Nestes quatro anos em Arraial do Cabo praticamente não houve dia sem minha
caminhada de uma hora, pelo menos.
Na
realidade, levei a sério as instruções do Dr. Newton Amado Junior, meu cardiologista e, mais do que isso, meu amigo. Depois
do susto que levei ao final do ano passado quando algo semelhante a um infarto
me levou, em emergência, para o hospital e, em seguida, uma série imensa de
exames culminando com um cateterismo que afastou a possibilidades de algo grave.
Me foi recomendado, no entanto, a tomada de medicamentos diários, o que devo fazer até ao fim da vida, somado à prática de exercícios físicos, principalmente as caminhadas diárias levadas com rigidez.
Me foi recomendado, no entanto, a tomada de medicamentos diários, o que devo fazer até ao fim da vida, somado à prática de exercícios físicos, principalmente as caminhadas diárias levadas com rigidez.
Nem o
vento, o frio ou, a chuva fina, me afastam deste hábito saudável que faz bem tanto para o físico como para alma.
Desde
agosto, no entanto, comecei a notar algo
estranho, que logo tirei a limpo. Ao final das caminhadas media com todo
imediatismo possível a minha pressão arterial e a
pulsação cardíaca.
Desde
logo notei que a pressão tinha avaliação compatível com o esforço da caminhada
voltando ao normal em tempo hábil. A pulsação, no entanto, apresentava elevação
incompatível com o esforço, tempo e velocidade da caminhada.
Retornei ao Rio no início de setembro e, novo fator adverso veio a me preocupar.
As andanças pelas ruas da Tijuca, num panorama bem diverso de Arraial, exigiam
algumas subidas de ladeira que fatalmente acabavam gerando tonturas, algumas de
razoável intensidade.
Num
dia crítico, sentei-me junto ao meio-fio e, solicitei o auxílio de meu filho Ricardo
que veio de carro em meu socorro. imediatamente, me levando de volta à casa.
Resultado: retorno ao médico, com urgência; mais exames, culminando com
uma ergometria decisiva esclarecendo uma
arritmia com alguma gravidade sugerindo um intervenção imediata.
Dizia
o laudo em sua conclusão: “exame evidenciando distúrbio de condução avançado,
que se exacerba durante o esforço (carater infrahssiano), até BAV de alto grau
2:1 e, incompetência sinoatrial; sugiro implante de marca-passo DDD para
preservação do sincronismo AV. Análise do ST e perfil pressórico prejudicados
pela arritmia".
Enfim
nada é perfeito...
O Natal do Coração Novo...
Voltei novinho em folha pronto para enfrentar 2004, ano em que vou fazer sessenta e cinco anos e, retomar às historias que pararam em 1963. Muita coisa a recordar.
- Trecho do meu livro “Cheiros da Vida”
escrito em Arraial do Cabo em 2003
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