o vídeo, clique na letra G sublinhada na palavra gratidão a seguir:
GRATIDAO