por José Carlos Coelho Leal

sábado, 30 de novembro de 2013

CHEIROS DA VIDA - 80 - CORAÇÃO NOVO


         
           Nestes quatro anos em Arraial do Cabo praticamente não houve dia sem minha caminhada de uma hora, pelo menos.

         Na realidade, levei a sério as instruções do Dr. Newton Amado Junior, meu cardiologista e, mais do que isso, meu amigo. Depois do susto que levei ao final do ano passado quando algo semelhante a um infarto me levou, em emergência, para o hospital e, em seguida, uma série imensa de exames culminando com um cateterismo que afastou a possibilidades de algo grave. 
          Me foi recomendado, no entanto, a tomada de medicamentos diários, o que devo fazer até ao fim da vida, somado à prática de exercícios físicos, principalmente as caminhadas diárias levadas com rigidez.

         Nem o vento, o frio ou, a chuva fina, me afastam deste hábito saudável que faz bem tanto para o físico como para alma.

        Adoro o andar solitário pelos calçadões da Praia Grande, da Praia dos Anjos ou Prainha, principalmente ao limiar de certas noites onde o deserto de pessoas me deixa íntimo apenas das areias, do marulhar das ondas e do céu, a pouco e pouco exibindo,  cada vez mais, estrelas impossíveis de ver nas cidades grandes.

         Desde agosto, no entanto, comecei  a notar algo estranho, que logo tirei a limpo. Ao final das caminhadas media com todo imediatismo possível a minha pressão arterial e a pulsação cardíaca.

         Desde logo notei que a pressão tinha avaliação compatível com o esforço da caminhada voltando ao normal em tempo hábil. A pulsação, no entanto, apresentava elevação incompatível com o esforço, tempo e velocidade da caminhada.

         Retornei ao Rio no início de setembro e, novo fator adverso veio a me preocupar. As andanças pelas ruas da Tijuca, num panorama bem diverso de Arraial, exigiam algumas subidas de ladeira que fatalmente acabavam gerando tonturas, algumas de razoável intensidade.

          Num dia crítico, sentei-me junto ao meio-fio e, solicitei o auxílio de meu filho Ricardo que veio de carro em meu socorro. imediatamente, me levando de volta à casa.

         Resultado: retorno ao médico, com urgência; mais exames, culminando com uma ergometria decisiva esclarecendo  uma arritmia com alguma gravidade sugerindo um intervenção imediata.

        Dizia o laudo em sua conclusão: “exame evidenciando distúrbio de condução avançado, que se exacerba durante o esforço (carater infrahssiano), até BAV de alto grau 2:1 e, incompetência sinoatrial; sugiro implante de marca-passo DDD para preservação do sincronismo AV. Análise do ST e perfil pressórico prejudicados pela arritmia".

        Este exame foi aplicado no dia 3 de outubro de 2003 e, a cirurgia de implante do marca-passo, BIOTRONIC BI-CAMERAL, no dia dezesseis de outubro de 2003. A cirurgia foi realizada, com bastante sucesso, pelo Dr José Jazbik Sobrinho.

        Acabara de ganhar mais dois grandes amigos, ambos com morada permanente no meu peito: Dr. Jazbik, com toda sua humanidade, simpatia, competência e vocação do médico por excelência e, do marca-passo, meu companheiro silencioso, garantidor de minha vida e de minha tranquilidade.

        Agora 2003 podia acabar em paz, apesar do Lula, vez por outra, aparecer como um presságio de maus dias para o nosso Brasil.

         Enfim nada é perfeito...

         No dia 5 de dezembro estava de volta a Arraial do Cabo, mantendo minhas caminhadas até o dia vinte e dois, quando voltei ao Rio para as festividades do Natal. 

         O Natal do Coração Novo...

         Voltei novinho em folha pronto para enfrentar 2004, ano em que vou fazer sessenta e cinco anos e, retomar às historias que pararam em 1963. Muita coisa a recordar.  


         - Trecho do meu livro “Cheiros da Vida” escrito em Arraial do Cabo em 2003

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