por José Carlos Coelho Leal
segunda-feira, 17 de março de 2014
"CHEIROS DA VIDA" - 95 - COMEÇA UM NOVO DRAMA
Para encerrar a rememoração dessa parte importante de nossa história, vivida por mim e por toda minha geração, fosse qual fosse a visão ideológica de cada um dos atores, seria bom destacar resumidamente tudo que aconteceu depois da deposição de Goulart.
9 de abril de 1964 - Sob a supervisão do Comando Supremo do Movimento Cívico-Militar foi baixado o Ato Institucional nº 1 que concedia ao Executivo poderes especias para cassar mandatos e suprimir direitos políticos por até dez anos, bem como decretar Estado de Sítio sem aprovação parlamentar. Esse Ato Institucional vigoraria até 31 de janeiro de 1966 e, mantinha as eleições presidenciais diretas marcadas para 03 de outubro de 1965.
10 de abril de 1964 - São suspenso os direitos políticos de uma centena de pessoas, entre os quais João Goulart, Jânio Quadros, Miguel Arraes, Leonel de Moura Brizola. Luis Carlos Prestes, Samuel Wainer, Marechal Osvino Ferreira Castro, João Pinheiro Neto, Roberto Morena, Plínio Soares de Arruda Sampaio, Rubens Paiva, Moysés Lupion, Gilberto Mestrinho (estão misturados nestas listas ideólogos socialistas, comunistas e, corruptos reconhecidos por toda a nação). Como sempre, nos atos humanos, algumas poucas injustiças foram praticadas
11 de abril de 1964 - Eleição pelo Parlamento do Presidente provisório do Brasil com mandato previsto para terminar no dia 01 de janeiro de 1966 (tendo em vista que permanecia marcada para 03 de outubro de 1965 as eleições diretas para Presidente de República).
Foi eleito o General Humberto de Alencar Castelo Branco, principalmente por sua característica de "mediador" entre os militares da chamada "linha dura" e as facções tradicionais lideradas pelos Generais Aurélio de Lira Tavares e Golbery do Couto Silva. Também foram candidatos o General Amaury Kruel, apoiado pelo PTB e o Ex-Presidente Dutra, apoiado por parte significativa do PSD.
Um acordo entre a Escola Superior de Guerra (ESG) e amplos setores do PSD liderado por Juscelino Kubstcheck garantiu a vitória de Castelo que recebeu 361 votos (123 do PSD, 105 da UDN e 53 do PTB). Houve, ainda, 72 abstenções (a maioria do PTB) e 37 ausências causadas, principalmente, devido ao atraso na posse dos suplentes dos parlamentares cassados.
16 de abril de 1964 - A Aliança para o Progresso empresta quatro milhões de dólares para o Brasil;
19 de junho de 1964 - A Câmara Federal aprova o projeto de Reforma Habitacional sendo, então, criado o Banco Nacional da Habitação - B.N.H;
14 de julho de 1964 - A Aliança para o Progresso empresta mais 883 milhões de Dólares para o Brasil;
13 de agosto de 1964 - Criado o PAEG - Programa de Ação Econômica do Governo;
30 de novembro de 1964 - Aprovado o projeto que transforma a SUMOC em Banco Central do Brasil.
Mais calmo quanto à situação política, já naquele começo de abril voltei a me dedicar ao trabalho, agora com redobrado vigor.
Posso agora recordar com mais detalhes o incidente já relatado capítulos atrás...
Na verdade, não queria me preocupar, mas alguma coisa não estava bem comigo mesmo. Um sentimento de cansaço agudo me atingia todas as manhãs nas manobras de levantar da cama. Afinal dormia, no máximo, seis horas por noite. E repetia-se o ritual de todas as manhãs: vontade infinita de jogar o despertador pela janela.
Durante as aulas da tarde um sono quase incontrolável dominava minha cabeça. Um café bem quente e, bons goles de água gelada durante as aulas disfarçavam; eu fingia esquecer que algo deveria estar acontecendo. Não era hora de fraquejar pois muito ainda queria realizar naquela Petrópolis que tão bem me acolhera.
No início daquela tarde de fins de maio aconteceu o "aviso" para valer. Quando começava a atravessar a rua, em frente à Casa D'Ângelo, senti uma formigamento pelo corpo acompanhado de uma onda de calor que subiu rapidamente da ponta dos pés até invadir toda minha cabeça. Tonto, ainda tentei dar alguns passos e subitamente tudo se apagou.
Não sei quanto tempo durou aquele desmaio, talvez uma fração de segundo. Só lembro que felizmente, graças a Deus, um colega de faculdade procurara acelerar o passo para me alcançar pois previu que algo não estava bem comigo. Foi Deus que mandou o Pedrinho Kassab me segurar e impedir uma queda que poderia ter consequências bastante desagradáveis.
Começava ali um novo drama que terá lances típicos, coincidências incríveis e tragédias reais dignas de um verdadeiro novelão televisivo. Isso será assunto para os próximos capítulos...
- Trecho de mu livro !Cheiros da Vida" escito em Arraial do Cabo em 2004.
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