por José Carlos Coelho Leal

sábado, 30 de novembro de 2013

CHEIROS DA VIDA - 80 - CORAÇÃO NOVO


         
           Nestes quatro anos em Arraial do Cabo praticamente não houve dia sem minha caminhada de uma hora, pelo menos.

         Na realidade, levei a sério as instruções do Dr. Newton Amado Junior, meu cardiologista e, mais do que isso, meu amigo. Depois do susto que levei ao final do ano passado quando algo semelhante a um infarto me levou, em emergência, para o hospital e, em seguida, uma série imensa de exames culminando com um cateterismo que afastou a possibilidades de algo grave. 
          Me foi recomendado, no entanto, a tomada de medicamentos diários, o que devo fazer até ao fim da vida, somado à prática de exercícios físicos, principalmente as caminhadas diárias levadas com rigidez.

         Nem o vento, o frio ou, a chuva fina, me afastam deste hábito saudável que faz bem tanto para o físico como para alma.

        Adoro o andar solitário pelos calçadões da Praia Grande, da Praia dos Anjos ou Prainha, principalmente ao limiar de certas noites onde o deserto de pessoas me deixa íntimo apenas das areias, do marulhar das ondas e do céu, a pouco e pouco exibindo,  cada vez mais, estrelas impossíveis de ver nas cidades grandes.

         Desde agosto, no entanto, comecei  a notar algo estranho, que logo tirei a limpo. Ao final das caminhadas media com todo imediatismo possível a minha pressão arterial e a pulsação cardíaca.

         Desde logo notei que a pressão tinha avaliação compatível com o esforço da caminhada voltando ao normal em tempo hábil. A pulsação, no entanto, apresentava elevação incompatível com o esforço, tempo e velocidade da caminhada.

         Retornei ao Rio no início de setembro e, novo fator adverso veio a me preocupar. As andanças pelas ruas da Tijuca, num panorama bem diverso de Arraial, exigiam algumas subidas de ladeira que fatalmente acabavam gerando tonturas, algumas de razoável intensidade.

          Num dia crítico, sentei-me junto ao meio-fio e, solicitei o auxílio de meu filho Ricardo que veio de carro em meu socorro. imediatamente, me levando de volta à casa.

         Resultado: retorno ao médico, com urgência; mais exames, culminando com uma ergometria decisiva esclarecendo  uma arritmia com alguma gravidade sugerindo um intervenção imediata.

        Dizia o laudo em sua conclusão: “exame evidenciando distúrbio de condução avançado, que se exacerba durante o esforço (carater infrahssiano), até BAV de alto grau 2:1 e, incompetência sinoatrial; sugiro implante de marca-passo DDD para preservação do sincronismo AV. Análise do ST e perfil pressórico prejudicados pela arritmia".

        Este exame foi aplicado no dia 3 de outubro de 2003 e, a cirurgia de implante do marca-passo, BIOTRONIC BI-CAMERAL, no dia dezesseis de outubro de 2003. A cirurgia foi realizada, com bastante sucesso, pelo Dr José Jazbik Sobrinho.

        Acabara de ganhar mais dois grandes amigos, ambos com morada permanente no meu peito: Dr. Jazbik, com toda sua humanidade, simpatia, competência e vocação do médico por excelência e, do marca-passo, meu companheiro silencioso, garantidor de minha vida e de minha tranquilidade.

        Agora 2003 podia acabar em paz, apesar do Lula, vez por outra, aparecer como um presságio de maus dias para o nosso Brasil.

         Enfim nada é perfeito...

         No dia 5 de dezembro estava de volta a Arraial do Cabo, mantendo minhas caminhadas até o dia vinte e dois, quando voltei ao Rio para as festividades do Natal. 

         O Natal do Coração Novo...

         Voltei novinho em folha pronto para enfrentar 2004, ano em que vou fazer sessenta e cinco anos e, retomar às historias que pararam em 1963. Muita coisa a recordar.  


         - Trecho do meu livro “Cheiros da Vida” escrito em Arraial do Cabo em 2003

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

EXTRA  -  MEU CORAÇÃO BOTAFOGUENSE ESTÁ DE LUTO


                                            

Partiu meu ídolo no futebol desde criança aos oito anos, NILTON SANTOS  -  eleito pela FIFA em 2008 como o maior lateral-esquerdo do mundo em todos os tempos  -.

Jogador de um clube só, a "Enciclopédia do Futebol", certa vez, indagado maldosamente pela imprensa sobre o que achava dos repetidos atrasos nos pagamentos de salários, respondeu com simplicidade: "Eu faço o que mais gosto nesta vida que é jogar bola. Ainda me pagam para isso; reclamar de quê?".

Li em algum lugar: "aquele que sempre honrou a "estrela-solitária", hoje, se transformou, no firmamento, como a "estrela-solidária".
Papel que desempenhou em toda sua carreira em relação aos companheiros de Botafogo ou da Seleção.

Estou mais órfão do que nunca...

Muita paz para você meu "craque" / Zé Karlos











Poema a Nilton Santos

por Armando Nogueira

"Tu, em campo,
parecias tantos,
e,  no entanto,
que encanto!
Eras um só;
Nilton Santos."

sábado, 23 de novembro de 2013

"CHEIROS DA VIDA" - 79 - DESCOBRINDO A "MANCADA"

                                                                                                                    Após poucas horas de sono acordei com o relógio marcando quase seis e meia da manhã. Pulei da cama e entre a passagem pelo banheiro e, colocar-me apto para enfrentar mais um dia maluco havia passado pouco mais de uma dezena de minutos.

        Enquanto dava nó na gravata voltou à minha cabeça a derradeira ideia de horas atrás, quando já estava a pegar no sono. Aliás ideia mais do que evidente. Era pegar cópia do meu contrato, assinado em cartório, para ler as cláusulas de rescisão de contrato.

        Não havendo tempo para nada o coloquei num velho envelope e, a passos largos segui para minha aula das sete no Colégio Werneck; junto ia a intenção de no primeiro lapso de tempo livre, ler com cuidado minha escritura.

        Voltando ao antigo hábito enfrentei a calçada gelada da Avenida Quinze. Nada de passar pela falecida obra. Queria distância daquela joça. Ainda não havia digerido tudo que acontecera na véspera.

        Algo de errado havia acontecido. Estava ficando vacinado contra os “vivaldinos” da cidade. Um dia teria que aprender aquelas lições. Um dia...

        Ao passar pelo Magazine Gelly o termômetro marcava quatorze graus. A sensação térmica que sentia era de no máximo cinco.

        Foi o tempo de chegar à sala dos professores, ainda deserta, queimar a língua com um café quase fervendo que, felizmente a servente já depositara na mesa junto com as xicrinhas estampadas com o W do símbolo do colégio, enquanto me livrava do paletó e vestia o “guarda-pó” (naquele  tempo acho que ainda não era usado o termo “jaleco”) e, fechar o escaninho; depois, partir para o “sacrifício” .

       Ao fim da aula a rotina de sempre: livrar da pauta, assinando com rapidez a matéria dada e colocar o pé na rua em direção à faculdade. Ia esquecendo o envelope; voltei e retomei o caminho.

       Chegando à Faculdade, mesmo em jejum subi para sala para assistir uma horrenda aula de Metalurgia; ambos eram chatos tanto a matéria quanto o professor com aquela voz lenta e uníssona, ótima para ninar criancinhas irrequietas.

          Situação ideal  para ler aquela papelada e, chegar à conclusão que deveria receber em dobro o valor por mim pago até ali, pois a desistência havia sido unilateral.

         Apesar do linguajar sofisticado dos advogados, tudo parecia claro. Tempo de assinar a lista de presença e sair em disparada em busca de alguém que pudesse esclarecer o fato.

        Desci a escada numa velocidade espantosa e pedi refugio na Faculdade de Direito, na outra ala do prédio. Feitas as consultas, tudo estava esclarecido confirmando minha interpretação.

        Agora era hora de agir. Finalmente encontrara a resposta para minha indagação: “onde errei?”. Evidente premissa necessária, mas não suficiente para garantir um final feliz.

 - Trecho de meu livro “Cheiros da Vida” escrito em 2003.

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

E X T R A - "TENTE ENTENDER ESSE ENIGMA!"



"TENTE ENTENDER ESSE ENIGMA"
VOCÊ SABIA QUE?...
Não existe nenhuma ONG atuando no Nordeste seco?
(ninguém observa isso).
Você consegue entender isso?
Vítimas da seca!
Quantos? 10 milhões.
Sujeitos à fome? Sim.
Passam sede? Sim.
Subnutrição? Sim.
ONGs estrangeiras ajudando: 
Nenhuma!


Índios da Amazônia.

Quantos? 230 mil
Sujeitos à fome? Não
Passam sede? Não
Subnutrição? Não
ONGs estrangeiras ajudando:350

Provável explicação:
A Amazônia tem ouro, nióbio, petróleo, as maiores jazidas de manganês e ferro do mundo, diamante, esmeraldas, rubis, cobre, zinco, prata,
a maior biodiversidade do planeta (o que pode gerar grandes lucros aos laboratórios estrangeiros) e outras inúmeras riquezas que somam 14 trilhões de dólares.
O nordeste não tem tanta riqueza,
  por isso lá não há ONGs estrangeiras ajudando os verdadeiramente famintos.

Tente entender:
Há mais ONGs estrangeiras indigenistas e ambientalistas na Amazônia brasileira do que em todo o continente africano, que sofre com a fome, a sede, as guerras civis, as epidemias de AIDS e Ebola,os massacres e as minas terrestres.

Agora, uma pergunta:

Você não acha isso, no mínimo, muito suspeito?
É uma reflexão interessante ou não é???

REPASSE SEM MODERAÇÃO!

POLÍTICOS E FRALDAS DEVEM SER TROCADOS
FREQUENTEMENTE.... E PELAS MESMAS RAZÕES!

domingo, 17 de novembro de 2013

"CHEIROS DA VIDA" - 78 - MAIS UMA...


        Mil Novecentos e Sessenta e Três estava chegando ao fim. Agora era toda concentração nas provas finais na faculdade para chegar ao 3º Ano, livre de dependências.
       
        Essa era uma tarefa difícil tendo em vista o ano árduo que passara; no Werneck, aulas (lembram-se: somente as minhas turmas começavam as aulas em horário especial, às sete horas da manhã), coordenação de matemática para o curso científico do Werneck, a direção bem como as aulas no CEPES, além da operação mudança de sede com obras, instalações, publicidade, empréstimos financeiros e muito mais.

        Somando-se a isso tudo vinham as aulas na faculdade assistidas sabe-se lá com qual assiduidade e atenção.

        Positivamente, o panorama não era nada promissor.

        Será que até o fim do ano aconteceriam mais problemas e surpresas?

       Adivinhões!!!

       Claro que aconteceria; pelo menos uma, e das grandes...

       Desde que comprei o apartamento mudei meu itinerário para ir ao meu Curso ou ao Colégio Werneck. Ao invés da Avenida XV de Novembro, passei a transitar pela Rua Dezesseis de Março, paralela a ela, visando acompanhar como estavam indo as obras de meu apartamento.

       Felizmente tudo indo melhor que esperava: rapidamente foram batidas as estacas, e logo a seguir começaram os serviços de aprumação das formas para a concretagem dos pilares da estrutura.

       Até que um dia (tem sempre um dia...) pararam de montar o estande de vendas luxuoso que indicava o início, em breve, das vendas abertas ao público.

       Depois percebi uma diminuição sensível no ritmo das obras até a paralisação total.
  
       Fiquei preocupado! Preciso procurar o “arquiteto afetado” que me vendera meu “sonho” para saber das coisas. Não foi preciso.

       Logo, logo, o “cara de pau” apareceu. Estava dando uma aula por volta das quatro da tarde quando o “infeliz” apareceu à porta da sala, fazendo gestos dramáticos e me convocando até ele.

        - Não vê que estou dando aula?!  Não dá para esperar um pouquinho?
        - Não dá não! O caso é mais sério do que você pensa. Mas tenho a solução “para livrar a tua cara”.
        - O quê a minha cara tem haver com isso?
        - Está vendo esse cheque? É a tua salvação. A nossa firma está numa situação calamitosa e, deve fechar por esses dias.
        - E esse cheque?
        - Corresponde ao total de tudo o que você pagou. Sei que você tem conta aqui no Banco Nacional de Minas Gerais, logo aqui em frente. Nossa firma também. Vamos lá que o gerente, que também te conhece, está nos esperando e, depositamos esse valor diretamente na tua conta, em dinheiro vivo e, você sai limpo, sem prejuízos, do negócio.
        - Mas...
        - Não vamos perder tempo. Avisa a turma que  aconteceu uma emergência e, você vai ter que se ausentar por quinze minutos. Não leva mais que isso!!!
        - Loucura!
        - O tempo urge!

        Nem lembro a desculpa que dei para os meus alunos; atravessamos a rua, chegamos ao Banco e imediatamente  concluímos a operação, sem antes eu ter dado uma daquelas "mancadas" que deveria ser aprendida para a vida toda.

         - Professor Leal, o senhor terá que endossar este cheque para que possa entrar, em dinheiro, na sua conta. Lembre que ele está nominal ao senhor.
        - Meio atordoado assinei no verso sem ler, ou indagar,  algo que estava escrito acima.

        De posse do recibo de depósito e, do extrato de minha conta já incluindo o novo valor creditado voltei ao Curso.

        Achava que tinha errado. Algo me dizia isso. Por outro lado, tinha salvo o dinheiro aplicado. No entanto, sentia que alguma coisa devia estar errada. Qual? Qual?!!!

        Fora tudo muito rápido. Onde teria errado? Onde?!!!

        E com que cara que iria dizer à Tania e, demais amigos que meu sonho tinha escoado pelo ralo...

        Estava triste, confuso e meio perdido.

        Nem sei como dei as aulas derradeiras do dia.

        Evidentemente contabilizei mais uma noite em claro na minha vasta conta corrente de “insônias”.

        Minha vontade era “encher de porrada” aquele “arquiteto afetado” de uma figa...



         - Trecho de meu livro “Cheiros da Vida” escrito em 2003 em Arraial do Cabo.

sábado, 16 de novembro de 2013

"CHEIROS DA VIDA" 77 - COMO É BOM AMAR VOCÊ!


          Nestas noites mornas e silenciosas sentindo apenas o roçar das folhagens de nosso jardim em pleno viço, pouco importando com a madrugada vizinha, eu e Tania,  acompanhados vez por outra pelo perfume das "damas-da-noite" ou banhados pela branda luz da lua, na varanda de nossa casa em Arraial, namoramos desligados do tempo.
         
         Parecemos dois meninos a descobrir, sem pressa, mais e mais as antigas novidades do amor, agora, para nós, pleno, adulto e livre.
         
         Nesses momentos penso que esse Século XXI tem sido muito generoso para conosco. Nosso encontro neste largo mundo valeu a pena. Desde o longínquo 1955 não tenho dúvidas que a mulher da minha vida está aqui, juntinho a mim, sentido o ritmo dos corações batendo agora acelerados, agora calmos sempre em sintonia com nossos mais profundos sentimentos.
         
         Aconteceram alguns acidentes de percurso, amargos, sofridos mesmo, parecendo em muitas vezes que nossos destinos iriam caminhar estradas estranhas.
         
         Os caminhos foram refeitos e nossos passos se juntaram novamente, definitivamente, ligados por algo mais forte, protegidos e dirigidos pela presença constante de Deus em nossas vidas.
         
         Criamos nossos filhos, abraçamos com zelo nossas famílias, plantamos amizades verdadeiras. Nos alegramos com suas vitórias e sofremos com seus tropeços. Os amamos com igual intensidade e estamos sempre disponíveis para cumprir nossa missão.

         Não colhemos só flores. Choramos muitas vezes em silêncio. As vezes parecíamos fraquejar. Enfim, vivemos a vida e nem sempre vencemos...
       
        Agora, aqui chegamos. Uma neta já nos encanta dia-a-dia e, já e já outro neto chegará. 
        
        Os problemas foram enfrentados e superados. Depois desses quatro anos vivendo essa intimidade gostosa e, desobrigada de freios em Arraial estamos mais fortes apesar da idade que vem avançando sem escrúpulos.
        
        Nos sentimos mais unidos bebendo as taças dessa Lua de Mel sem prazo que estamos gozando.
       
        Sabemos que ainda não estamos livres das ciladas da vida, afinal estamos vivos, no entanto, mais do que nunca, preparados para enfrentar o que de amargo possa vir pela frente. Enquanto isso vamos sorver todo o encantamento desses momentos livres; momentos de amor sem limites que nos envolveu de vez nesse arrabalde enfeitado para nós, com capricho, pela natureza.

         Como é bom amar você!



        Trecho do meu livro "Cheiros da Vida" escrito no transcorrer de 2003 em Arraial do Cabo.

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

"CHEIROS DA VIDA" - 76 - JOHN FITZGERALD KENNEDY



         Extraordinário ter acontecido comigo; por um capricho do acaso na tarde de 22 de novembro de 1963 estava livre de compromissos.  Com previsão de dar uma descansada  voltei para o apartamento. A intenção, na verdade, era tirar uma soneca.

          Encontrei a casa cheia. Fernando sentado no  chão brincava com a chave do carro enquanto Luisinho, deitado de lado no beliche, com a cabeça apoiada na mão espalmada sustentada pelo braço flexionado, falavam da política nacional. Papo estranho considerando as ideologias antagônicas  em jogo, principalmente o Luisinho um comunista ferrenho, como é até hoje.

          Acho que Luizinho  ainda acredita em Papai Noel, Coelhinho da Pascoa, etc. Tem , no entanto, algo a seu favor:  um grande profissional, um excepcional amigo e, um admirável caráter – um homem de bem e do bem – esse é meu amigo Luiz Roberto Martins  de Miranda – o grande mestre de todos nós, o Professor Miranda da Coppe-Uferj. Sempre me orgulhei de sua amizade.

          Tirei os sapatos, afofei o travesseiro, atirei-me na cama fechando os olhos  procurando fazer ouvido mouco ao desenvolver  da discussão  sem futuro.

          Ao fundo o som do radinho sempre ligado na Radio Jornal do Brasil, AM é claro, afinal estávamos em 1963.  Tão cansado,  adormeci.

          Não tenho ideia de quanto tempo passou.

          Repentinamente as vozes subiram de tom do mesmo modo que o volume do rádio. Uma edição extraordinária do noticiário dava conta de um fato terrível: o Presidente dos Estados Unidos da América, John Kennedy, acabara de ser assassinado em Dallas no Texas.

          Depois só o locutor era ouvido. A notícia era repetida diversas vezes e poucos detalhes eram  acrescidos. Mais adiante, aos poucos, novos boletins foram sendo expedidos.

          Luisinho logo começou a debitar à direita capitalista americana a autoria do atentado, enquanto Fernando dizia ser um complô internacional para desestabilizar ainda mais a já desestabilizada paz mundial.

          Confesso que minha surpresa não foi tanta, pois não imaginava a possibilidade de um presidente que era contrário à Guerra no Vietnã e, ainda por derradeiro, católico, chegasse ao final do mandato ileso. Afinal tratava-se dos Estados Unidos contumaz algoz de seus presidentes.

          Os dias subsequentes foram impregnados de opiniões, avaliações, e a cada momento  surgiam mais notícias caóticas, desencontradas e sensacionalistas.

          Com o passar dos anos passo, agora, a expressar de maneira consolidada como eu vi tudo isso.

          Quando a comitiva presidencial seguia a uma velocidade de aproximadamente de 15km/h ouviu-se um primeiro disparo que não atingiu o Presidente, batendo numa árvore e mudando sua trajetória.

          Depois mais dois disparos. O terceiro foi fatal para Kennedy atingindo-o em cheio na cabeça – cena patética repetida diversas vezes em vídeo nos últimos quarenta anos - seguida do desespero  de Jaqueline Kennedy se esticando sobre o capô da limusine no esforço obstinado  de coletar fragmentos do cérebro despedaçado  do marido.

          Entre o primeiro e o último o disparo  transcorreram 8,4 segundos.

          No Parkland Hospital Kennedy recebeu a “unção dos enfermos” – sacramento católico.

         Lee Harvey Oswald um 


dos evidentes assassinos foi detido oitenta minutos 


após o atentado; antes de se entregar ainda matou


 o policial J. D. Tippit  Nunca foi julgado, pois foi 


assassinado, ao vivo, durante uma transmissão de 


TV  dois dias após o atentado não tendo tempo de 


prestar nenhum depoimento à polícia de Dallas.

           Em setembro de 1964 as comissões de averiguação concluiu não ser possível afirmar a possibilidade de uma conspiração interna ou, externa, para o fato. Oswald teria agido sozinho...

          Até hoje o caso desperta várias indagações que possivelmente jamais serão elucidadas.

         Ao longo dos últimos anos li muito a respeito desse caso.

         Uma das prováveis hipóteses refere-se ás sociedades secretas que teriam como objetivo elevar seus membros a altas colocações na sociedade, possibilitando eleger determinadas pessoas em posições de poder.

         Corre a premissa  que para ser Presidente dos americanos é fundamental pertencer a uma dessas linhagens “illuminati”. A família Kennedy, ao que parece, seria uma dessas famílias agraciadas.

         Muitos analistas opinam que em sendo verdadeiro esse princípio, nada mais natural que, consequentemente, John Fitzgerald Kennedy teria sido eleito presidente ao início da década de sessenta.

         Kennedy, no entanto, tinha visões e ideias diferentes daquelas dos que detinham, de verdade, o poder.

         Talvez por esse motivo tivesse sido condenado a morrer.

         Não seria nossa tarefa levantar mais questões. Vale o testemunho de quem viveu aqueles dias impregnados de perguntas sem respostas.

         Uma conclusão, porém, é clara: a elite e as 

sociedades secretas lideram o poder na mais 


poderosa nação do mundo.                                   

        Um fato destaca-se como importante: em 27 

de abril de 1961, perante a Associação de Jornais 


Americanos, em Nova York, em transmissão na 


mídia, John Kennedy fez um discurso em que se 


declarava contra as "sociedades secretas", o 


"secretismo", a "manipulação", o que torna mais 


provável a tese de que ele foi mesmo assassinado 


por  esses motivos. 

      Embora ele tenha sido eleito pela elite, 

Kennedy foi corajoso em desafiar a “Illuminati”, 


que pode ser entendido no discurso pronunciado 


com ênfase em 1961. (esse discurso pode ser 


acompanhado na íntegra pelo vídeo cujo endereço 


está postado ao final do capítulo).

    Tenho muito respeito e admiração pela figura 

do Presidente Kennedy. Por outro lado sempre 

senti certa repulsa à atitude fria, ao longo de 

todos os procedimentos, do Vice-Presidente 

Lyndon Johnson.


OBSERVAÇÃO - Em anexo o discurso de 27 de 

abril de 1961:


https://www.youtube.com/watch?v=Gw03zdqqP5A



     Capítulo de meu livro "Cheiros da Vida" escrito em Arraial do Cabo em 2003.

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

'CHEIROS DA VIDA! - 75 - "MARRAIO FERIDÔ SOU REI!"


          Acordei cedo. Coisa rara nessas terras cercadas de água e muita beleza.
          Normalmente isso acontecia em pleno transcurso de um sonho intenso que despertasse uma forte emoção.
         Assim acontecera na manhã do atentado às Torres Gêmeas. Segundo os especialistas sonhamos inúmeras vezes durante as horas de sono e, só recordamos aquele sonhado imediatamente antes do despertar. Foi exatamente isso que acontecera.
          Era novamente criança e das vozes infantis que me envolviam ouvia-se:
          - A brinca ou, a vera?
          - A vera!
          - Valendo o quê?
          - Um “Chica-Bom”.
          - “Marraio feridô sou rei” – gritei para todos ouvirem.
          - "Acompanho!" - berrou alguém logo em seguida.
         As bolas de gude rolaram pelo chão levantando uma poeira fina ao longo de seu trajeto. Como eu era "Marraio" fui o último a fazer o lançamento, logo depois do "Acompanho", o penúltimo. 
         Pensava comigo, nessa levei vantagem - tenho tudo para saborear meu "Chica". 
         O sonho prosseguiu e não conseguia distinguir os meus parceiros de brincadeira nem o local exato da porfia. Após vários “tecos”, quando já sentia as dificuldades de um jogo a vera, uma voz adulta, vinda não sei de onde, fez-me despertar.
         Fiquei sem saber do final do desafio...
         Sempre nessas ocasiões acordava suado, estivesse frio ou não. Até hoje não encontrei uma explicação médica plausível para o problema. O fato que alguma emoção o sonho da ocasião vinha a afetar os meus sentimentos. 
         Naquele dia não fora diferente. Acordei emocionado pela beleza  escondida no dia pós dia da infância, quando ainda não soara em nossos ouvidos a máxima: "a vida jamais foi feita para estar à toa".
         Como era bom estar à toa. 
         A garotada de hoje nem de longe poderia imaginar nossos valores, nossos passatempos, nosso linguajar e nossas rotinas: tecar, bola ou búlica, "ultimo lá é mulher do padre", botões de galalite, botões de casca de coco talhado nas pedras brutas (verdadeiras esculturas).
          E as brincadeiras:  chicotinho-queimado, pique-bandeira, cabra-cega, bilboquê, caracol, as corridas com carrinhos de rolimã (feitos artesanalmente por cada um de nós) e por aí vai...
         Os mais "avançadinhos" faziam cerol com vidro ralado pelas rodas do bondes ao trilhar a curva da Praça Gabriel Soares, bem em frente à nossa querida vila. Não gostava disso,  pois transformava o espetáculo das pipas dançando no céu em um batalha sem vencedores. Não fazia o meu gênero, definitivamente.
          Aí meus leitores poderão indagar: e o futebol? Onde entra nessa história?
         Não entra!
         Adorava futebol. No entanto era um perna-de-pau da melhor estirpe. Só era escolhido em último lugar para completar algum time. Um dia resolvi: pendurei as chuteiras, em definitivo, mesmo sem nunca tê-las tido...
         Naquele tempo olhar a vida com "olhar tijucano" era algo diferente dos demais olhares. Não era  por nada que a Praça Saenz Peña era um verdadeiro "multiplex" ao ar livre. Enfileiravam-se os cinemas: América, Carioca, Tijuquinha, Metro-Tijuca, Art-Palácio, Eskye, Olinda (o maior do Rio de Janeiro com aproximadamente 3.200 lugares) e, o "poeira" Santo Afonso, entre outros mais que foram aparecendo com o passar dos tempos (caso do Britânia, Bruni-Saenz Peña, Rio, Tijuca-Palace e Bruni-Tijuca).
         Despertei batendo no peito com força e orgulho, quase gritando: "sou tijucano, sou tijucano...".

- Trecho do meu livro "Cheiros da Vida" escrito em Arraial do Cabo no transcorrer de 2003.

EXTRA - F I L H O



quarta-feira, 6 de novembro de 2013

MEU PAI!  -  

- CENTO E OITO ANOS

Seu César! 108 anos!


Tudo começou no dia seis de novembro de 1905, em São Gabriel - Rio Grande do Sul...


Quanto mais o tempo passa, maior é a saudade.


Um beijo PAI!!! 


Zé Karlos


Em tempo : foto da primeira metade dos anos trinta.

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

EXTRA - PÁTRIA MADASTRA VIL

SERÁ QUE A NOSSA PRESIDENTA  VAI LHE DAR ALGUMA CONDECORAÇÃO?
GANHARÁ BOLSA DE ESTUDOS ?
 


Imperdível para amantes da língua  portuguesa, e claro também para Professores, Advogados, Magistrados, Senadores, Deputados, Vereadores, Operários, povo simples de todas as partes de nosso país, Engenheiros, Administradores de Empresa, Jornalistas e outros formadores de opinião, Donas de casa, Empresários, empregados de todas as categorias, inclusive Sindicalistas, políticos em geral e alguns em particular.

Isso é o que eu chamo de  jeito  mágico de juntar palavras simples para formar belas  frases.

Tema: "Como vencer a  pobreza e a desigualdade"


PÁTRIA MADRASTA  VIL"

Onde já se viu tanto excesso de falta?  
Abundância de inexistência...  
Exagero de escassez...  
Contraditórios?  
Então aí está!  
O novo nome do nosso país!  
Não pode haver sinônimo melhor para BRASIL.  
Porque o Brasil nada mais é do que o excesso de falta de  caráter, a abundância de inexistência de solidariedade, o exagero de  escassez de responsabilidade. 
O Brasil nada mais é do que uma  combinação mal engendrada - e friamente sistematizada - de  contradições. 
Há quem diga que 'dos filhos deste solo és mãe  gentil', mas eu digo que não é gentil e, muito menos, mãe.  
Pela definição que eu conheço de MÃE, o  Brasil,   está mais para madrasta vil. 
A minha mãe não  'tapa o sol com a peneira.' 
Não me daria, por exemplo, um lugar na  universidade sem ter-me dado uma bela formação básica.
E mesmo há  200 anos atrás não me aboliria da escravidão se soubesse que me  restaria a liberdade apenas para morrer de fome. Porque a minha mãe  não iria querer me enganar, iludir.  
Ela me daria um verdadeiro Pacote que fosse  efetivo na resolução do problema, e que contivesse educação +  liberdade + igualdade. Ela sabe que de nada me adianta ter educação  pela metade, ou tê-la aprisionada pela falta de oportunidade, pela  falta de escolha, acorrentada pela minha voz-nada-ativa.  
A minha mãe sabe que eu só vou crescer se a  minha educação gerar liberdade e esta, por fim, igualdade.  
Uma segue a outra...  
Sem nenhuma contradição! 
É disso que o  Brasil precisa: mudanças estruturais, revolucionárias, que quebrem  esse sistema-esquema social montado; mudanças que não sejam  hipócritas, mudanças que transformem!
A mudança que nada muda é  só mais uma contradição. 
Os governantes (às vezes) dão uns peixinhos,  mas não ensinam a pescar. 
E a educação libertadora entra aí.  
O povo está tão paralisado pela ignorância que  não sabe a que tem direito. 
Não aprendeu o que é ser cidadão. 
Porém,  ainda nos falta um fator fundamental para o alcance da igualdade:  nossa participação efetiva; as mudanças dentro do corpo burocrático  do Estado não modificam a estrutura.  
As classes média e alta - tão confortavelmente  situadas na pirâmide social - terão que fazer mais do que reclamar  (o que só serve mesmo para aliviar nossa culpa)...  
Mas estão elas preparadas para isso? 
Eu  acredito profundamente que só uma revolução estrutural, feita de  dentro pra fora e que não exclua nada nem ninguém de seus efeitos,  possa acabar com a pobreza e desigualdade no Brasil. 
Afinal, de  que serve um governo que não administra?  
De que serve uma mãe que não afaga?  
E, finalmente, de que serve um Homem que não se  posiciona? 
Talvez o sentido de nossa própria existência esteja  ligado, justamente, a um posicionamento perante o mundo como um  todo. Sem egoísmo. 
Cada um por todos. 
Algumas perguntas,  quando auto-indagadas, se tornam elucidativas.  
Pergunte-se: quero ser pobre no Brasil?  
Filho de uma mãe gentil ou de uma madrasta vil?  
Ser tratado como cidadão ou excluído?  
Como gente... Ou como  bicho?

 

Premiada pela UNESCO,  Clarice Zeitel Vianna Silva,  26,  estudante que termina Faculdade de Direito da UFRJ em julho,  concorreu com outros 50 mil estudantes universitários.
Ela acaba de voltar  de Paris, onde recebeu um prêmio da Organização das Nações Unidas  para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) por uma  redação sobre  'Como vencer a pobreza e a desigualdade.'
 A  redação de Clarice  intitulada  'Pátria Madrasta Vil',foi incluída  num livro, com  outros cem textos selecionados no concurso.
A  publicação está disponível no site da Biblioteca Virtual da  UNESCO.


                           (Enviado pelo meu amigo Roberto Moraes)