por José Carlos Coelho Leal

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

'CHEIROS DA VIDA" - 84 - A ESCOLA DA VIDA





             Nesses anos em Arraial do Cabo aconteceu algo que julgava impossível tal o meu temperamento agitado e inquieto. Vez por outra, com a ajuda dessa maravilhosa natureza que nos rodeia, fez-se possivel até meditar e filosofar.

       Isso aconteceu, mais uma vez, neste início de noite. O marulhar tranquilo e compassado da ondas a quebrar nas areias da Praia dos Anjos, me fez parar a caminhada, desvencilhar do tênis e das meias; com os pés livres sentei-me a poucos metros da água. O céu começava a receber estrelas e percebi que à minha volta, até onde meus olhos se permitiam ver, nenhuma vivalma.

      Então soltei as rédeas do pensamento...
       
         
           A vida é semelhante a uma escola.
      
      Quando nascemos já estamos matriculados e, começamos a estudar.

       Como são belas as aulas primeiras e como fazemos progressos? Dia após dia.Todos aplaudem cada nova lição que aprendemos. De entusiamo em entusiamo achamos até divertido a arte de aprender.

       Com o passar dos anos parece cada vez estar mais longínqua a formatura e, as lições cada vez mais difíceis e trabalhosas não atraem aqueles aplausos de outrora.

       Onde foram parar as boas notas dos primeiros tempos? E os longos dias de quietação? Onde estão? Agora estamos cansados. Nada de parar, pois há ainda muitas lições a visitar.


        De repente, notas baixas. No início parece o fim do mundo depois, já nos acostumamos com elas. Faz parte do programa e devemos seguir apesar de tudo e após tudo.

        Cada vez as temas parecem ficar mais complexos; onde estão os mestres de ontem? Se foram? Nos deixaram sozinhos nas mãos de estranhos e, ainda acompanhados de irreconhecíveis parceiros; pequenas vitórias suadas e injustas derrotas desprezíveis. Pensamos em abandonar tudo. Agora? Impossível... Alguém e, mais alguém e ainda mais e mais esperam por nosso sucesso.

         Quando tudo parece se perder afinal compreendemos que muitas vezes as soluções complexas independem de fórmulas complicadas ou teorias intrincadas.

         E começamos, finalmente aprender que a excelência da vida: a felicidade plena é  atingida quando reconhecemos a alegria nos pequenos fatos e quando vivemos momentos, apenas momentos, mágicos de ternura. Isso ninguém nos ensinou, ou talvez, a vida... Ela mesma, nossa contínua e perseverante Escola.

         Já não é importante a formatura, os  aplausos, as medalhas. Alcançamos o máximo de nosso saber.

         Por derradeiro, no dia da nossa graduação, exato nesse momento, é quando damos adeus a esse mundo para nos aproximarmos do galardão de Deus.

         Parte do livro "Cheiros das Vida" escrito em Arraial do Cabo ao longo do ano de 2004.


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