por José Carlos Coelho Leal
terça-feira, 9 de fevereiro de 2016
"CHEIROS DA VIDA" - 145 - "INÍCIO DE UMA CARREIRA"
Acabei entrando por uns atalhos e fui longe; além da conta. Vamos voltar à nossa história recordando aonde estávamos.
Vamos lá: terminara o mês de julho de 1965 e com ele o tempo das férias para gozo de nossa lua de mel, Tania e eu. No domingo 1º de agosto eu fazia 26 anos e recebia, pela vez primeira, minha família na minha casa. Com a "boca cheia" dizia que estava abrindo os salões para receber convidados ilustres.
Dia 2, segunda-feira, começaria a rotina de acordar às seis horas da manhã, faculdade e trabalho.
Ao chegar ao escritório sou surpreendido com o almoço comemorativo pela minha volta à Sursan e, logo após, sou convocado para uma nova tarefa importante a desenvolver: coordenar a execução da Proposta para o "Orçamento-Programa do DURB para o ano de 1966".
Certo? Então podemos seguir...
Mergulhei de cabeça, devorei os volumes de instruções me detendo principalmente no histórico que nos dava uma visão bem clara do produto a ser elaborado.
Tenho a mania de guardar as agendas de cada ano. Faltam algumas. Pena. Elas são como testemunhas da vida que passou. Nelas estão assinaladas as datas importantes de nossa vida, os acontecimentos, agradáveis ou não, as receitas e as despesas, e por ai vai...
A agenda de 1965 tem um lugar especial, pois identifica fatos que aconteceram numa das melhores fases de minha vida.
Nas páginas relativas ao mês de agosto daquele ano, estão registradas várias notas referindo-se a ocupação que tomaria todo o tempo de uma equipe. Felizmente, tinha conseguido em poucos meses de convívio desenvolver um ambiente muito bom e participativo (naquela época essa palavra ainda não estava em moda, porém tínhamos alcançado sua significação prática).
Eis o meu time: Álvaro Castro Pereira, Desidério Dorneles, Luiz Eduardo Ferreira Tinoco, Luiz Roberto Cardoso Queiroz, Nilton Bello, Oby Monteiro da Silva, Ricardo Romero Estellita Pessoa. Alguns desses amigos já nos deixaram para sempre despertando no fundo de nossa alma um sentimento de saudade doída.
Essa relação está lá na minha agenda assim como os princípios básicos que norteariam o desenvolvimento de nossos estudos.
Em resumo:
- Agenda - definição dos problemas a serem tratados pela ação governamental;
- Estudo de alternativas para atender o item anterior;
- Formulação da opção política a ser adotada;
- Implementação - condições administrativas, jurídicas, técnicas e financeiras para consecução da opção política escolhida pelas autoridades superiores;
- Ações de planejamento;
- Controle do andamento das etapas planejadas:
- Avaliação dos resultados obtidos segundo critérios previamente fixados.
Todo esse cabedal de informações, dados e decisões deveriam ser colhidos nas fontes, tendo como órgão de referência, orientação e consulta a Secretaria de Governo através a sua Coordenação de Planos e Orçamentos dirigida com maestria e vigor pelo Dr. Rego Monteiro.
Com a apresentação e o aval da direção do DURB, eu era recebido na Coordenação como engenheiro fosse. Isso me deixava tranquilo para desenvolver minha missão por mais complicada que aparentasse.
Também nas visitas que fazia às Divisões de Obras da 1ª à 6ª tal fato se repetia. Sentido-me a vontade ia seguindo meu caminho com um desembaraço que até a mim próprio espantava.
Na retaguarda do 1 DT-S, os formulários, tabelas e gráficos iam sendo preenchidos pela equipe com justificativas, quantitativos e valores obtidos na visitas que fazíamos aos diversos pontos da cidade. Toda aquela massa de informações deveria ser submetida às autoridades superiores, elas responsáveis finais pelas decisões executivas do plano.
O que me impressiona é que aquela massa de números, valores eram manuseados apenas com obsoletas máquinas de somar. Nada de computador. Quadros gigantes com quantitativos e valores eram apresentados datilografados em "stencils" e depois rodados em mimeógrafos. Tudo manual. Informática: zero.
Em pouco tempo já estava dominando todas aquelas siglas, codificações, ações e demais informações que deviam fazer parte de nossa proposta.
Alguns códigos ainda me lembro, apesar de não constar de minha agenda. Assim seguem alguns significados daquela miscelânea de números alinhados:
4.23.08 = Sursan;
1. = Despesas de custeio (chamada Categoria 1;
2. = Despesas de capital (investimento - chamada Categoria 2);
2.1.1 = Obra pública;
2.1.1.8.3. = Obra pública do setor drenagem e saneamento básico;
2.1.1.9.1. = Obra pública do setor viário.
2.1.1.9.5. = Obra pública do setor parques e jardins.
Cada numeral destes códigos de despesas tem um significado específico como: órgão, departamento, programa, sub-programa, projeto, sub-projeto, atividade, etc., etc...
Para simplificar; por exemplo, o significado da dotação - 4.23.08.9.5.2.1.1.17.04 -
obra da Sursan do Programa Parques e Jardins, pavimentação em pedra portuguesa, continuação de obra já iniciada...
Rapidamente dominei todo aquele linguajar. Não podia imaginar como seria importante, tal conhecimento, para o seguimento vertiginoso que tomou minha carreira dentro do Serviço Público após esse fato.
Na verdade, mais uma dívida que absorveria com o meu irmão Guido. Afinal foi ele quem me abriu esse caminho.
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