por José Carlos Coelho Leal
sábado, 10 de maio de 2014
"CHEIROS DA VIDA" - 105 - NÃO TENHO A MENOR NOÇÃO DE QUE HORAS ERAM...
Passada pouco mais de meia-hora chegaram os policiais. Eram quatro. Imediatamente após as apresentações e à resposta de algumas rápidas inquirições, começaram o trabalho de identificação de cada um de nós sendo que fui indagado com a finalidade de esclarecer quem era o responsável legal pelo apartamento. Ato contínuo apresentei o contrato de locação para assumir a responsabilidade principal pelo apartamento.
Dois policiais eram os peritos, um auxiliar, inclusive com aparelhagem técnica e laboratorial e, o quarto parecia ser um escrivão, ou, algo assemelhado. Foram gentis e educados coisa que me impressionou favoravelmente.
Dai segui-se uma interminável sequência de fotos, coleta de materiais, inspeção a todo o apartamento, etc. etc. Nos retiramos para o corredor a procura de um ambiente mais ameno. Sentei-me num dos degraus da escada e, acho que rezei, permanecendo longo tempo de olhos fechados.
Neste meio-tempo chegou a família do Pedrinho e, pouco depois meu irmão Luiz Cesar e minha cunhada Maria Helena. Tudo muito desagradável.
Não via a hora de voltar para o Rio e, esquecer que aquilo não era um pesadelo mas, realidade.
Lá para as tantas fomos chamados pelos policiais. O chefe da equipe nos disse pausadamente: "em primeiro lugar gostaria de dizer que apesar do acidente indesejável vocês que arrobaram o apartamento o fizeram com sabedoria pois, até então, havia a possibilidade, logo verificada inviável, de salvar uma vida. O nosso amigo Pedro deve ter morrido, certamente, antes do meio-dia de hoje. Todos os dados nos levam a concluir pelo acidente por intoxicação com gás de bujão auxiliado pela presença do aquecedor dentro do banheiro coisa, infelizmente, não tão rara na Região Serrana. Tal detalhe de arquitetura já devia, de há muito, ter sido rigorosamente proibido e fiscalizado pela Prefeituras. Infelizmente...
Gostaria ainda de dizer que vocês três tiveram a sorte de encontrar as luzes acessas. Caso tivessem acionado o interruptor a simples faísca poderia ter provocado uma explosão de bastante gravidade, com, pelo menos, um forte deslocamento de ar que projetariam seus corpos contra as paredes com consequências imprevisíveis..
Meu auxiliar já redigiu o "laudo preliminar" que será lido e, caso haja concordância, assinado pelos três companheiros do Pedro: José Carlos. Luiz Edmundo e Maurício. E dirigindo-se a mim disse: seu irmão, meu colega advogado Dr. Luiz Cesar, poderá acompanhar a leitura e interferir caso haja algo que discorde. Certo?
OK! Após esse ato o corpo de Pedro será removido para o Instituto Médico da Polícia e, depois liberado para a família acompanhado previamente das formalidades legais. Possivelmente algum de vocês poderá ser convocado para informações adicionais. Estejam alertas!
Depois só me lembro da estrada, da chegada em casa na Tijuca, da presença do Dr Rui Costa Leite, do banho relaxante, da pequena refeição e, da injeção que me foi aplicada pelo Rui dizendo que teria um bom e reparador sono. Já deitado na minha cama gostosa não demorei a apagar. Todas aquelas imagens horrendas desapareceram.
Não tenho menor noção de que horas eram...
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário