por José Carlos Coelho Leal

sexta-feira, 2 de maio de 2014

"CHEIROS DA VIDA" - 103 - VIAJANDO COM MEU "ANJO-DA-GUARDA"





                Felizmente as aulas da tarde terminaram pontualmente às 16,00 horas. Praticamente não aproveitei nada tal o cansaço que me envolvia da ponta dos cabelos à extremidade dos pés. Outro motivo: a conversa com o Professor Miguel minutos antes do almoço revirava meus pensamentos. Uma mistura de sentimentos confusos e, até mesmo conflitantes, me deixavam perturbado e ainda mais esgotado.

          O mais intrigante foi a afirmação que passara para o Mestre de minha intenção de vender o curso no ano seguinte. Foi uma declaração sem a menor vacilação. Já vinha pensando nisso há algum tempo tal as dificuldades, principalmente de saúde que enfrentava nos últimos tempos. Não conversara com ninguém a respeito, principalmente com o meu sócio. Certamente o Miguel foi a primeira pessoa a saber dessa possível decisão e, pela sua reação, senti como uma manifestação de concordância com a minha visão do problema. 


          Por sorte consegui uma carona para Tijuca. Juro, não lembro quem me trouxe ao Rio. O mais provável teria sido um calouro que já tinha feito isso uma vez. Ao contrário de meu amigo Fernando, meu  "transportador" me deixara na porta de casa com todo o conforto.


          Fui namorar. Nem esperei o reloginho tocar e voltei para casa louco por um sono de muitas horas. O mau-estar me perseguiu todo o domingo e cheguei a suspeitar de não aguentar uma semana de lutas continuadas. Externei minhas preocupações à mamãe.


         Não exitou um momento. Lá fomos nós pegar o lotação às quatro da manhã, o ônibus na Rodoviária Mariano Procópio ãs cinco e quinze. Adentrar ao Werneck antes das sete. Tininha deu uma mãozinha fundamental ao meu "anjo-da-guarda"


          Finalmente me disse quando parti para a sala de aula.


         - Você está louco! Ninguém aguenta esse ritmo. 


         - É uma questão de alcançar meus objetivos.


         - Está na hora de pensar em você e de tomar juízo!


          - Mãe isso é só o começo... A senhora vai ver o resto do dia.


          - Vai lá que sua turma está esperando,,,


          Mamãe ficou esperando na sala de professores e Dona Laura, a Secretária do Colégio, foi até lá conversar um pouco com ela e oferecer um cafezinho com biscoitos. 


          Terminada a aula era hora de partir para a Faculdade. Mamãe ficou no meu escritório do curso depois de ser apresentada, por mim, aos meus companheiros  das salas 4 e 5. Donos de um laboratório fotográfico e  de uma alfaiataria, a mesma que fazia os jalecos personalizados usados por cada professor do CEPES; foram muito solícitos e ofereceram seus préstimos.

         Na hora do almoço novo encontro com mamãe. Perguntou como eu estava e respondi que me sentia um pouco cansado. Achava mesmo que depois das aulas da tarde regressaria ao Rio deixando por conta do Mario Jorge minhas tarefas.

         Lá pelas cinco, livre das aulas fizemos um lanche e, definitivamente, disse para mamãe que não estava aguentando.

         - Vou voltar com a senhora.

         - Antes vamos passar no apartamento para recolher a roupa-suja para lavar lá em casa. Amanhã o senhor não vai fugir: vai ao Dr. Rui. Já falei com ele na semana passada e essa situação tem que ter um paradeiro..

         - Também acho. Já dei o máximo que podia dar. Já tenho alguns planos e estou pronto para rever todas essa situação.

        - O senhor não vai inventar nova "lenga-lenga", vai?

        - Fica tranquila!

         Fomos até o apartamento. Toquei a campainha para não ser surpreendido por algo desagravável para mamãe. Nada!

         Toquei de novo e, nada.

         - Estranho, o rádio está ligado. Dever ter gente aí. Vou usar a chave.

         Sem sucesso. A porta estava bloqueada com uma pequena tranca.

         Ficamos preocupados apesar de ninguém ter dito nada.

         Olhando da rua verifiquei que o apartamento estava com as janelas rigorosamente fechadas. Fiquei mais preocupado ainda.

        Resolvemos retornar ao CEPES em busca de notícias...

        Começava ali um terrível pesadelo. Lamentavelmente real demais. Em seguida iremos ao relato. No próximo capítulo.

        - Trecho de meu livro "Cheiros da Vida" escrito em Arraial do Cabo em 2005.













           

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