por José Carlos Coelho Leal
domingo, 19 de janeiro de 2014
"CHEIROS DA VIDA" - 86 - O CÉU COMEÇAVA A PARECER DE "BRIGADEIRO"
Naquele janeiro de 1964 os jornais se ocupavam muito em cobrir as notícias das últimas remoções das famílias faveladas que ocupavam as encostas do Morro do Pasmado, em Botafogo. Era uma área de alto risco e, ainda naquele início de verão, algumas vítimas foram feitas em decorrências das enxurradas típicas daquela época do ano.
Essas famílias passariam o ocupar casas previamente construídas para atender essas demandas. Neste caso as famílias foram instaladas na chamada Vila Aliança.
Essa realização, do então Estado da Guanabara, teve início em 1961 quando o Presidente John Kennedy criou a chamada "Aliança para o Progresso", projeto de cooperação técnica e financeira que visava atender os países da América Latina objetivando neutralizar a influência do Leste Europeu com revoluções como a cubana, por exemplo.
A Vila Aliança foi o primeiro grande Conjunto Residencial, na verdade um sub-bairro, projetado com padrões arquitetônicos de padrão internacional, com amplas avenidas e ruas secundárias mais estreitas, com características de vilas, que integravam a vizinhança. Juntando-se a essa característica o projeto visava ainda auxiliar com conhecimentos técnicos o operariado residente e, à pequena indústria visando fomentar o desenvolvimento econômico e social da região.
Na realidade a Vila Aliança recebeu moradores removidos da favela do Morro do Pasmado, do Morro do Pinto e da favela do Esqueleto, onde hoje ergue-se o campus da Universidade do Estado do Rio de Janeiro - UERJ.
A imprensa carioca, de uma maneira bastante significativa creditou os maiores louvores à Professora Sandra Cavalcanti, coordenadora do projeto e, pertencente ao secretariado do Governador Carlos Lacerda, primeiro governador eleito do Estado da Guanabara.
Enquanto isso, em Petrópolis, mal haviam terminado as comemorações do sucesso de Vestibular de 1964, nova batalha se apresentava. Agora nosso ânimo, meu e do Ivan. estavam revigorados e, após alguns gastos mais que justificados com publicidade, começamos a receber as matrículas. A resposta foi a esperada. Magnífica!
Finalmente atingíamos em cheio, depois de dois anos de intenso trabalho, nossa meta de utilizar ao máximo a capacidade do curso com todas as salas ocupadas pela manhã, tarde e noite. Novas turmas para Vestibular de Medicina, Filosofia e Ciências Econômicas. Nosso carro-chefe, no entanto, continuava a ser o Vestibular de Engenharia.
Para variar, novas preocupações: a situação político-militar do país, cada vez mais confusa e, a inflação que começava a dar sinais alarmantes.
Ficava cada dia mais evidente as tendências dos movimentos ditos de "esquerda". A imprensa noticiava que os advogados Sobral Pinto e Hélio Tornaghi estavam prestes a iniciar uma tomada de de depoimentos dos professores que ficaram retidos como reféns na Faculdade Nacional de Filosofia.
Alguns alunos agitadores do partido comunista haviam invadido a faculdade para evitar que ali se realizasse a solenidade de formatura. Era a desordem tomando cada vez mais espaços... Esses fatos poderiam nos atingir e a toda nação, de algum modo, numa hora quando, para nós do CEPES, "o céu começava a parecer de brigadeiro".
Trecho do meu livro "Cheiros da Vida" escrito ao longo doano de 2004, em Arraial do Cabo.
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