por José Carlos Coelho Leal
domingo, 20 de novembro de 2016
"CHEIROS DA VIDA" - 153 - INOVANDO SEMPRE
Acho que o mundo está virado de cabeça para baixo. Passamos há pouco tempo por um rito eleitoral e foi uma lástima tudo que aconteceu. Candidatos despreparados, a mediocridade reinando nas apresentações e nos debates. Resultado: prefeitos de quinta categoria compromissados com terceiros, interessados unicamente em seus planos de enriquecimento pessoal, totalmente alheios aos problemas e soluções relativos aos assuntos municipais.
Idem, idem na maior nação do mundo. A eleição americana teve uma campanha digna da mais reles nação do terceiro mundo. Uma baixaria só.
O resultado não deixou nada a dever com a eleição de Donald Trump incorporação perfeita de um requintado cafajeste à margem da lei e da cidadania digna.
Contrariamente à realidade que vivemos hoje, cercada de aflições, expectativas agourentas e previsões de longo período de trevas, aquela época, em pleno terceiro ano do movimento de 1964, vivíamos um ambiente de segurança, progresso e tranquilidade (apesar que na atualidade a mídia quase toda dominada pela esquerda diz que vivíamos um circo dos horrores - os anos de chumbo). Na verdade aqueles envolvidos em lutas ideológicas para implantação de uma ditadura de extrema esquerda, estes, sentiam-se acuados e ameaçados. A maioria esmagadora de brasileiros viviam sua vidas uma liberdade sem limites.
Em novembro de 1966 recebi com orgulho o convite para assumir a chefia do serviço no qual trabalhava. Em 24 de novembro de 1966 minha portaria foi assinada pelo Governador Embaixador Francisco Negrão de Lima. Fui nomeado Chefe do Serviço de Planejamento e Controle da Divisão Técnica do Departamento de Urbanização da Sursan da Secretaria de Obras do Estado da Guanabara. Serviço este, ligado diretamente ao Gabinete do Diretor do Departamento.
Lacerda, apesar de ter feito um governo reconhecidamente profícuo, não conseguiu eleger seu sucessor. Assim o Embaixador Francisco Negrão de Lima foi eleito governador compondo uma chapa unindo seu partido PSD - Partido Social Democrático ao PTB - Partido Trabalhista Brasileiro representado pelo então eleito Vice-Governador Rubens Berardo jornalista e dono de uma empresa radiofônica, a Emissora Continental, eminentemente especializada em jornalismo e posteriormente ampliada com a fundação da TV-Continental de vida curta.
O resultado das eleições de 1965 foi.
1º Negrão de Lima, PSD com 582.026 votos; 2º Flexa Ribeiro, UDN com 442.363 votos; 3º Amaral Neto, PL com 40.403 votos; 4º Aurélio Viana, PSB com 25.841 votos; 5º Helio Damasceno, PTN com 14.140 votos.
Negrão de Lima foi eleito com 52,68% do votos válidos.
Foi neste governo (no qual não votei) que passei a ocupar pela primeira vez uma chefia na minha longa carreira na Prefeitura. Na verdade meu nome foi referendado pelo Engenheiro Raymundo de Paula Soares, então, o novo Secretário de Obras que tomara posse cheio de novas idéias e disposto a fazer uma administração que marcasse época. Por tudo isso imaginem com que euforia e gana eu assumia meu novo cargo.
Compondo seu plano de administração Paula Soares expedira logo ao início de sua atuação uma política agressiva de pessoal, fixando como teto máximo de gasto com salários para o total dos funcionários de cada setor administrativo, descendo até o nível de Serviço, o que passava a ser o valor global de cada setor, aquele praticado em outubro de 1966.
Assim esse valor de cada setor poderia ser atingido pelo número total de funcionários respectivos. O objetivo real por trás dessa política seria a redução de número de funcionários considerados demasiados para o bom desempenho da máquina administrativa.
A responsabilidade da montagem de cada equipe de cada setor caberia ao chefe. Minha primeira missão: eu chefiava (sim, era eu) um Serviço que tinha quatorze funcionários ao custo total de X Cruzeiros.
Eu poderia permanecer com esses 14 auxiliares ganhando o mesmo salário ou, remunerar melhor aqueles qualificados com boa produtividade, reduzindo o número total de profissionais.
Assim fiz: como conhecia de sobejo todos os que trabalhavam no 1 DT-S, essa era a sigla do Serviço de Planejamento, fiz uma análise nome a nome da atuação e desempenho de cada auxiliar. Reduzi de quatorze para sete o número total de funcionários, devolvendo, inclusive aos órgãos de origem funcionários que estavam equivocadamente lotados no meu Serviço, como por exemplo da Secretaria de Educação que lá estavam, possivelmente por compadrio, com baixo desempenho, apenas para fugir das salas de aulas.
De saída comprei algumas antipatias mas, pude remunerar bem melhor aqueles que iriam me ajudar numa nova fase que sabia iria ser implementada pela administração de Paula Soares.
Assim foi feito e tive meu primeiro sucesso. No final do ano seguinte, meu 1DT-S foi eleito o Serviço mais eficiente do Departamento de Urbanização recebendo medalha de ouro na festa de fim de ano realizada no Canecão, presente toda a comunidade da Prefeitura.
Fiquei feliz e orgulhoso daquele feito, afinal fora um ano difícil tendo em vista, inclusive, as chuvas de verão que quase destruíram a cidade. Foram dias de muito risco e trabalho. Toda a minha equipe cumpriu com especial zelo e responsabilidade, exemplarmente, as árduas missões a ela impostas, sendo, o que era novidade no serviço público, o que aconteceu.
Ao final de cada mês eram remunerados com justiça em função do grau desempenho pessoal dentro do grupo.
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