por José Carlos Coelho Leal
quarta-feira, 23 de novembro de 2016
CHEIROS DA VIDA - 154 - OS SERVIÇOS RELEVANTES
O mais importante do plano de reordenamento de locação de funcionários foi aquele de adequar cada setor ao número ideal de profissionais, preparados tecnicamente para a missão a desenvolver, sem privilégios e procurando minimizar prejuízos para aqueles que seriam obrigados a tomar novo destino.
Alguns, de imediato, desfalcaram a minha nova equipe a ser formada, seguindo o seu até então chefe e a convite dele, convidado que fora para um novo cargo mais elevado dentro da hierarquia profissional, qual seja o de Assistente do Diretor do Departamento Financeiro da Sursan.
Assim restaram onze funcionários (minha tarefa ficara sensivelmente diminuída) e, após estudo minucioso, reduzi finalmente minha equipe para os sete colaboradores conforme meu planejamento inicial. Os não aproveitados na minha equipe tiveram o apoio de seus companheiros para serem aproveitados em outros órgãos ou, até facilitadas suas voltas às secretarias de origem. Haviam sim, professoras que estavam fugidas das salas de aula e tiveram que voltar à sua nobre missão. Estas talvez não tenham gostado muito. Problema delas...
Resumo da aplicação desta resolução administrativa, a princípio julgada por demais radical; melhor adequação de atividades e melhor padrão de produtividade para toda a Sursan, sem aumento de despesa e sem agressão a legislação vigente.
Poucos foram os desgastes pessoais ou queixas de perseguição ou assemelhados. Tiveram sim que lutar por melhor produção para alcançar o novo padrão de remuneração.
Na verdade toda essa operação foi feita com base legal com a aplicação na prática de uma gratificação regulamentada e em desuso o chamado "Serviço Relevante". Tudo dentro da lei e sem precisar de lutas de aprovação junto ao Legislativo e de acordo com a Junta de Controle (o verdadeiro Tribunal de Contas das Autarquias) presidido na época pelo operante Dr. João Lyra Filho.
Como os postulantes à gratificação de Serviço Relevante dependiam do número de competidores por tal remuneração, é claro acompanhado pelo seu próprio desempenho técnico e administrativo pessoal, surgiu no departamento o jocoso e debochado slogan "mate seu semelhante e aumente eu relevante", um chiste engraçado mas, convenhamos, de péssimo gosto.
Estava cumprida a minha primeira missão como Engenheiro Chefe do 1DT-S - Serviço de Planejamento e Controle de Obras do Departamento de Urbanização da Sursan (Superintendência de Urbanização e Saneamento da Secretaria de Obras do Estado da Guanabara).
domingo, 20 de novembro de 2016
"CHEIROS DA VIDA" - 153 - INOVANDO SEMPRE
Acho que o mundo está virado de cabeça para baixo. Passamos há pouco tempo por um rito eleitoral e foi uma lástima tudo que aconteceu. Candidatos despreparados, a mediocridade reinando nas apresentações e nos debates. Resultado: prefeitos de quinta categoria compromissados com terceiros, interessados unicamente em seus planos de enriquecimento pessoal, totalmente alheios aos problemas e soluções relativos aos assuntos municipais.
Idem, idem na maior nação do mundo. A eleição americana teve uma campanha digna da mais reles nação do terceiro mundo. Uma baixaria só.
O resultado não deixou nada a dever com a eleição de Donald Trump incorporação perfeita de um requintado cafajeste à margem da lei e da cidadania digna.
Contrariamente à realidade que vivemos hoje, cercada de aflições, expectativas agourentas e previsões de longo período de trevas, aquela época, em pleno terceiro ano do movimento de 1964, vivíamos um ambiente de segurança, progresso e tranquilidade (apesar que na atualidade a mídia quase toda dominada pela esquerda diz que vivíamos um circo dos horrores - os anos de chumbo). Na verdade aqueles envolvidos em lutas ideológicas para implantação de uma ditadura de extrema esquerda, estes, sentiam-se acuados e ameaçados. A maioria esmagadora de brasileiros viviam sua vidas uma liberdade sem limites.
Em novembro de 1966 recebi com orgulho o convite para assumir a chefia do serviço no qual trabalhava. Em 24 de novembro de 1966 minha portaria foi assinada pelo Governador Embaixador Francisco Negrão de Lima. Fui nomeado Chefe do Serviço de Planejamento e Controle da Divisão Técnica do Departamento de Urbanização da Sursan da Secretaria de Obras do Estado da Guanabara. Serviço este, ligado diretamente ao Gabinete do Diretor do Departamento.
Lacerda, apesar de ter feito um governo reconhecidamente profícuo, não conseguiu eleger seu sucessor. Assim o Embaixador Francisco Negrão de Lima foi eleito governador compondo uma chapa unindo seu partido PSD - Partido Social Democrático ao PTB - Partido Trabalhista Brasileiro representado pelo então eleito Vice-Governador Rubens Berardo jornalista e dono de uma empresa radiofônica, a Emissora Continental, eminentemente especializada em jornalismo e posteriormente ampliada com a fundação da TV-Continental de vida curta.
O resultado das eleições de 1965 foi.
1º Negrão de Lima, PSD com 582.026 votos; 2º Flexa Ribeiro, UDN com 442.363 votos; 3º Amaral Neto, PL com 40.403 votos; 4º Aurélio Viana, PSB com 25.841 votos; 5º Helio Damasceno, PTN com 14.140 votos.
Negrão de Lima foi eleito com 52,68% do votos válidos.
Foi neste governo (no qual não votei) que passei a ocupar pela primeira vez uma chefia na minha longa carreira na Prefeitura. Na verdade meu nome foi referendado pelo Engenheiro Raymundo de Paula Soares, então, o novo Secretário de Obras que tomara posse cheio de novas idéias e disposto a fazer uma administração que marcasse época. Por tudo isso imaginem com que euforia e gana eu assumia meu novo cargo.
Compondo seu plano de administração Paula Soares expedira logo ao início de sua atuação uma política agressiva de pessoal, fixando como teto máximo de gasto com salários para o total dos funcionários de cada setor administrativo, descendo até o nível de Serviço, o que passava a ser o valor global de cada setor, aquele praticado em outubro de 1966.
Assim esse valor de cada setor poderia ser atingido pelo número total de funcionários respectivos. O objetivo real por trás dessa política seria a redução de número de funcionários considerados demasiados para o bom desempenho da máquina administrativa.
A responsabilidade da montagem de cada equipe de cada setor caberia ao chefe. Minha primeira missão: eu chefiava (sim, era eu) um Serviço que tinha quatorze funcionários ao custo total de X Cruzeiros.
Eu poderia permanecer com esses 14 auxiliares ganhando o mesmo salário ou, remunerar melhor aqueles qualificados com boa produtividade, reduzindo o número total de profissionais.
Assim fiz: como conhecia de sobejo todos os que trabalhavam no 1 DT-S, essa era a sigla do Serviço de Planejamento, fiz uma análise nome a nome da atuação e desempenho de cada auxiliar. Reduzi de quatorze para sete o número total de funcionários, devolvendo, inclusive aos órgãos de origem funcionários que estavam equivocadamente lotados no meu Serviço, como por exemplo da Secretaria de Educação que lá estavam, possivelmente por compadrio, com baixo desempenho, apenas para fugir das salas de aulas.
De saída comprei algumas antipatias mas, pude remunerar bem melhor aqueles que iriam me ajudar numa nova fase que sabia iria ser implementada pela administração de Paula Soares.
Assim foi feito e tive meu primeiro sucesso. No final do ano seguinte, meu 1DT-S foi eleito o Serviço mais eficiente do Departamento de Urbanização recebendo medalha de ouro na festa de fim de ano realizada no Canecão, presente toda a comunidade da Prefeitura.
Fiquei feliz e orgulhoso daquele feito, afinal fora um ano difícil tendo em vista, inclusive, as chuvas de verão que quase destruíram a cidade. Foram dias de muito risco e trabalho. Toda a minha equipe cumpriu com especial zelo e responsabilidade, exemplarmente, as árduas missões a ela impostas, sendo, o que era novidade no serviço público, o que aconteceu.
Ao final de cada mês eram remunerados com justiça em função do grau desempenho pessoal dentro do grupo.
quarta-feira, 9 de novembro de 2016
CHEIROS DA VIDA - 152 - IMPOSSÍVEL FICAR INSENSÍVEL
Já cumpri uma caminhada de setenta e sete anos. Talvez mais longa que jamais imaginara e, ao olhar com cuidado minha estampa no espelho vejo meu rosto marcado pelo tempo decorrido mas, talvez, ainda com um brilho de quem ainda não perdeu a capacidade de sonhar, apesar dos tropeços, que foram vários e, cada vez mais sérios, ao longo desta jornada preparada por meus pais, acompanhada de meus entes queridos e aquecida pela quantidade de amigos que consegui granjear ao longo do percurso.
Devo ser grato a Deus: fui um cara feliz.
Chegou o momento de repetir a frase sobre a qual tenho meditado longamente. Frase madurada e realista: "ninguém chega impunemente aos 77 anos"...
Além da doença que teima em fazer um périplo pelo meu organismo disseminando por onde circula células de má fama, dor, desconforto bem como limitando as ações habituais de um ser hígido e gerando tratamentos prolongados e sofridos; tudo isso a custa de um cansaço exagerado e, trazendo momentos de intensa solidão acrescidos pela tomada cotidiana do conhecimento de novas informações pela mídia perversa que não deixa um segundo de trazer problemas para a cabeça de cada cidadão consciente.
São cada vez mais graves as notícias e perto de nós afligem problemas políticos-sociais-econômicos que em tempo algum acometeram esse pais em semelhante grau - fruto de uma torpe tomada do poder engendrada com a finalidade de sorver até o último recurso da nação, pouco importando o destino de milhões de brasileiros, fazendo hibernar num limbo cruel 13 milhões de desempregados e mais de 60 milhões de cidadãos inadimplentes.
Os amigos alertam: - está na hora de pensar só em você.
E os meus filhos, meus netos, todos que me cercam e me fazem tomar conhecimento de seus dramas. Sou um cidadão brasileiro, e como tal devo ser em qualquer hipótese solidário com eles; assim fui educado, assim minha fé me deu convicções e devo assumi-las até o fim...
Impossível ficar insensível...
quinta-feira, 4 de agosto de 2016
"CHEIROS DA VIDA" - 151 - REPLETA DE ALEGRIA NOVAMENTE
No capítulo anterior me referi:"...a doença que parece estar procurando outros caminhos para atacar...".
Aconteceu. Foram descobertos nódulos nos meus dois pulmões, certamente coisa recente, metástase do câncer que ocasionou a retirada radical de minha próstata e bexiga.
Mais uma batalha que já estou enfrentando - quimioterapia com sessões sempre as terças-feiras - com todas as naturais consequências. Mais um vez vale minha frase do momento "Ninguém chega aos setenta e sete anos impunemente". Este é o preço a pagar. Vou pagar moeda por moeda e, ao final, ainda vou querer troco. Isso vou...
Não vou querer parar a minha história na melhor fase: estava revivendo o início da vida de casado, os primeiros sucessos profissionais, os filhos que foram vindo devagarinho, um monte de conquistas saboreadas com bastante deleite, as novas amizades muitas delas para sempre e os normais tropeços que a vida corrente nos apresenta.
Os domingos eram, quase sempre, passados integralmente na casa de meus sogros Nice e Mário. Juntos meus cunhados Elisepte e Carlos Alberto, Verinha e Luiz Mário e os de casa Tia Célia (Tité) e Paulo meu cunhado mais velho e ainda, até então, solteiro. Quase sempre também presentes os agregados familiares Vera (madrinha de Crisma da Tania), Bilulú e Didi, todas já senhoras sendo que as duas últimas, conhecidas por seus apelidos, tinham o mesmo nome Maria Adelaide.
Para Nice, Célia e Mário não deixava de ser uma festa ter os três filhos de volta ao lar pelo menos por um fim de semana já que Carlos Alberto em fevereiro, Luiz Mário em abril e Tania em julho deixaram, num intervalo de cinco meses a casa vazia. 1965 foi um ano de casamentos naquela família Curty Giffoni.
Elisepte ficou grávida logo e, em dois de dezembro de 1965, nascia meu sobrinho Luiz Paulo começando a reencher a casa com os netos que viriam em sequência. Com o decorrer dos anos foram dez os que iriam brincar nos jardins daquela casa acolhedora, contando com os dois decorrentes do casamento de Heloisa e Paulo Cezar em 1969. Muita festa e contentamento nos esperava logo, logo...
Depois do Luiz Paulo (Iba) vieram: Tóia, Paulo Mário (Mazzo), Claudia, Luiz Henrique (Ique), Alexandre (Xande). Bruno, Alexandra (Xanda), Ricardo (Rico) e Bernardo (Bê).
Nos domingos o aconchego da Rua Morais e Silva, 19, casa de Nice e Mário, ficava repleto de alegria novamente.
sábado, 11 de junho de 2016
"CHEIROS DA VIDA" - 150 - "BREVE, OU LONGA ?..."
Se a vida é breve ou longa, depende do momento que vivemos.
Os seis dias que vivi numa UTI, em agosto de 2015, foram os mais longos, duros, tristes, solitários e sofridos de minha já longa vida.
Gostaria muito que não se repetissem. Acho difícil concretizar meu desejo, tais as circunstâncias que me cercam. Deus me dará força. Lá, isolado do mundo, sem minha mulher, meus filhos e netos, meus parentes do coração e, meus amigos, que felizmente são muitos, só Ele poderá me entender e fortalecer.
Mas, a luta será minha e eu não posso fraquejar.
Desafios já aconteceram várias vezes no passado e não será agora que irei falhar. Vale a pena cada momento ganho a mais para viver junto aos meus queridos.
Penso que nesta área a medicina tem muito para evoluir. Como estão..., não sei...
Livre daqueles grilhões no entanto, continuo sofrendo com a decadência de meu país que vive, como em geral todo o mundo, a "Era da Mediocridade e da Insensatez". Não era esse, positivamente, o Século XXI que sonhava. Bem que dizia Tininha, com razão e firmeza das pessoas inteligentes e observadoras: "Meu filho, abaixe um pouquinho essa "crista de galo empavonado e deixe de ser tão sonhador sempre querendo mais e mais. Deste modo você vai sofrer muito ao longo da vida. Cuidado Senhor José Carlos".
É dizia mais "É bom o senhor pensar bem nisso e não deixar o que ouviu entrar por um ouvido e sair pelo outro". A voz era firme, forte e segura de quem sabe o que está dizendo. Ao mesmo tempo envolvida por ternura e amor. Se pudesse, responderia para ela: "Não saiu pelo outro; agora, que sofri, sofri...".
Como era sábia minha mãe considerando os poucos anos de estudo que teve. E como ela era forte para enfrentar a vida. Quanta saudade e quanta falta. Seu exemplo de dignidade sempre me deu muito orgulho. Papai também. Os dois: meus Heróis. Recebi muito e, muito tenho a deixar para todos que me cercam, aqueles que me amam e também aqueles que me olham com "olhar atravessado". Afinal, somos todos filhos de um mesmo Pai.
Voltando à realidade, quantas batalhas tenho ainda a enfrentar: a doença que parece estar procurando outros caminhos para atacar, a falta dinheiro que afeta todos os brasileiros honrados, a vergonha que sinto vendo nosso país sendo ridicularizado em todas as partes de mundo, os problemas de subsistência enfrentados pelos meus filhos, o futuro de meus netos, a crise de cidadania que prolifera pelo Brasil, as ideologias falaciosas que idiotizam toda uma geração de jovens brasileiros e, por ai vai.
Além de todas as crises os de nossa terra enfrentam a mais grave, covarde e impatriótica convulsão provocada pela ambição, egoísmo, pusilanimidade, sordidez daqueles que de algum modo ( legal ou muitas vezes ilegalmente) detém o poder em nosso país : O DESEMPREGO.
Afinal: como sinto a vida agora, "Breve, ou longa?..."
domingo, 29 de maio de 2016
"CHEIROS DA VIDA" - 149 - QUERO IR O MAIS LONGE POSSÍVEL
No último capítulo me referi à dificuldade na retomada do meu caminho.
Passados alguns dias a coisa piorou. Encontro-me diante de uma verdadeira encruzada com várias trilhas diferentes e um somatório incalculável de possibilidades e dependências.
Tenho urgentemente que optar por um rumo seguro e abrangente.
Escolhi essa vereda que se apresenta um tanto tortuosa e está orlada por máquinas e aparelhos de última geração prontos para entrar em operação no sentido de moderniza-la, sendo, no entanto, embargados por pessoas com olhares odiosos que tentam de todos os modos impedir tais serviços.
Identifico nesta imagem a situação de nosso pais que por estes dias livrou-se, provisoriamente, da Presidente Dilma que está em processo de Impeachment e afastada do poder. Se Deus tiver pena do Brasil, e terá, afastada para sempre e, o povo brasileiro definitivamente livre dos treze anos perdidos pelo populismo decorrente do "lulo-petismo" que, entre outras desgraças, gerou uma taxa odiosamente crescente de desemprego que já afeta doze milhões de brasileiros como nós (minha filha está nesse caso; perdeu recentemente o emprego).
Não adianta pensar nos outros roteiros. Este é o que tenho para trilhar e nele vou ter que, como todos os brasileiros, fazer a melhor caminhada possível, certamente com a ajuda de meu Deus.
Em confronto com essa situação negativa, nossa história alicerçada nos "cheiros da vida" está atravessando um momento maravilhoso. O casamento e a carreira perfilam-se lado a lado, dando os primeiros passos no desenvolvimento de um enredo que já dura exatos cinquenta e um anos. Vêm à memoria fatos e efemérides que marcaram meu sentir ao longo de todos esses inesquecíveis anos. Tais lembranças não podem ser descartadas. Devem ser relembradas e passadas às novas gerações.
Que não repitam, os mais jovens, as bobagens que cometemos e estejam atentos para escrever uma história renovada, afastando-se de ideologias que jamais foram nossas e, sorrateiramente, estão sendo covardemente, lançadas na calada-da-noite, atingindo corações e mentes em formação, inclusive, financiando tais iniciativas através de uma corrupção abominável e pusilânime. Assim inoculam na juventude, com a mais sínica desfaçatez, propósitos totalitários fantasiados de "democracia".
Como esses anos passaram rápido? Como permitimos o germinar destas ideologias espúrias? A mentira, a propaganda subliminar repetida à exaustão, o estatismo perverso aniquilam gerações inteiras a favor da ganância de poucos.
Como regredimos! Principalmente nesses últimos quatorze anos...
Apesar de tudo, venham degustar tudo de bom que fizemos e aproveitar comigo, com desvelo, os poucos anos que ainda possivelmente disponho para testemunhar tudo que vivi e tentarmos juntos, na medida do possível, apagar esse quadro que vem destruindo o amor-próprio de toda uma nação.
Vai ser bom para mim; ótimo, principalmente para o meus jovens leitores, que felizmente, são muitos.
Quero ir o mais longe possível. Deus me ajudará. Estes quase setenta e sete anos que já vivi não podem ficar no esquecimento.
Não, para mim.
Tenho urgentemente que optar por um rumo seguro e abrangente.
Escolhi essa vereda que se apresenta um tanto tortuosa e está orlada por máquinas e aparelhos de última geração prontos para entrar em operação no sentido de moderniza-la, sendo, no entanto, embargados por pessoas com olhares odiosos que tentam de todos os modos impedir tais serviços.
Identifico nesta imagem a situação de nosso pais que por estes dias livrou-se, provisoriamente, da Presidente Dilma que está em processo de Impeachment e afastada do poder. Se Deus tiver pena do Brasil, e terá, afastada para sempre e, o povo brasileiro definitivamente livre dos treze anos perdidos pelo populismo decorrente do "lulo-petismo" que, entre outras desgraças, gerou uma taxa odiosamente crescente de desemprego que já afeta doze milhões de brasileiros como nós (minha filha está nesse caso; perdeu recentemente o emprego).
Não adianta pensar nos outros roteiros. Este é o que tenho para trilhar e nele vou ter que, como todos os brasileiros, fazer a melhor caminhada possível, certamente com a ajuda de meu Deus.
Em confronto com essa situação negativa, nossa história alicerçada nos "cheiros da vida" está atravessando um momento maravilhoso. O casamento e a carreira perfilam-se lado a lado, dando os primeiros passos no desenvolvimento de um enredo que já dura exatos cinquenta e um anos. Vêm à memoria fatos e efemérides que marcaram meu sentir ao longo de todos esses inesquecíveis anos. Tais lembranças não podem ser descartadas. Devem ser relembradas e passadas às novas gerações.
Que não repitam, os mais jovens, as bobagens que cometemos e estejam atentos para escrever uma história renovada, afastando-se de ideologias que jamais foram nossas e, sorrateiramente, estão sendo covardemente, lançadas na calada-da-noite, atingindo corações e mentes em formação, inclusive, financiando tais iniciativas através de uma corrupção abominável e pusilânime. Assim inoculam na juventude, com a mais sínica desfaçatez, propósitos totalitários fantasiados de "democracia".
Como esses anos passaram rápido? Como permitimos o germinar destas ideologias espúrias? A mentira, a propaganda subliminar repetida à exaustão, o estatismo perverso aniquilam gerações inteiras a favor da ganância de poucos.
Como regredimos! Principalmente nesses últimos quatorze anos...
Apesar de tudo, venham degustar tudo de bom que fizemos e aproveitar comigo, com desvelo, os poucos anos que ainda possivelmente disponho para testemunhar tudo que vivi e tentarmos juntos, na medida do possível, apagar esse quadro que vem destruindo o amor-próprio de toda uma nação.
Vai ser bom para mim; ótimo, principalmente para o meus jovens leitores, que felizmente, são muitos.
Quero ir o mais longe possível. Deus me ajudará. Estes quase setenta e sete anos que já vivi não podem ficar no esquecimento.
Não, para mim.
quarta-feira, 20 de abril de 2016
"CHEIROS DA VIDA" - 148 - CASCATINHA TAUNAY
Está difícil retomar o caminho...
A situação política, administrativa, econômica e moral do país está nos levando a um profundo poço. No andar voraz do tempo (Ressonância Shumann?) a fundura deste abismo parece cada vez ficar mais distante.
Esse fato somado ao meu estado de saúde, ainda em recuperação após as cirurgias do ano passado, a falta de dinheiro que não é novidade, e que atinge todos os brasileiros, bem como a sequência interminável de dias excessivamente quentes, tem abalado meu ânimo para coordenar as idéias e, sentar diante do computador e dar sequência à tarefa a que me impus.
A cada dia novo escândalo atinge em cheio o governo petista e, indiretamente, agride a cada um de nós. Encarando com realismo os fatos que vêm acontecendo nada me causa admiração. Desde de 2003, com a posse de Lula, venho alertando que certamente o Brasil enfrentaria grave crise. A nacionalidade sairia bastante machucada após essa experiência tresloucada com o populismo do chamado lulo-petismo.
. Assim vem acontecendo. Todas as conquistas alcançadas até então, escoaram pelo ralo, inclusive o Plano Real que nos afastou do temível fantasma da inflação. Teremos muito a falar dessa desgraça vermelha que atingiu nosso país.
O pior de tudo: não sabemos o fim desse drama e o que está reservado para destino de nosso povo.
Vamos tentar, mais uma vez, voltar à nossa história.
Na Sursan, após a entrega da "Proposta Orçamentária" o ritmo de trabalho tomou o caminho da normalidade e, usualmente, antes das oito já estava em casa. Era setembro e próximo do final da primeira quinzena aconteceu um chamado"veranico" fora do tempo. Dias seguidos com ausência de chuva, baixa umidade relativa do ar e temperaturas elevadas, mesmo à noite.
Tive uma ideia que logo-logo recebeu entusiástica aprovação da Tania.
- Tania vamos aproveitar estes dias de pleno verão para curtir um programa baratinho e intensamente libertário (para nós, agora livres da eterna-vigilância dos tempos de namoro) e mais, um programa certamente muito romântico.
- Falou em sair é comigo mesmo...
- Então eu não sei?
- Fala que eu já estou curiosa e gostando demais.
- Calma! Há tempo para tudo.
- Fala...
- Antes, um beijinho!
- Hiii..., pronto.
- Fazemos um lanche desse tamaninho, bem rápido, na cozinha mesmo. Em seguida passo uma água no rosto, troco de camisa, você ajeita o cabelo bota meu perfume preferido, aquele Cabochard novinho que esta na sua mesinha de cabeceira e partimos imediatamente para o Alto da Boa Vista viajando de bonde é claro - 67 - Alto da Boa Vista, respirando aquele ar puro da mata da Tijuca.
- Só isso?
- Está me chamando de boboca? Olha que sento naquele sofá e fico vendo televisão até o galo do vizinho cantar... Olha que eu sou "mau como um pica-pau". Brinca comigo... Aproveita me dá mais um beijinho
- Tem mais?
- "Pela madrugada"!!! Acho que você está mangando de mim...
- Então fala!
- Vai se arrumando que eu já e já estou pronto. É evidente que tem mais. Aprende a andar rápido pois comigo e tudo expresso; aprendi com papai. Sou um "azougue". Nunca esqueça: "azougue" sou eu.
- Fala logo, meu Deus.
- O programa é bem simples e baratinho.
- Já não estou gostado...
- Não tem outra alternativa: vou ligar a TV.
- Não, não...
- Então deixa eu falar. Já estamos perdendo tempo. Te digo mais: você vai gostar e, toda moite quente e linda como a de hoje, sem uma nuvem no céu, uma lua quase cheia você vai querer repetir muitas e muitas vezes. Lembra que temos o tempo à nossa disposição e "sem reloginhos...".
- Chegando no Alto, na Praça Afonso Vizeu, descemos calmamente do bonde, nos damos as mãos como dois namoradinhos apaixonados, e a passos lentos seguimos a estradinha que nos levará à Cascatinha Taunay. Subimos ao bar, tomamos uma mesa bem perto da queda d'água, pedimos dois chopes bem gelados e um tira-gosto que já conheço e é muito bem feito.
Assim foi feito.
- Quer dizer que o senhor era "useiro e vezeiro" em vir aqui com outras garotas?
- Antes fosse... Vinha sim com um monte de marmanjos - Fadini, Carlos Alberto, Afonso, Jorge, Paulinho e mais alguém do Sabóia para discutir futebol, política ou outro assunto da época, inclusive as coisas do amor.
- Acredito nisso?
- A decisão é sua... Nada posso fazer. É pegar ou largar. Caso contrário, volto para casa e ligo a TV.
- Estamos perdendo tempo. Claro que acredito no meu amor.
Nossos rostos chegavam a ficar úmidos pelo vapor da águas em queda. Muitos namorados nos cercavam em mesas próximas e passamos uma noite de muitos beijos, carícias e troca de confidências. Estávamos escrevendo a história de nosso amor.
Muito a contra gosto descemos no bonde da uma da manhã e em menos de 30 minutos estávamos em casa, após termos subido a Estrada Velha da Tijuca a pé, sem nenhuma vivalma na rua, despreocupados, continuando o amor que começamos lá em cima, no Alto da Tijuca.
Repetimos esse programa várias vezes em total segurança e repletos de felicidade.
Em tempo - Estávamos em plenos "Anos de Chumbo" como dizem os "esquerdinhas" falseando a verdade, até os dias atuais. Contrariamente ao que apregoam jamais fomos importunados por nada e por ninguém. Parecia que o mundo se resumia a nós: a noite, a cachoeira, o perfume da mata, a brisa cortada pelo bonde em sua veloz descida, a lua, e finalmente nossa presença transformando a rua deserta em uma passarela de afetos só nossa.
E o mais importante: nosso amor que já dura mais de cinquenta anos, conserva com a mesma intensidade aqueles tempos de jovens.
A situação política, administrativa, econômica e moral do país está nos levando a um profundo poço. No andar voraz do tempo (Ressonância Shumann?) a fundura deste abismo parece cada vez ficar mais distante.
Esse fato somado ao meu estado de saúde, ainda em recuperação após as cirurgias do ano passado, a falta de dinheiro que não é novidade, e que atinge todos os brasileiros, bem como a sequência interminável de dias excessivamente quentes, tem abalado meu ânimo para coordenar as idéias e, sentar diante do computador e dar sequência à tarefa a que me impus.
A cada dia novo escândalo atinge em cheio o governo petista e, indiretamente, agride a cada um de nós. Encarando com realismo os fatos que vêm acontecendo nada me causa admiração. Desde de 2003, com a posse de Lula, venho alertando que certamente o Brasil enfrentaria grave crise. A nacionalidade sairia bastante machucada após essa experiência tresloucada com o populismo do chamado lulo-petismo.
. Assim vem acontecendo. Todas as conquistas alcançadas até então, escoaram pelo ralo, inclusive o Plano Real que nos afastou do temível fantasma da inflação. Teremos muito a falar dessa desgraça vermelha que atingiu nosso país.
O pior de tudo: não sabemos o fim desse drama e o que está reservado para destino de nosso povo.
Vamos tentar, mais uma vez, voltar à nossa história.
Na Sursan, após a entrega da "Proposta Orçamentária" o ritmo de trabalho tomou o caminho da normalidade e, usualmente, antes das oito já estava em casa. Era setembro e próximo do final da primeira quinzena aconteceu um chamado"veranico" fora do tempo. Dias seguidos com ausência de chuva, baixa umidade relativa do ar e temperaturas elevadas, mesmo à noite.
Tive uma ideia que logo-logo recebeu entusiástica aprovação da Tania.
- Tania vamos aproveitar estes dias de pleno verão para curtir um programa baratinho e intensamente libertário (para nós, agora livres da eterna-vigilância dos tempos de namoro) e mais, um programa certamente muito romântico.
- Falou em sair é comigo mesmo...
- Então eu não sei?
- Fala que eu já estou curiosa e gostando demais.
- Calma! Há tempo para tudo.
- Fala...
- Antes, um beijinho!
- Hiii..., pronto.
- Fazemos um lanche desse tamaninho, bem rápido, na cozinha mesmo. Em seguida passo uma água no rosto, troco de camisa, você ajeita o cabelo bota meu perfume preferido, aquele Cabochard novinho que esta na sua mesinha de cabeceira e partimos imediatamente para o Alto da Boa Vista viajando de bonde é claro - 67 - Alto da Boa Vista, respirando aquele ar puro da mata da Tijuca.
- Só isso?
- Está me chamando de boboca? Olha que sento naquele sofá e fico vendo televisão até o galo do vizinho cantar... Olha que eu sou "mau como um pica-pau". Brinca comigo... Aproveita me dá mais um beijinho
- Tem mais?
- "Pela madrugada"!!! Acho que você está mangando de mim...
- Então fala!
- Vai se arrumando que eu já e já estou pronto. É evidente que tem mais. Aprende a andar rápido pois comigo e tudo expresso; aprendi com papai. Sou um "azougue". Nunca esqueça: "azougue" sou eu.
- Fala logo, meu Deus.
- O programa é bem simples e baratinho.
- Já não estou gostado...
- Não tem outra alternativa: vou ligar a TV.
- Não, não...
- Então deixa eu falar. Já estamos perdendo tempo. Te digo mais: você vai gostar e, toda moite quente e linda como a de hoje, sem uma nuvem no céu, uma lua quase cheia você vai querer repetir muitas e muitas vezes. Lembra que temos o tempo à nossa disposição e "sem reloginhos...".
- Chegando no Alto, na Praça Afonso Vizeu, descemos calmamente do bonde, nos damos as mãos como dois namoradinhos apaixonados, e a passos lentos seguimos a estradinha que nos levará à Cascatinha Taunay. Subimos ao bar, tomamos uma mesa bem perto da queda d'água, pedimos dois chopes bem gelados e um tira-gosto que já conheço e é muito bem feito.
Assim foi feito.
- Quer dizer que o senhor era "useiro e vezeiro" em vir aqui com outras garotas?
- Antes fosse... Vinha sim com um monte de marmanjos - Fadini, Carlos Alberto, Afonso, Jorge, Paulinho e mais alguém do Sabóia para discutir futebol, política ou outro assunto da época, inclusive as coisas do amor.
- Acredito nisso?
- A decisão é sua... Nada posso fazer. É pegar ou largar. Caso contrário, volto para casa e ligo a TV.
- Estamos perdendo tempo. Claro que acredito no meu amor.
Nossos rostos chegavam a ficar úmidos pelo vapor da águas em queda. Muitos namorados nos cercavam em mesas próximas e passamos uma noite de muitos beijos, carícias e troca de confidências. Estávamos escrevendo a história de nosso amor.
Muito a contra gosto descemos no bonde da uma da manhã e em menos de 30 minutos estávamos em casa, após termos subido a Estrada Velha da Tijuca a pé, sem nenhuma vivalma na rua, despreocupados, continuando o amor que começamos lá em cima, no Alto da Tijuca.
Repetimos esse programa várias vezes em total segurança e repletos de felicidade.
Em tempo - Estávamos em plenos "Anos de Chumbo" como dizem os "esquerdinhas" falseando a verdade, até os dias atuais. Contrariamente ao que apregoam jamais fomos importunados por nada e por ninguém. Parecia que o mundo se resumia a nós: a noite, a cachoeira, o perfume da mata, a brisa cortada pelo bonde em sua veloz descida, a lua, e finalmente nossa presença transformando a rua deserta em uma passarela de afetos só nossa.
E o mais importante: nosso amor que já dura mais de cinquenta anos, conserva com a mesma intensidade aqueles tempos de jovens.
domingo, 13 de março de 2016
"CHEIROS DA VIDA" - 147 - O PÓ ROYAL
O
dia dois de agosto de 1965 foi realmente cheio de emoções. O primeiro dia
verdadeiramente útil, dia de estudo e trabalho após as férias nupciais. Ainda
temos história para contar.
Tanta coisa aconteceu que acabei saindo da Sursan lá pelas voltas das oito da noite, aproveitando o silêncio do escritório visando preparar o roteiro de trabalho para a missão que me houvera sido confiada.
Felizmente meu colega de trabalho, o Roberto Pereira, um veterano bem mais velho que eu e, que mais tarde faria parte do nosso grupo do "Movimento Familiar Cristão", já tinha combinado comigo uma carona até em casa. Morávamos, ambos, na Estrada Velha da Tijuca e, por coincidência, também ele iria sair um pouco mais tarde. Devido ao retardo da hora, com o tráfego comportado, chegamos em casa antes das nove. Ainda me reportarei a Roberto nestas páginas.
Quando subi as escadarias do prédio senti uma ansiedade de chegar logo em casa e abraçar e beijar minha mulher. Algo novo estava acontecendo na minha vida e, pela vez primeira estava chegando em casa, na minha casa, após um dia cansativo de trabalho. O primeiro de muitos e muitos.
Já dentro do prédio comecei a correr e a saltar de dois em dois degraus até chegar, já com a chave na mão, para abrir a porta (esqueci de contar: meu edifício não tinha elevador).
Tania estava linda e, na cozinha, acabava de dar os retoques finais no preparo de nosso primeiro jantar de um dia de vida para valer. Muitos beijos e abraços e a busca do banho reconfortador que dava oficialmente por encerrado meu primeiro dia de trabalho. Estava muito feliz.
Revigorado voltei à sala e o cheiro da comida estava maravilhoso. Tania no entanto não estava muito animada.
- Que foi?
- Sei lá?
- Como, sei lá?
- Nada, nada...
- Fala menina!
- O suflê.
- Que tem o suflê; está tão cheiroso?
- Deu tudo errado.
- Tudo? Tudo o quê?
- Não!
- Fala menina!
- Esqueci de colocar pó Royal e o suflê não cresceu.
Um beijo acabou com o desalento.
- Está tudo maravilhoso! Vamos ver um pouco de televisão e namorar um pouquinho nos deliciando com este restinho de vinho pois, amanhã, recomeça a batalha da vida...
Tanta coisa aconteceu que acabei saindo da Sursan lá pelas voltas das oito da noite, aproveitando o silêncio do escritório visando preparar o roteiro de trabalho para a missão que me houvera sido confiada.
Felizmente meu colega de trabalho, o Roberto Pereira, um veterano bem mais velho que eu e, que mais tarde faria parte do nosso grupo do "Movimento Familiar Cristão", já tinha combinado comigo uma carona até em casa. Morávamos, ambos, na Estrada Velha da Tijuca e, por coincidência, também ele iria sair um pouco mais tarde. Devido ao retardo da hora, com o tráfego comportado, chegamos em casa antes das nove. Ainda me reportarei a Roberto nestas páginas.
Quando subi as escadarias do prédio senti uma ansiedade de chegar logo em casa e abraçar e beijar minha mulher. Algo novo estava acontecendo na minha vida e, pela vez primeira estava chegando em casa, na minha casa, após um dia cansativo de trabalho. O primeiro de muitos e muitos.
Já dentro do prédio comecei a correr e a saltar de dois em dois degraus até chegar, já com a chave na mão, para abrir a porta (esqueci de contar: meu edifício não tinha elevador).
Tania estava linda e, na cozinha, acabava de dar os retoques finais no preparo de nosso primeiro jantar de um dia de vida para valer. Muitos beijos e abraços e a busca do banho reconfortador que dava oficialmente por encerrado meu primeiro dia de trabalho. Estava muito feliz.
Revigorado voltei à sala e o cheiro da comida estava maravilhoso. Tania no entanto não estava muito animada.
- Que foi?
- Sei lá?
- Como, sei lá?
- Nada, nada...
- Fala menina!
- O suflê.
- Que tem o suflê; está tão cheiroso?
- Deu tudo errado.
- Tudo? Tudo o quê?
- Não!
- Fala menina!
- Esqueci de colocar pó Royal e o suflê não cresceu.
Um beijo acabou com o desalento.
- Está tudo maravilhoso! Vamos ver um pouco de televisão e namorar um pouquinho nos deliciando com este restinho de vinho pois, amanhã, recomeça a batalha da vida...
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016
EXTRA - LI NA INTERNET - A CATRACA VAZIA
A catraca vazia ou A origem de todos os males do Brasil
Relato // Prof. Décio Tadeu Orlandi, bacharel em Letras pela USP e mestre em Literatura pela UFG. Venceu o Prêmio Casa de las Américas (Cuba) na categoria Melhor Romance, em 1994. Atualmente é coordenador pedagógico do Ensino Médio no Centro Educacional Sesc Cidadania.
Domingo.
Saguão de uma conhecida escola particular de Goiânia. Havia levado minha filha de dez anos para participar de um torneio interescolar de xadrez. A instrução que havia recebido era clara: início das partidas às 10 horas. Nada complicado, ou esotérico ou impossível, apenas um breve comando: início das partidas às 10 horas.
Cheguei às 9h45. Às 10h05, minha filha estava sentada diante de uma cadeira vazia… A sua oponente chegou, esbaforida, quase 20 minutos depois. Ao lado dela, o pai, munido das tradicionais desculpas: distância, trânsito. Trânsito? No domingo de manhã? Não havia trânsito.
Depois de que a menina se sentou diante da minha filha, como se nada houvesse, muitas outras crianças ainda chegaram, acompanhadas por seus pais e suas mesmas desculpas. Todos entravam no auditório cujas portas fechadas traziam um enorme cartaz onde se lia Não entre. Para evitar me aborrecer mais ainda com a balbúrdia, fui me sentar longe das portas.
Por todo o saguão, crianças pequenas começavam a correr de um lado para outro, gritando (e atrapalhando os enxadristas, mas e daí?) sob o olhar indiferente de seus pais, e contrariando um claro aviso na parede: Não corra, evite acidentes. Enfim, saímos, minha filha e eu, só para encontrar nosso carro fechado por uma pick-up que havia estacionado na esquina, sobre a calçada.
No almoço, num grande shopping, famílias corriam para segurar uma mesa (pouco importando o aviso que indicava ser preferencial), disfarçando com seus celulares enquanto pessoas com o prato na mão (algumas idosas) vagavam buscando um lugar para comer. Pedi um sanduíche sem cebola, mas elas estavam lá, pois o atendente não leu o pedido. No cinema, tive de pedir para a jovem na minha frente parar de teclar, pois a luz não me deixava ver o filme.
Acabei a noite de volta a meu apartamento, subindo com um cachorro me cheirando no elevador social – expressamente proibido -, e pedindo silêncio ao meu vizinho de cima que se imagina cantor sertanejo e estava dando um show intimista à meia noite.
Enquanto rolava na cama, tentando ignorar o violão desafinado, tive uma visão. Sim, tudo estava claro agora, tão claro quanto o celular da moça no cinema. Estava aí, o tempo todo, na nossa frente, no nosso dia a dia, a origem de todos os males do Brasil. A nossa própria essência como nação, nossa alma verdadeira, aquela que “olha dentro para fora”, como diria Machado de Assis. Como podia ser tão simples, afinal, e passar tão despercebido?
A verdade simples e crua é que o brasileiro não é capaz de cumprir regras! Só isso.
Incapacidade crônica de cumprir regras. Por isso somos o país com o maior número de leis no mundo – e, como não as cumprimos, nossos legisladores criam novas leis que por sua vez não serão cumpridas, o que vai gerar outras leis, num ciclo infinito… Posso falar por horas sobre este tema : sou professor e há 25 anos e já ouvi (é verdade que nunca tanto quanto agora) tantas desculpas esfarrapadas de alunos e também de pais para burlar as mais simples regras do cotidiano escolar.
Assim como a menina de dez anos no torneio de xadrez, que aprendeu na prática com o seu pai que as regras não existem na verdade aqui, e que qualquer problema se resolve miraculosamente com uma mentira qualquer – foi o trânsito…
Fui mal na prova porque não estudei – jamais! A culpa é do professor que me persegue, do bullying que sofro dos meus colegas, da escola que não me entende, da educação que é repressora, da sociedade, do destino, de Deus! Ora, meus irmãos, ponhamos as nossas mãos cheias de culpa nas nossas consciências brasileiras tão enferrujadas e admitamos: somos nós que não sabemos seguir regras simples e que transformamos esse país tão lindo em um purgatório perpétuo.
O problema da violência no trânsito é que não cumprimos as regras do trânsito. Simples assim. Corrupção no governo? Normas que são burladas, tanto por quem contrata quanto por quem é contratado, diga-se de passagem. Há milhares de leis, mas não para mim. Eu ignoro, eu dou desculpas, eu passo por cima. Pode nomear o problema, meu caro leitor, e eu lhe darei a mesma causa: incapacidade crônica de cumprir regras. Duvida? A crise hídrica que vai acabar nos matando de sede vem de onde? De leis que são ignoradas – até as do bom senso, como a dona de casa que gasta centenas de metros cúbicos de agua para deixar sua calçada brilhando (ah, sim, o lixo ela empurra discretamente para o vizinho). Mas a calçada estava tão suja! Mas foi só uma vez!
Mas, afinal, todo mundo faz isso, não é mesmo?
Esse processo perigoso e contagioso só vem se agravando… E vai levar este país, inexoravelmente, para o caos, de onde não nos ergueremos jamais, como a alma de Poe presa à sombra do corvo, no seu poema famoso. A menos que algum milagre se opere nas mentes de nossos conterrâneos, e aquele pai, antes de sacar do bolso alguma desculpa pronta para “proteger” seu filho de alguma coisa que ele deveria ter feito e que não fez, antes disso, perceba que está oferecendo à sociedade brasileira mais um cidadão irresponsável, incapaz de assumir seus erros, que não vai nunca se adaptar a um emprego (sim, em que há regras! ), e que, se por nossa infelicidade, for aprovado num concurso público qualquer não vai se especializar em desviar as verbas públicas para seu próprio cofre.
Estamos morrendo nas ruas, nos carros, morrendo de fome, de raiva e de sede (sábio Caetano) simplesmente porque não ensinamos nossos filhos a cumprir as leis que regem a vida em sociedade. E lamento constatar que não estamos nem perto de começar a fazê-lo agora…
Há alguns anos, entrei numa estação de metrô em Estocolmo, a tão civilizada capital da tão primeiro-mundista Suécia, e notei que havia entre muitas catracas comuns uma de passagem livre. Questionei a vendedora de bilhetes o porquê daquela catraca permanentemente liberada, sem nenhum segurança por perto, e ela me explicou que era destinada às pessoas que por qualquer motivo não tivessem dinheiro para a passagem. Minha mente incrédula e cheia de jeitinhos brasileiros não conteve a pergunta óbvia (para nós!): e se a pessoa tiver dinheiro mas simplesmente quiser burlar a lei?
Aqueles olhos suecos e azuis se espremeram num sorriso de pureza constrangedora – Mas por que ela faria isso?, me perguntou. Não lhe respondi. Comprei o bilhete, passei pela catraca e atrás de mim uma multidão que também havia pago por seus bilhetes. A catraca livre continuava vazia, tão vazia quanto minha alma brasileira – e envergonhada.
O grande diferencial é que a honestidade está enraizada na cultura dos escandinavos, assim como na de muitos outros povos europeus.
Na cabeça da atendente sueca, deixar de pagar a passagem tendo dinheiro no bolso é algo tão descabido, que ela realmente não compreendeu a preocupação do estrangeiro:
"- Mas por que alguém faria isto?"
Na verdade, a ideia de que alguém poderia faze-lo, simplesmente por ser um filho da puta, é inconcebível no seu arquivo de conceitos!
Ela nasceu e foi criada lá, e seus valores do que é certo ou errado são muito distintos dos nossos.
Como ela poderia compreender, por exemplo, que no Brasil, um deputado (nababescamente pago para defender os direitos dos cidadãos) quando é pego roubando dinheiro do estado, se sua pena for cumprir "prisão albergue" por alguns anos, ele passará a dormir na cadeia, mas continuará na função pública durante o dia, e ainda ganhando o gordo salário!
Para mudar este quadro social deprimente no qual vivemos seriam necessárias décadas de boa educação a todas as classes sociais.
Mas se há algo que nossos governantes não querem, é tornar maioria da população (que enche as urnas),mais educada, culta, e politizada.
Uma população de ignorantes, é mais facilmente manipulável!
Daí a razão da vergonhosa "aprovação automática" em nossas escolas, verdadeiras fábricas de analfabetos funcionais!
segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016
"CHEIROS DA VIDA" - 146 - O PRIMEIRO DEGRAU
É evidente que entregamos a "Proposta para o Orçamento-Programa de DURB para o Ano de 1966" no tempo aprazado.
Alguns detalhes de pouca monta foram assinalados pela direção do Departamento para modificação. Toda a equipe recebeu um elogio de nosso Diretor o Engenheiro Marcos Tito Tamoyo da Silva (futuramente viria a ser nosso Prefeito, da já então Cidade do Rio de Janeiro).
O que mais me impressionou ao desenvolver essa Proposta foi descobrir quantos lugares e recantos de minha cidade me eram desconhecidos. Ao tomar conhecimento, sobretudo das obras, da programação prevista para a 5ªDO-S, relativas ao sistema de drenagem e saneamento básico da cidade, reconheci o quanto deveria ser feito para a transformação desta vasta área numa metrópole agradável e segura.
Para se ter uma ideia dos rios que deveriam receber obras em 1966, de retificação, dragagem, atualização de sua calhas segue uma pequena listagem para simples conhecimento dos meus estimados leitores: Rio Jacaré (Engenho Novo), Canal do Cunha, e Rio Dom Carlos que chegam a atravessar a Avenida Brasil, Rio Faria (Pavuna), Rio dos Cachorros (até a Rodovia Presidente Dutra), Rio Tingui (Marechal Hermes), Rio Acari (Avenida Automóvel Clube), Rio Papa-Couve (Catumbi), Rio Ramos, Rio Joana, Rio Maracanã, Rio Irajá, Rio das Pedras (Irajá, Madureira), Rio Calogi (Coelho Neto, Pavuna), Rio Piraquara (Realengo), Rio Sanatório (Rocha Miranda).
Estes rios tinham obras específicas. No programa também estavam incluídos o rios e canais que formam a rede hidrográfica da Cidade do Rio de Janeiro e que deveriam receber recursos alocados em cinco "pacotes" com serviços de dragagem, limpeza, pequenas obras de contenção de suas margens e demais serviços complementares.
As obras que formavam o cartão de visitas do Departamento eram: conclusão das obras do Parque de Flamengo, principalmente da área entre o Monumento aos Mortos da Segunda Gerra até o Aeroporto Santos Dumont, inclusive com a construção do Trevo dos Estudantes com suas pistas de acesso e seus dois viadutos, além da passarela ligando o Aeroporto ao Castelo.
Obras complementares no Túnel Santa Bárbara, construção do Túnel Rebouças, Avenida Radial Oeste, Trevo das Forças Armadas com seus quatro viadutos: Marinheiros, Fuzileiros, Aviadores e Pracinhas.
Também fazia parte deste elenco de obras o projeto e construção do Viaduto Santiago Dantas, fazendo a ligação da Praia de Botafogo, Praça Chain Weizman à Rua Pinheiro Machado. Esse projeto todo desenvolvido no DURB com a participação de seus arquitetos urbanistas e engenheiros calculistas mereceu o grande prêmio do IAB para aquele ano, por sua leveza de linhas arquitetônicas, curvatura suave e complexidade do cálculo estrutural (esse viaduto foi inaugurado no governo seguinte pelo Governador Negrão de Lima, sendo, então, Secretário de Obras, o Engenheiro Raymundo de Paula Soares já homenageado por mim nestas páginas).
Nessa época ainda não havia sido fundado o Instituto de Geotécnica (hoje Geo-Rio) e em consequência todas as obras de estabilização de encostas estavam sob a responsabilidade de nosso departamento. Era um volume considerável de obras com a seguinte localização: Rua Tabantinguera, Rua Conselheiro Macedo Soares, Corte de Cantagalo, Rua Senador Simonsen, Rua Benjamim Batista, Rua Joaquim Porto, Rua Ministro Armando Alencar, Rua Almirante Guilhobel, Rua General Marianti, entre outras.
Ao entregar o trabalho pronto sentia-me muito contente, percebendo que acabara de subir o primeiro degrau de minha carreira de engenheiro no Estado da Guanabara de feliz memória, pelo menos, para mim. No final daquele ano já conhecia todos os diretores e companheiros da Sursan e isso foi muito bom para o que viria a seguir.
Sinto muita saudade desse tempo...
Em tempo - anexei em seguida um link postado pela SEAERJ - Sociedade dos Engenheiros e Arquitetos do Estado do Rio de Janeiro, que focaliza uma matéria sobre o Parque do Flamengo - Aterro Brigadeiro Eduardo Gomes e Parque Carlos Lacerda.
Para meu orgulho aparece minha foto e nome na equipe da Sursan.
Bons tempos de juventude e os primeiros momentos de um homem casado...Maravilha!!!
Basta clicar em : PARQUE DO FLAMENGO conforme figuração a seguir e aparecerá o link.
PARQUE DO FLAMENGO
terça-feira, 9 de fevereiro de 2016
"CHEIROS DA VIDA" - 145 - "INÍCIO DE UMA CARREIRA"
Acabei entrando por uns atalhos e fui longe; além da conta. Vamos voltar à nossa história recordando aonde estávamos.
Vamos lá: terminara o mês de julho de 1965 e com ele o tempo das férias para gozo de nossa lua de mel, Tania e eu. No domingo 1º de agosto eu fazia 26 anos e recebia, pela vez primeira, minha família na minha casa. Com a "boca cheia" dizia que estava abrindo os salões para receber convidados ilustres.
Dia 2, segunda-feira, começaria a rotina de acordar às seis horas da manhã, faculdade e trabalho.
Ao chegar ao escritório sou surpreendido com o almoço comemorativo pela minha volta à Sursan e, logo após, sou convocado para uma nova tarefa importante a desenvolver: coordenar a execução da Proposta para o "Orçamento-Programa do DURB para o ano de 1966".
Certo? Então podemos seguir...
Mergulhei de cabeça, devorei os volumes de instruções me detendo principalmente no histórico que nos dava uma visão bem clara do produto a ser elaborado.
Tenho a mania de guardar as agendas de cada ano. Faltam algumas. Pena. Elas são como testemunhas da vida que passou. Nelas estão assinaladas as datas importantes de nossa vida, os acontecimentos, agradáveis ou não, as receitas e as despesas, e por ai vai...
A agenda de 1965 tem um lugar especial, pois identifica fatos que aconteceram numa das melhores fases de minha vida.
Nas páginas relativas ao mês de agosto daquele ano, estão registradas várias notas referindo-se a ocupação que tomaria todo o tempo de uma equipe. Felizmente, tinha conseguido em poucos meses de convívio desenvolver um ambiente muito bom e participativo (naquela época essa palavra ainda não estava em moda, porém tínhamos alcançado sua significação prática).
Eis o meu time: Álvaro Castro Pereira, Desidério Dorneles, Luiz Eduardo Ferreira Tinoco, Luiz Roberto Cardoso Queiroz, Nilton Bello, Oby Monteiro da Silva, Ricardo Romero Estellita Pessoa. Alguns desses amigos já nos deixaram para sempre despertando no fundo de nossa alma um sentimento de saudade doída.
Essa relação está lá na minha agenda assim como os princípios básicos que norteariam o desenvolvimento de nossos estudos.
Em resumo:
- Agenda - definição dos problemas a serem tratados pela ação governamental;
- Estudo de alternativas para atender o item anterior;
- Formulação da opção política a ser adotada;
- Implementação - condições administrativas, jurídicas, técnicas e financeiras para consecução da opção política escolhida pelas autoridades superiores;
- Ações de planejamento;
- Controle do andamento das etapas planejadas:
- Avaliação dos resultados obtidos segundo critérios previamente fixados.
Todo esse cabedal de informações, dados e decisões deveriam ser colhidos nas fontes, tendo como órgão de referência, orientação e consulta a Secretaria de Governo através a sua Coordenação de Planos e Orçamentos dirigida com maestria e vigor pelo Dr. Rego Monteiro.
Com a apresentação e o aval da direção do DURB, eu era recebido na Coordenação como engenheiro fosse. Isso me deixava tranquilo para desenvolver minha missão por mais complicada que aparentasse.
Também nas visitas que fazia às Divisões de Obras da 1ª à 6ª tal fato se repetia. Sentido-me a vontade ia seguindo meu caminho com um desembaraço que até a mim próprio espantava.
Na retaguarda do 1 DT-S, os formulários, tabelas e gráficos iam sendo preenchidos pela equipe com justificativas, quantitativos e valores obtidos na visitas que fazíamos aos diversos pontos da cidade. Toda aquela massa de informações deveria ser submetida às autoridades superiores, elas responsáveis finais pelas decisões executivas do plano.
O que me impressiona é que aquela massa de números, valores eram manuseados apenas com obsoletas máquinas de somar. Nada de computador. Quadros gigantes com quantitativos e valores eram apresentados datilografados em "stencils" e depois rodados em mimeógrafos. Tudo manual. Informática: zero.
Em pouco tempo já estava dominando todas aquelas siglas, codificações, ações e demais informações que deviam fazer parte de nossa proposta.
Alguns códigos ainda me lembro, apesar de não constar de minha agenda. Assim seguem alguns significados daquela miscelânea de números alinhados:
4.23.08 = Sursan;
1. = Despesas de custeio (chamada Categoria 1;
2. = Despesas de capital (investimento - chamada Categoria 2);
2.1.1 = Obra pública;
2.1.1.8.3. = Obra pública do setor drenagem e saneamento básico;
2.1.1.9.1. = Obra pública do setor viário.
2.1.1.9.5. = Obra pública do setor parques e jardins.
Cada numeral destes códigos de despesas tem um significado específico como: órgão, departamento, programa, sub-programa, projeto, sub-projeto, atividade, etc., etc...
Para simplificar; por exemplo, o significado da dotação - 4.23.08.9.5.2.1.1.17.04 -
obra da Sursan do Programa Parques e Jardins, pavimentação em pedra portuguesa, continuação de obra já iniciada...
Rapidamente dominei todo aquele linguajar. Não podia imaginar como seria importante, tal conhecimento, para o seguimento vertiginoso que tomou minha carreira dentro do Serviço Público após esse fato.
Na verdade, mais uma dívida que absorveria com o meu irmão Guido. Afinal foi ele quem me abriu esse caminho.
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016
"CHEIROS DA VIDA" - 144 - "RESSONÂNCIA SHUMANN"
Não é coisa minha. Todos comentam. Como o tempo passa cada vez mais rápido!!!
Os chegados às ciências procuram explicações técnicas para isso. Alguns anos passados andei estudando algo sobre a "Ressonância Shumann" que tenta explicar tal fenômeno - a rapidez cada vez maior da passagem do tempo, ou sua sensação...
Não só as pessoas idosas sentem isso. Também, frequentemente, os jovens manifestam a mesma sensibilidade. Será fruto da rapidez da informação, influência do mundo virtual, decorrência da globalização exacerbada, a camada de ozônio?...
Ontem foi Natal. Estamos em plenos festejos do Carnaval e, daqui a pouco será tempo de Páscoa; logo, novamente, chegará o Natal.
Baseados na "Ressonância Shumann" os estudiosos procuram uma explicação palatável para esse fenômeno partindo da descoberta, feita em 1952 pelo físico alemão Winfried Otto Shumann, que afirma que toda a Terra é circundada por um poderoso campo eletromagnético formado entre o solo e a parte inferior da Ionosfera. São cerca de 100 quilômetros acima de nossas cabeças.
Evidente que não me aprofundei nessa matéria pois, meus conhecimentos modernos de física e matemática estacionaram já faz tempo.
O importante é que a ressonância deste campo é, aproximadamente, da ordem de 7,85 pulsações por segundo, tendo um funcionamento semelhante a um marca-passo que mantém o equilíbrio para todas as formas de vida na biosfera. Verificou-se então que nossos cérebros são dotados da mesma frequência 7,85 Hz/seg.
Ao longo dos séculos as "batidas do coração" da Terra respeitaram essa frequência e a vida foi sempre mantida por um seguro equilíbrio ecológico. Após, principalmente os anos oitenta e, mais fortemente no decorrer dos anos noventa, essa frequência passou para casa dos 11 e 13 Hertz por segundo. O "coração da terra" foi acometido de uma severa taquicardia.
Em decorrência deste fato os pesquisadores observaram que os desiquilíbrios ecológicos, destacadamente estes, marcaram sua presença: maior atividade dos vulcões, pertubações do clima, além de conflitos e tensões que se desenvolveram com rapidez desusada em várias partes do globo, com aumento das agressividades entre pessoas, grupos e até mesmo, nações.
Devido a essa aceleração geral a duração das vinte e quatro horas reais de um dia passaram a acontecer no tempo relativo de até 16 horas. Sendo isso verdade e, comprovado estes fatos pelos cientistas, esta percepção de que tudo está passando mais rápido não será mera ilusão ou comoção mas um fato real motivado pelo desvio de valores das "Ressonâncias Shumann".
Segundo os pesquisadores envolvidos com o estudo dessa matéria, os animais não são influenciados pela "Ressonância Shumann" pois suas ondas cerebrais estão acima daquelas dos seres humanos em várias dezenas de ciclos por segundo.
Ainda baseados nestas análises de dados verificou-se que para o ano de 2006 aconteceram poucos dias com duração real de vinte e quatro horas e, apenas nos meses de março, setembro e outubro.
Um detalhe importante: de outubro para frente, em 2006, a maior parte dos dias não chegou a atingir 12 horas. Nos demais meses suas durações variaram no intervalo de 12 e 18 horas.
Uma tentativa de explicação para tal fenômeno baseia-se na investigação de como transcorre a iteração entre o ser humano e a natureza.
Conclusão provisória: em virtude dos maus tratos que o ser humano tem impingido à natureza foi ele, ser humano, o agente principal que ocasionou essas mudanças. Aqueles otimistas acreditam que mudando a mentalidade predatória e por demais ambiciosa da humanidade, tal quadro, talvez, possa sofrer reversão.
Seria isso possível com o egocentrismo cada vez mais preponderando nas relações humanas?
Esta digressão foi motivada em função da consulta feita por mim há dias quanto a tudo que enfoquei nos dois livros "Cheiro de Verão" e "Cheiros da Vida" para, com mais segurança seguir minha jornada.
Comecei a escrever tudo isso em 1997, portanto no século passado. Quase vinte anos! Nem de longe imaginava que tanto tempo havia transcorrido. Como passaram rápido os últimos anos...
Como escrevi pouco ao longo desse tempo.
Tanto tenho ainda a contar. Haverá tempo?
"Ressonância Shumann"?
Misticismo, ciência, sonho, verdade, terror, charlatanismo, ficção, impostura?...
O tempo explicará tudo isto.
Tempo? Quê tempo?!!!...
Os chegados às ciências procuram explicações técnicas para isso. Alguns anos passados andei estudando algo sobre a "Ressonância Shumann" que tenta explicar tal fenômeno - a rapidez cada vez maior da passagem do tempo, ou sua sensação...
Não só as pessoas idosas sentem isso. Também, frequentemente, os jovens manifestam a mesma sensibilidade. Será fruto da rapidez da informação, influência do mundo virtual, decorrência da globalização exacerbada, a camada de ozônio?...
Ontem foi Natal. Estamos em plenos festejos do Carnaval e, daqui a pouco será tempo de Páscoa; logo, novamente, chegará o Natal.
Baseados na "Ressonância Shumann" os estudiosos procuram uma explicação palatável para esse fenômeno partindo da descoberta, feita em 1952 pelo físico alemão Winfried Otto Shumann, que afirma que toda a Terra é circundada por um poderoso campo eletromagnético formado entre o solo e a parte inferior da Ionosfera. São cerca de 100 quilômetros acima de nossas cabeças.
Evidente que não me aprofundei nessa matéria pois, meus conhecimentos modernos de física e matemática estacionaram já faz tempo.
O importante é que a ressonância deste campo é, aproximadamente, da ordem de 7,85 pulsações por segundo, tendo um funcionamento semelhante a um marca-passo que mantém o equilíbrio para todas as formas de vida na biosfera. Verificou-se então que nossos cérebros são dotados da mesma frequência 7,85 Hz/seg.
Ao longo dos séculos as "batidas do coração" da Terra respeitaram essa frequência e a vida foi sempre mantida por um seguro equilíbrio ecológico. Após, principalmente os anos oitenta e, mais fortemente no decorrer dos anos noventa, essa frequência passou para casa dos 11 e 13 Hertz por segundo. O "coração da terra" foi acometido de uma severa taquicardia.
Em decorrência deste fato os pesquisadores observaram que os desiquilíbrios ecológicos, destacadamente estes, marcaram sua presença: maior atividade dos vulcões, pertubações do clima, além de conflitos e tensões que se desenvolveram com rapidez desusada em várias partes do globo, com aumento das agressividades entre pessoas, grupos e até mesmo, nações.
Devido a essa aceleração geral a duração das vinte e quatro horas reais de um dia passaram a acontecer no tempo relativo de até 16 horas. Sendo isso verdade e, comprovado estes fatos pelos cientistas, esta percepção de que tudo está passando mais rápido não será mera ilusão ou comoção mas um fato real motivado pelo desvio de valores das "Ressonâncias Shumann".
Segundo os pesquisadores envolvidos com o estudo dessa matéria, os animais não são influenciados pela "Ressonância Shumann" pois suas ondas cerebrais estão acima daquelas dos seres humanos em várias dezenas de ciclos por segundo.
Ainda baseados nestas análises de dados verificou-se que para o ano de 2006 aconteceram poucos dias com duração real de vinte e quatro horas e, apenas nos meses de março, setembro e outubro.
Um detalhe importante: de outubro para frente, em 2006, a maior parte dos dias não chegou a atingir 12 horas. Nos demais meses suas durações variaram no intervalo de 12 e 18 horas.
Uma tentativa de explicação para tal fenômeno baseia-se na investigação de como transcorre a iteração entre o ser humano e a natureza.
Conclusão provisória: em virtude dos maus tratos que o ser humano tem impingido à natureza foi ele, ser humano, o agente principal que ocasionou essas mudanças. Aqueles otimistas acreditam que mudando a mentalidade predatória e por demais ambiciosa da humanidade, tal quadro, talvez, possa sofrer reversão.
Seria isso possível com o egocentrismo cada vez mais preponderando nas relações humanas?
Esta digressão foi motivada em função da consulta feita por mim há dias quanto a tudo que enfoquei nos dois livros "Cheiro de Verão" e "Cheiros da Vida" para, com mais segurança seguir minha jornada.
Comecei a escrever tudo isso em 1997, portanto no século passado. Quase vinte anos! Nem de longe imaginava que tanto tempo havia transcorrido. Como passaram rápido os últimos anos...
Como escrevi pouco ao longo desse tempo.
Tanto tenho ainda a contar. Haverá tempo?
"Ressonância Shumann"?
Misticismo, ciência, sonho, verdade, terror, charlatanismo, ficção, impostura?...
O tempo explicará tudo isto.
Tempo? Quê tempo?!!!...
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