por José Carlos Coelho Leal

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

"CHEIROS DA VIDA" - 76 - JOHN FITZGERALD KENNEDY



         Extraordinário ter acontecido comigo; por um capricho do acaso na tarde de 22 de novembro de 1963 estava livre de compromissos.  Com previsão de dar uma descansada  voltei para o apartamento. A intenção, na verdade, era tirar uma soneca.

          Encontrei a casa cheia. Fernando sentado no  chão brincava com a chave do carro enquanto Luisinho, deitado de lado no beliche, com a cabeça apoiada na mão espalmada sustentada pelo braço flexionado, falavam da política nacional. Papo estranho considerando as ideologias antagônicas  em jogo, principalmente o Luisinho um comunista ferrenho, como é até hoje.

          Acho que Luizinho  ainda acredita em Papai Noel, Coelhinho da Pascoa, etc. Tem , no entanto, algo a seu favor:  um grande profissional, um excepcional amigo e, um admirável caráter – um homem de bem e do bem – esse é meu amigo Luiz Roberto Martins  de Miranda – o grande mestre de todos nós, o Professor Miranda da Coppe-Uferj. Sempre me orgulhei de sua amizade.

          Tirei os sapatos, afofei o travesseiro, atirei-me na cama fechando os olhos  procurando fazer ouvido mouco ao desenvolver  da discussão  sem futuro.

          Ao fundo o som do radinho sempre ligado na Radio Jornal do Brasil, AM é claro, afinal estávamos em 1963.  Tão cansado,  adormeci.

          Não tenho ideia de quanto tempo passou.

          Repentinamente as vozes subiram de tom do mesmo modo que o volume do rádio. Uma edição extraordinária do noticiário dava conta de um fato terrível: o Presidente dos Estados Unidos da América, John Kennedy, acabara de ser assassinado em Dallas no Texas.

          Depois só o locutor era ouvido. A notícia era repetida diversas vezes e poucos detalhes eram  acrescidos. Mais adiante, aos poucos, novos boletins foram sendo expedidos.

          Luisinho logo começou a debitar à direita capitalista americana a autoria do atentado, enquanto Fernando dizia ser um complô internacional para desestabilizar ainda mais a já desestabilizada paz mundial.

          Confesso que minha surpresa não foi tanta, pois não imaginava a possibilidade de um presidente que era contrário à Guerra no Vietnã e, ainda por derradeiro, católico, chegasse ao final do mandato ileso. Afinal tratava-se dos Estados Unidos contumaz algoz de seus presidentes.

          Os dias subsequentes foram impregnados de opiniões, avaliações, e a cada momento  surgiam mais notícias caóticas, desencontradas e sensacionalistas.

          Com o passar dos anos passo, agora, a expressar de maneira consolidada como eu vi tudo isso.

          Quando a comitiva presidencial seguia a uma velocidade de aproximadamente de 15km/h ouviu-se um primeiro disparo que não atingiu o Presidente, batendo numa árvore e mudando sua trajetória.

          Depois mais dois disparos. O terceiro foi fatal para Kennedy atingindo-o em cheio na cabeça – cena patética repetida diversas vezes em vídeo nos últimos quarenta anos - seguida do desespero  de Jaqueline Kennedy se esticando sobre o capô da limusine no esforço obstinado  de coletar fragmentos do cérebro despedaçado  do marido.

          Entre o primeiro e o último o disparo  transcorreram 8,4 segundos.

          No Parkland Hospital Kennedy recebeu a “unção dos enfermos” – sacramento católico.

         Lee Harvey Oswald um 


dos evidentes assassinos foi detido oitenta minutos 


após o atentado; antes de se entregar ainda matou


 o policial J. D. Tippit  Nunca foi julgado, pois foi 


assassinado, ao vivo, durante uma transmissão de 


TV  dois dias após o atentado não tendo tempo de 


prestar nenhum depoimento à polícia de Dallas.

           Em setembro de 1964 as comissões de averiguação concluiu não ser possível afirmar a possibilidade de uma conspiração interna ou, externa, para o fato. Oswald teria agido sozinho...

          Até hoje o caso desperta várias indagações que possivelmente jamais serão elucidadas.

         Ao longo dos últimos anos li muito a respeito desse caso.

         Uma das prováveis hipóteses refere-se ás sociedades secretas que teriam como objetivo elevar seus membros a altas colocações na sociedade, possibilitando eleger determinadas pessoas em posições de poder.

         Corre a premissa  que para ser Presidente dos americanos é fundamental pertencer a uma dessas linhagens “illuminati”. A família Kennedy, ao que parece, seria uma dessas famílias agraciadas.

         Muitos analistas opinam que em sendo verdadeiro esse princípio, nada mais natural que, consequentemente, John Fitzgerald Kennedy teria sido eleito presidente ao início da década de sessenta.

         Kennedy, no entanto, tinha visões e ideias diferentes daquelas dos que detinham, de verdade, o poder.

         Talvez por esse motivo tivesse sido condenado a morrer.

         Não seria nossa tarefa levantar mais questões. Vale o testemunho de quem viveu aqueles dias impregnados de perguntas sem respostas.

         Uma conclusão, porém, é clara: a elite e as 

sociedades secretas lideram o poder na mais 


poderosa nação do mundo.                                   

        Um fato destaca-se como importante: em 27 

de abril de 1961, perante a Associação de Jornais 


Americanos, em Nova York, em transmissão na 


mídia, John Kennedy fez um discurso em que se 


declarava contra as "sociedades secretas", o 


"secretismo", a "manipulação", o que torna mais 


provável a tese de que ele foi mesmo assassinado 


por  esses motivos. 

      Embora ele tenha sido eleito pela elite, 

Kennedy foi corajoso em desafiar a “Illuminati”, 


que pode ser entendido no discurso pronunciado 


com ênfase em 1961. (esse discurso pode ser 


acompanhado na íntegra pelo vídeo cujo endereço 


está postado ao final do capítulo).

    Tenho muito respeito e admiração pela figura 

do Presidente Kennedy. Por outro lado sempre 

senti certa repulsa à atitude fria, ao longo de 

todos os procedimentos, do Vice-Presidente 

Lyndon Johnson.


OBSERVAÇÃO - Em anexo o discurso de 27 de 

abril de 1961:


https://www.youtube.com/watch?v=Gw03zdqqP5A



     Capítulo de meu livro "Cheiros da Vida" escrito em Arraial do Cabo em 2003.

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